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O ser humano, não sei por que cargas d'água, tem a mania de querer manter perto de si os animais disponíveis na natureza. Não sei se é uma forma de tentar compensar os históricos danos causados a outras criaturas ou simplesmente o gosto da contemplação de seres diferentes...
O fato é que muitas vezes, boa vontade, generosidade, carinho, simpatia não são suficientes para mantermos outras criaturas dentro de nossas casas. É preciso acima de tudo, criarmos um ambiente propício para seu desenvolvimento. Para conseguirmos este ambiente propício, necessitamos conhecer os hábitos destas criaturas e principalmente as condições ambientais em que sobreviviam antes de vir para nossas casas, para que então possamos desenvolver seu "viveiro" de uma maneira eficiente.
Devido aos dias modernos, principalmente nas grandes cidades onde os espaços são cada vez menores, e onde se passa a maior parte do tempo fora de casa, fica muito difícil conseguirmos proporcionar a animais como cães, gatos entre outros, uma condição aceitável. Além disso, estes animais fazem uma certa sujeira, ruídos, podem destruir alguns utensílios domésticos, necessitam ir ao veterinário, etc. Por estes motivos, muitos não tem animais de estimação em casa. Daí surge a opção do Aquarismo.
- Xiiii... Mas aquário dá um trabalhão! Tem que trocar a água toda semana, lavar as pedras, lavar o aquário... Não tenho tempo pra isso...
Esta frase é clássica. Típica de quem já teve e desistiu de ter aquários.
Na verdade a frase é também típica de quem não sabe nada sobre o aquarismo.
Nunca se deve desmontar um aquário, muito menos lavar as pedrinhas exceto no dia da montagem do mesmo. Não é recomendada a troca de mais de 30% do volume total da água do tanque de uma vez, e, quanto mais se mexe em um aquário, pior são as condições de equilíbrio do mesmo. Por isso, o aquarismo será o hobby do século XXI e os peixinhos serão os pets preferidos pelas pessoas com ritmo de vida acelerado.
O aquarismo, é muito mais antigo do que se imagina. Segundo consta, os kinguios ou gold fish (peixe dourado) ou mesmo japonês, que são os termos populares usados ao nos referirmos a este simpático peixinho, são mantidos pelo Homem em pequenos aquários de argila há cerca de 1.600 anos. Isto porque eram, e são até hoje, extremamente resistentes a condições mais adversas.
Do primeiro aquário até hoje, as coisas evoluíram muito, e continuam evoluindo a cada dia. Muita coisa mudou, mas a principal e mais importante foi a maneira como passamos a encarar o aquarismo.
Um aquário não é apenas uma caixa de vidro com água, pedras e peixinhos dentro, mas sim um microcosmo, um mundinho dentro de um espaço limitado, e o objetivo dos aquaristas não é apenas manter os peixes vivos, mas sim vivendo com qualidade.
Admitindo estas palavras como uma filosofia, seremos grandes aquaristas, caso contrário, grandes egoístas, pois porque manter animais apenas sobrevivendo? Porque não deixá-los na natureza onde possuem tudo que necessitam?
O objetivo da palestra é mostrar que o aquarismo de água doce é mais simples do que se pode imaginar, e que o principal problema destes aquários somos nós mesmos. Nós é que insistimos em complicar as coisas e, muitas vezes, colocamos tudo a perder.
I - Sistemas de Filtragem
É óbvio que, se colocarmos animais em uma solução aquosa onde não exista nada para realizar uma limpeza, esta solução irá apodrecer causando danos letais a estes animais. Por isso, o homem desenvolveu sistemas de filtragem que podem ser divididos em 3 categorias básicas:
- Filtragem Biológica
- Filtragem Mecânica
- Filtragem Química
Filtragem Biológica
É um sistema de filtragem mais comum e quase que obrigatório na maioria dos sistemas de prática de aquarismo. Consiste em proporcionar condições favoráveis ao desenvolvimento de determinados tipos de bactérias que apresentam como função básica a "transformação" de determinados elementos dentro de nossos aquários, fazendo com que elementos de alta toxidade sejam eliminados e modificados para outros menos ou nada tóxicos, permitindo, assim, a sobrevivência de nossos peixes. São chamados assim justamente pelo fato de que há uma espécie de filtragem natural, feita por outros seres.
Conhecemos diversos filtros no mercado com esta finalidade. Entre eles podemos citar :
• Filtro de Fundo : Aquele das placas pretas que ficam sob o cascalho. Este sistema apresenta vantagens como fácil instalação, baixo custo, discrição. Como desvantagens podemos citar o acúmulo constante e irremediável de detritos, dificulta na manutenção de plantas naturais, pouca eficiência se comparado à sistemas mais modernos, perda de colônias de bactérias quando da periódica sifonagem, etc...
• Filtro Interno Modular : São módulos triangulares colocados uns sobre os outros, e dentro destes módulos são colocados elementos chamados erroneamente de elementos filtrantes, pois quem filtra são as bactérias que colonizam estes elementos, e não estes por si só. Dentre estes elementos, podemos citar cerâmica, cascalho e até cacos de telha. São colocados também perlon e carvão ativado nas camadas superiores, juntando em um só filtro os sistemas biológico, mecânico e químico. As vantagens são baixo custo e bom desempenho, inclusive em aquários destinados a plantas aquáticas. As desvantagens são a aparência, pois é difícil camuflá-lo, dificuldade de manuseio para limpeza e troca de carvão e perlon, acúmulo de sujeira nos tais "elementos filtrantes".
• Filtro Dry Wet : Muito usado em aquários marinhos, e com muito sucesso na manutenção de peixes, este sistema também pode ser usado na manutenção de peixes de água doce e com a obtenção de excelentes resultados, com algumas excessões. Neste caso, os bio balls - peças semelhantes a um ouriço do mar feitas de material plástico - são os elementos que permitirão o desenvolvimento das tais colônias de bactérias em sua superfície. Neste sistema, os bio-balls ficam imersos recebendo apenas uma chuveirada d'água que os mantém molhados. Desta forma, aumenta-se a oxigenação da água, aumentando a eficiência da filtragem. As bactérias retiram oxigênio do próprio ar. As vantagens são bom funcionamento, alta oxigenação e bom nível de limpeza no tanque. As desvantagens são dificuldade na montagem, não deve ser usado se o aquarista desejar manter plantas naturais, pois dispersam muito CO2 e o não obedecimento de alguns padrões de construção podem acarretar em sérios problemas ao aquarista.
• Filtro de Areia Fluidisada : Trata-se de uma das maiores novidades mercadológicas dos últimos tempos. É um cilindro com uma entrada e uma saída de água com um pouco de areia bem fina dentro. Neste sistema, nossas benéficas bactérias se desenvolvem nas superfícies dos grãos de areia. Com a entrada e saída de água, estes grãos mantêm-se em suspensão recebendo água por todos os lados, fazendo com que as colônias se mantenham limpas e muito bem oxigenadas. A grande novidade aqui é que dificilmente notaremos presença de elementos tóxicos como amônia e nitrito, pois propicia excelente atividade bacteriológica . As vantagens são : fácil instalação, excelentes resultados tanto para os peixes quanto para as plantas, muito bom desempenho em aquários dos cobiçados discos, entre outras. As desvantagens são custo relativamente alto e alguma dificuldade em esconder a bomba e mangueiras de entrada e saída.
• Filtros Canisters : São filtros do tipo Fluval. Tem a mesma função de todos os filtros já mencionados. Seu funcionamento se assemelha ao do filtro modular com as mesmas desvantagens com agravante de serem muito caros. A única vantagem aqui é que a água passa mais rápida. Vemos muitas pessoas comprando estes filtros para incrementarem seus filtros biológicos... Bem, acredito que isto seja um desperdício desnecessário de dinheiro. São dois filtros iguais. Seria o mesmo que colocar dois motores no mesmo carro...
É claro que existem outras formas de filtragem biológica, mas acredito que estas sejam as principais. Na verdade as bactérias, quando encontram condições favoráveis se formam em qualquer lugar, no cascalho, nas pedras grandes e até nos vidros! Daí o fato que muitos aquaristas experientes nem usarem filtro biológico em seus sistemas. Apenas muitas plantas e filtros externos.
Filtragem Mecânica
É o tipo de filtragem mais simples de entendermos, pois é aquele que simplesmente retira a sujeira do aquário. O mais conhecido é o chamado normalmente de filtro externo. Existem toneladas de marcas no mercado, e até onde conheço, todas funcionam muito bem sem distinção. Escolha apenas o tamanho mais adequando para seu tanque, seguindo as orientações do fabricante.
O funcionamento é quase sempre o mesmo. A água passa por um refil composto ou de perlon (lã acrílica) ou esponja e depois pelo carvão ativado. A sujeira fica retida no perlon que deve ser trocado uma vez por mês. O ideal mesmo seria a cada 15 dias, pois a sujeira fica retida no perlon, mas como a água continua passando por ele, significa que a sujeira só sai mesmo do sistema quando a jogamos fora. Talvez uma lavadinha a cada 15 dias e uma troca por mês seria o ideal.
Muitos usam os filtros canisters como filtro mecânico. É possível mas tem algumas desvantagens como a dificuldade de manuseio, limpeza e o problema do carvão ativado que veremos a seguir.
Outra forma de filtragem mecânica é a sifonagem (aspiração por meio de um sifão) do fundo do aquário. Quando retiramos a sujeira do cascalho, estamos fazendo uma filtragem mecânica, pois estamos retirando fisicamente, detritos do tanque.
Filtragem Química
O método mais comum é o carvão ativado.
A função do carvão é vital. Elimina gases e elementos tóxicos, principalmente o fenol, que é resultante da morte de algas e mesmo plantas e ácidos úmicos. O problema é que o carvão ativado, normalmente, por ficar em áreas de grande passagem de água, tem seus poros entupidos com certa rapidez. Alguns autores chegam a afirmar que duram no máximo 15 dias em nossos aquários.
Além disso, a quantidade que os filtros externos normalmente provém é insuficiente. O ideal é colocarmos uma quantidade extra de carvão em algum espaço no filtro externo. Podemos usar para isso uma meia de mulher para fazermos um saquinho.
Além do carvão, estão disponíveis no mercado, resinas removedoras de nitrato e fosfato. Podemos usá-las, mas não acho necessário, isso porque as trocas parciais são, de maneira geral, suficientes na eliminação do nitrato. Com relação ao fosfato (principal causador de algas filamentosas) é eliminado por plantas. Existem também removedor de cobre que são usados após o tratamento com sulfato de cobre no tanque.
II - Manutenção em Aquários de Água Doce
Os aquários de água doce são fáceis de serem mantidos, mas necessitam manutenção periódica para não terem perdas significativas na qualidade de sua água. Basicamente, devemos mensalmente, ou quando necessário, efetuar trocas parciais de cerca de 30% do total da água, e, dependendo do sistema de filtragem, efetuarmos sifonagens.
Trocar o refil dos filtros externos mensalmente e efetuar uma manutenção nas bombas de movimentação. Só isso! Nunca, eu repito, NUNCA, mais uma vez para gravar bem NUNCA faça aquelas tradicionais lavagens de aquário dos domingos de manhã, que sempre causam aquelas desavenças com esposas, mães ou qualquer membro hierárquico superior de sua casa por você ter espalhado água na casa toda. Isso dá um trabalho lascado e simplesmente acaba com a formação e equilíbrio biológicos do aquário.
Se você fizer as trocas parciais, trocar os refis, não superlotar seu aquário, não terá problemas com excesso de sujeira.
A troca parcial de água, retira uma água suja (no caso das sifonagens) e desgastada e repõe uma água totalmente renovada, com elementos importantes na composição da química da água. Além disso, ajuda a manter baixa a dureza da água.
III - pH
O pH é medido em escala logarítmica de 1 a 14. Nos aquários de água doce, a média é o pH neutro. Mesmo os peixes que gostam de água mais ácida ou alcalina irão se adaptar bem a um pH neutro, com exceção dos ciclídeos africanos. Por isso, é recomendada a manutenção deste valor em aquários comunitários.
A tendência do pH é ir baixando conforme o aquário vai ficando mais velho. Isso devido ao acúmulo de detritos e dos gases produzidos no processo biológico. Se fizermos uma manutenção adequada (sifonagens, trocas parciais e trocas de refil do filtro externo), o pH se manterá estável mais facilmente. Mesmo assim, existem no mercado, produtos chamados tamponadores (buffers) que ajudam a manter níveis estáveis. Convém fazer testes de KH para se saber se há ou não necessidade de usar tamponadores.
IV - Alimentação
Pasmem, em 95% os casos de aquaristas que tem problemas com seus tanques de água doce, a causa é o excesso de alimentação.
Nos aquários, costumamos alimentar 1 vez por dia. Ocorre que muitos viram o pote de comida no aquário, permitindo que sobre alimento. O alimento que sobrar irá apodrecer e adivinhem o que irá acontecer? Bactérias e Fungos irão se reproduzir com muita rapidez contaminando a água e afetando os peixes.
Casos de excesso de alimentação menos graves, os aquaristas também podem ter problemas com infestações de bactérias e parasitas, mas principalmente com o equilíbrio do tanque de maneira geral. Portanto, a alimentação é muito importante, mas deve ser dosada de maneira muito consciente.
Varie o máximo que puder os tipos de alimento ministrados aos seus peixes. Artêmia (desde que tratada adequadamente), Flocos dos mais variados sabores (eu prefiro os da Tetra), blood worm congelado ou seco, dietas congeladas, etc, são boas pedidas, mas sempre sem deixar sobrar! Pode-se alimentar até 3 vezes ao dia, mas sem sobras e com consciência.
V - Plantas
A maior parte das plantas vendidas hoje no mercado, morre em menos de 2 meses nos aquários convencionais. Isto ocorre porque estes aquários não são projetados para desenvolver estes vegetais. Aquários de plantas são diferentes e devem conter um substrato fértil (não filtro de fundo), um recurso de injeção de CO2 e uma boa iluminação. São simples de manter, embora um pouco mais trabalhosos que os convencionais, mas o visual é inigualável.
VI - Temperatura
É um ponto importante. Não se deve ter um aquário sem um bom termostato. Recomendo a peixes comunitários a manutenção de uma temperatura média de 26 a 28 graus. Com esta temperatura intermediária, mantemos um bom nível de metabolismo de nossos peixes e um equilíbrio satisfatório em nossos aquários. O problema são as variações bruscas. Se a temperatura cair de 28, 30 graus para 23, fatalmente teremos problemas com íctio em nossos aquários. Por isso, mantenha um bom termostato com bom controlador de temperatura ligado o tempo todo com ponteiro indicando 26 graus, por exemplo.
Apostila usada nos cursos de aquarismo de água doce de 1998 |
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O Aquarismo Mitos e realidades
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O aquarismo, não se sabe por que, carrega, especialmente aqui no Brasil, diversas lendas a seu respeito ao longo dos anos. Particularmente, acredito que isso se dê devido à falta de informação generalizada e também pela criatividade do brasileiro.
Neste artigo, tentarei esclarecer alguns pontos que poderão auxiliar, especialmente os profissionais interessados em não propagar falsas informações, e principalmente interessados em divulgar e propagar mais o aquarismo.
Aquário dá muito trabalho. Só quem tem muito tempo é que pode ter um aquário em casa.
Quem pensa assim, obviamente não tem a menor noção do que é um aquário de verdade, e muito provavelmente, se teve aquário, o mesmo nunca funcionou direito.
O trabalho que um aquário dá se limita a :
1 - trocas parciais uma vez por mês, cerca de 30% do total, acompanhados, dependendo do sistema de filtragem, de sifonagem (aspiração do cascalho).. Claro que existem exceções como os aquários dos peixes Discos, onde estas trocas devem ser feitas 2 vezes por semana, mas via de regra, com uma troca parcial de 30% ao mês é suficiente. Gasta-se , com cada troca, cerca de 10 a 30 minutos, dependendo do tamanho do aquário. Mesmo assim, existem empresas que prestam este tipo de manutenção por preços bem razoáveis.
2 - Alimentar todos os dias. Pode-se alimentar de 2 a 4 vezes ao dia, mas de maneira correta. Excesso de alimentação acaba com o aquário. Gasta-se com isso no máximo 5 minutos por dia.
3 - Limpar o vidro. Usa-se um imã, onde não se molham as mãos e consegue-se limpeza interna e externa. Gasta-se com isso de 5 a 10 minutos. A frequência depende muito de aquário para aquário. Os de água doce, em geral, requerem limpeza quinzenal. Os de água salgada, semanal ou no máximo 2 vezes por semana.
4 - Adicionar suplementos. Normalmente precisamos usar alguns suplementos na água, em especial em aquários de plantas aquáticas ou de água salgada. Seguindo a recomendação de cada suplemento, devemos estipular os dias corretos de dosagem. A dosagem de suplementos varia de aquário para aquário, mas nunca leva mais de 2 ou 3 minutos na dosagem.
5 - Limpeza dos filtros. Normalmente fazemos isso quando efetuamos a troca parcial mensal. É um trabalho muito simples que pode levar menos de 1 minuto para fazer. Normalmente os filtros possuem refís, e ao aquarista, basta trocá-los. Em aquários de água salgada, o único filtro existente deve ser o skimmer. Neste filtro, basta uma limpeza do copo receptor. Esta tarefa nunca leva mais que 5 minutos.
6 - Verificação geral - Uma olhadinha nas condições gerais dos peixes, do aquário como um todo e eventualmente alguns testes podem ser feitos. Esta tarefa, na verdade, é a de contemplação, ou seja, não pode nem ser considerada tarefa, mas sim, parte da curtição do hobby.
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Todos os meses eu tenho que lavar o aquário.
Nunca, eu repito, nunca, em hipótese alguma, devemos lavar o aquário todo. Aquela história de tirar toda a água, peixes para lavar pedras, vidros e bombas simplesmente não existe. O aquarista que fizer isso, está fadado ao fracasso, ou simplesmente arriscando a vida de todos os habitantes do tanque. Isso porque um aquário para atingir um bom nível de "maturação" leva em média 6 meses. Toda vez que desmontamos um aquário, todo o período que levou até a maturação do aquário é perdido, e deve-se recomeçar tudo de novo. Isso cria uma instabilidade que pode proporcionar o caos no aquário, especialmente se o mesmo for bem habitado.
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Para evitar estas limpezas desastrosas, medidas como , alimentar corretamente, sifonagens (aspirações seguidas de trocas d'água) mensais, um bom filtro externo - em aquários de água doce, ou um skimmer eficiente - em aquários de água salgada - e evitar a superpopulação são os métodos corretos.
Aquário de água doce dá muito menos trabalho que um aquário marinho.
Está aqui um bom exemplo de má informação, principalmente a respeito de um aquário marinho.
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Um bom aquário marinho, é sim, entre 3 a 8 vezes mais caro que um aquário de mesmo tamanho que seja marinho, mas em relação ao trabalho, dependendo da configuração, um aquário de água doce chega a demandar de 3 a 4 vezes mais tempo de manutenção que um aquário de água salgada.
Podas nas plantas, trocas parciais duas vezes por semana no caso dos discos, controle de pH e KH no caso do uso de CO2 para plantas, etc... são alguns exemplos.
Um aquário marinho, é sim, muito mais caro, mas normalmente demanda o mesmo tempo de manutenção que um aquário de água doce.
Peixe é assim mesmo. Morre a toa. Morreu, tem que comprar outro. Se não fosse assim, as lojas não conseguiriam ganhar dinheiro.
Esta sim, é, seguramente, a maior asneira que alguém poderia falar a respeito do aquarismo, seja ele marinho ou de água doce. Peixes podem permanecer vivendo muito bem por anos e anos. Dependendo da espécie, podem ficar em nossos aquários por mais de 10 anos.
Se os peixes estão morrendo com freqüência, é porque o aquário é uma porcaria digna ir voando para o lixo, ou ao menos, é sinal que o aquário precisa de uma revisão no conceito.
Muitos são os motivos para que os peixes morram com freqüência, e 95% destes motivos são causados por falta de informações precisas na hora da montagem. O peixe é um animal sensível e seu organismo exige algumas coisas. Limpeza e oxigenação são as duas exigências principais. Por isso, cuidados na forma de alimentar, filtros eficientes e manutenção adequada resolvem estes problemas.
No caso de loja, sempre há ganho quando o cliente fica satisfeito. Mais clientes serão indicados, mais aquários serão vendidos, e, por conseqüência, serão vendidos, mais peixes, alimentos, etc...
Isso aqui na minha loja não vende.
Muitos lojistas perdem muito dinheiro porque acreditam piamente nesta afirmação. Se não vende é porque o lojista não tem para oferecer. Alimentos importados, de qualidade, filtros modernos, lâmpadas especiais e novidades em geral, devem estar sempre a disposição do cliente. Aquaristas gostam de novidades, e estão sempre correndo de loja em loja. Uma loja de aquário é considerada boa quando está sempre trazendo novidades, e nunca deixando faltar na prateleira produtos de qualidade. O baratinho também deve estar na prateleira, mas se ganha dinheiro e clientes mesmo é nos produtos especiais e de qualidade. Por isso, nunca deixe de investir na sua loja, trazendo estes produtos novos e peixes mais caros e exóticos.
Sérgio Gomes - Matéria publicada na revista Pet Mazgazine - Agosto 1999 |
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Manual de Instruções de seu Aquário - Filtro Biológico de fundo
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Um aquário não é apenas um recipiente de vidro com pedrinhas, plantinhas e bombinhas dentro. Trata-se de um micro mundo, um microcosmo mesmo. Este mundo depende exclusivamente de você para ir bem ou mal. Podemos dizer que os aquaristas são "deuses" de seu aquário e não simplesmente donos, tal a dependência que este pequeno mundo tem de seu proprietário.
O objetivo de qualquer aquarista deve ir muito além do desejo de manter vivos os animais por muito tempo. O principal objetivo de qualquer aquarista que se preze deve ser manter os animais como se estes estivessem na natureza. É o mínimo que podemos fazer quando sabemos que os colocaremos em um ambiente de espaço limitado e instável.
Se estes animais estivessem na natureza, estariam em um ambiente de espaço ilimitado, certamente correndo menos riscos e muito bem alimentados.
Importante: Nunca se esqueça. Estamos falando de um aquário de água doce, destinado à manutenção de peixes variados e compatíveis entre si com sistema de filtragem biológica de fundo (UGF - Under Gravel Filter) . É importante saber disso, pois quando for atendido por um lojista, ele irá lhe fazer esta pergunta para que seja possível um atendimento melhor e mais adequado. Você deve saber que seu sistema de filtragem é um tanto quanto limitado e , dependendo do ponto de vista, um tanto quanto arcaico, mas funciona perfeitamente bem, se a manutenção correta for efetuada e se você possuir os equipamentos adequados para o sistema. Lembre-se que nada o impede de mudar o sistema de filtragem no futuro, ou mesmo adquirir equipamentos mais modernos. Encare este seu aquário como um bom aprendizado. O primeiro passo para que se torne um excelente aquarista.
Montando o Aquário
Seu aquário deve possuir:
- Filtro Biológico - placas pretas furadas e encaixáveis de tamanhos variados
- Tubos pretos ou transparentes conectáveis
- Bomba(s) Submersa (s) ou Compressor de ar
- Cascalho
- Plantas artificiais
- Enfeites plásticos ou cerâmicos (opcional)
- Pedras grandes de decoração (opcional)
- Calha de iluminação
- Lâmpada (s)
- Termômetro com ventosa para fixação
- Termostato/aquecedor (opcional no ato da compra do aquário, mas obrigatório no inverno)
- Tubo de Tetra Aquasafe
- Filtro Externo (opcional no ato da compra do aquário, mas indispensável para um aquário perfeito).
- Sifão (opcional de compra imediata, mas obrigatório para manutenção periódica)
- Teste de pH, corretivos acidificantes e alcalinizantes (opcional de compra imediata, mas obrigatório para que se saiba o pH e que haja um controle)
Para montá-lo, comece pelo cascalho. Lave bem todo o cascalho em um balde ou bacia, de preferência sem prévio uso, ou que não tenha sido usado produtos de limpeza como detergente, por exemplo. Deixe a água da torneira encher este balde onde já está o cascalho, esfregue e despeje a água fora. Repita a operação várias vezes, até que você perceba que a água agora permanece limpa, mesmo que você esfregue.
Em seguida, monte o filtro biológico conectando as placas pretas por todo o fundo do aquário. Não tem importância se uma parte do aquário ficar sem placas.
Você notará que, dependendo do tamanho do aquário, haverá uma, duas ou três destas placas que apresentarão um redutor (uma placa-torre). Esta placa diferenciada serve para que você encaixe os tubos pretos. É por aí que a água vai sair. Coloque então os tubos pretos até uns 10cm da superfície. Coloque a(s) bomba(s) sumbmersa (s) na superfície deste tubo.
No caso de compressor de ar, coloque os tubos até quase a superfície. Passe a mangueira transparente pelo furo da peça chamada "cotovelo". Então prenda a pedra porosa na ponta da mangueira e encaixe o cotovelo na ponta da torre. Certifique-se que a pedra porosa presa à mangueira esteja próxima ao fundo do aquário, mas não encostada no fundo. Uns 3 a 4 cm seria o ideal. Prenda a outra ponta da mangueira ao compressor de ar. Note que este sistema de compressor de ar é arcaico e extremamente barulhento. Quando puder, compre uma bomba submersa e guarde o compressor para ser usado em algum ornamento que use bolhas.
Agora, despeje o cascalho no aquário. Cuidado! Faça isso lentamente evitando deixar os pedriscos baterem no vidro da frente ou mesmo cair com muita violência sobre as placas pretas. Você pode usar um saco plástico ou uma tigela para amortecer o impacto do cascalho. Ajeite com a mão o cascalho no fundo do tanque para que não fiquem elevações disformes. Normalmente, costuma-se fazer uma espécie de uma rampa, ou seja, mais cascalho no fundo e menos cascalho na frente, mas isso não é relevante.
Pegue a mangueira de água e comece a encher o tanque lentamente. Quando o nível da água atingir o meio do tanque, dê uma olhada na água. Se estiver muito turva, retire esta água e encha o aquário novamente. Ou então, com o uso de suas mangueiras, permaneça por alguns minutos enchendo e esvaziando o aquário. Assim você elimina o excesso de detritos e a água fica cristalina.
Ainda com a água pela metade, "plante" as plantinhas artificiais ao seu gosto e coloque as pedras grandes e troncos (opcional).
Plantadas as plantinhase colocados os objetos de decoração, passe a encher novamente o aquário.
Evite comprar plantas naturais, pois este sistema não é adequado para elas.
Quando a água atingir a faixa de até 3 cm antes da superfície, ligue as bombas à tomada, não sem antes verificar a voltagem.
Posicione o filtro externo atrás do tanque e ligue-o à tomada. Certifique-se que o refil está colocado no local apropriado dentro do filtro.
Marque a temperatura desejada em seu termostato. Para peixes tropicais, a média é de 28 graus. Alguns termostatos não possuem o sistema de temperatura programável e necessitam de regulagem. Se este for o caso, fale com um lojista pedindo explicações.
Ajuste seu termômetro em um local visível para você, colando a ventosa em uma das paredes do aquário.
Coloque as tampas de vidro no aquário e posicione a calha de iluminação (se houver) com a lâmpada devidamente acoplada e testada. Pode acender a luz.
Existem 3 tipos básicos de iluminação para aquários. O mais comum e econômico seriam as lâmpadas incandescentes, normalmente de 15W. O segundo método seria os tubos fluorescentes, que, sem sombra de dúvidas são mais bonitos e eficientes, mas não cabem em qualquer aquário e são um pouco mais caros. O terceiro método, é o das lâmpadas PL, que são econômicas e iluminam muito mais que as lâmpadas incandescentes comuns. Usam o mesmo bocal das incandescentes, mas produzem luz fluorescente. É a grande sensação do momento, especialmente para aquários pequenos, pois são econômicas, muito duráveis, produzem um visual belíssimo e são facílimas de instalar.
Verifique se tudo está ao seu contento. Se quiser, a qualquer momento poderá adicionar mais plantas, mas enfeites ou mudar a decoração das pedras grandes, se houver. Cuidado apenas para não transbordar o aquário ao colocar o braço dentro dele. Deixe uma margem de segurança no nível da água. Além disso, sempre lave bem as mãos antes de colocá-las na água do aquário.
Pingue agora a dosagem recomendada de AquaSafe em seu aquário. Lembre-se : A dosagem indicada é de 5 ml para cada 10 litros de água doce. Isso ajudará a equilibrar o seu pH, a eliminar alguns elementos tóxicos da água, elementos estes que vêm com a água de torneira como cloro, cobre, e metais pesados.
E agora?
Bem, agora vem a parte mais dolorosa do aquarismo. Esperar.
Todos reconhecemos o quanto é duro ficar esperando o aquário "maturar" , mas é importantíssimo que você tenha paciência, pois seu aquário ainda não tem condições de receber habitantes.
O motivo é simples. O principal objetivo do aquarista é desenvolver bactérias benéficas. Estas bactérias nascem e se reproduzem em nosso aquário e são as principais responsáveis pela filtragem do aquário. É isso mesmo! São bactérias benéficas. Elas levam um tempo para se reproduzir e proporcionar segurança aos nossos habitantes. Em geral, demoram cerca de 6 meses para proporcionar o que chamamos de equilíbrio total.
Ah, sim, certamente a estas horas, algum aquarista já caiu de costas ou já deu um murro na mesa, xingou o cachorro, mandou a esposa parar de falar, e muito provavelmente já xingou a mãe do dono da loja de aquário, mas calma! O fato de levar 6 meses para um aquário atingir o equilíbrio pleno, não significa que você precise esperar todo este tempo para colocar o primeiro peixe. Em geral, uma semana é suficiente para que comece a colocar os primeiros "hóspedes".
Ah, agora sim... O aquarista já se levantou, colocou Enya ou Kenny G no som, afagou o cachorro, deu um beijo na esposa, exclamou que o dia está lindo e abençoou todas as mães do nosso país, mas calma! Não é porque é possível colocar peixes no aquário com aproximadamente uma semana, que você vai sair por aí comprando peixes desenfreadamente. Você colocará 2 ou 4 peixes, dependendo do tamanho do aquário e da espécie escolhida. Um vendedor da loja de aquários saberá lhe oferecer as melhores opções. Após mais uma semana ou 15 dias você, provavelmente poderá colocar mais 2 ou 4 peixes.
Se você tiver pressa, existe um produto que pode ser bastante útil. Chama-se Bactozym. Com ele você pode colocar peixes em 24 horas se quiser. Vá em www.aquariumbr.com.br/tetra para saber mais detalhes sobre o produto.
Para saber quando é hora de colocar os primeiros peixes em seu aquário, é preciso que você faça alguns testes. São eles:
pH - É o peso do hidrogênio. Basicamente você precisa saber que ele pode ser ácido, neutro ou alcalino. 7.0 é neutro. Acima disso é alcalino e abaixo é ácido. Os níveis comuns em aquários novos são 7.4, 7.2. Em aquários mais velhos, onde a tendência é de queda, o normal é 6.8. O ideal em um aquário comunitário é manter um pH de 7.0 ou algo próximo disso. No começo o pH é sempre mais alto, o que é comum. Por isso, os primeiros peixes devem ser tolerantes a um pH elevado. Os testes de pH são bem simples de fazer, mas pode ser que o aquarista deseje algo mais simples e preciso para medir seu pH. Se este for o desejo do aquarista, basta adquirir um medidor eletrônico digital de pH que lhe dá o pH exato 24 horas por dia. Trata-se do medidor de pH Pinpoint. É conveniente levar logo para casa um teste de pH, um acidificante e um alcalinizante para qualquer correção eventual. Antes de receber os primeiros habitantes, por exemplo, convém colocar uma dosagem de acidificante para baixar um pouco o pH.
Amônia - É um elemento tóxico. Se houver no aquário, significa que há algo errado com a filtragem biológica, ou excesso de alimento, ou que há peixes demais, ou que sistema é novo ou insuficiente, ou simplesmente que o aquário é novo demais e não é hora de colocar peixes. Você deve ter sempre a mão um teste de amônia. Se estiver alto, não coloque peixes pois você poderá perder todos em poucos minutos. Se você já tiver peixes e o teste acusar amônia, de pronto aumente a circulação da água, ou coloque ar nas bombas de circulação. Se possível, compre um produto para neutralizar a amônia, como Ammo Ease, ou Ammo Lock. Se não dispor dos produtos em questão, faça trocas de água de 30% diariamente, mas cuidado com o pH da nova água, pois a amônia é mais tóxica quando o pH é maior. Corrija o pH da nova água antes de joga-la no aquário. Posteriormente, procure as causas dessa subida de amônia. Nível ideal = 0.
Nitrito - Outro elemento muito tóxico. Testes periódicos são bem vindos, especialmente antes ou depois de colocar novos peixes ao sistema. Assim como a amônia, se aparecer, devemos aumentar a circulação do aquário, colocar ar nas bombas, efetuar trocas de água e verificar as causas do mesmo. Muito comum em aquários novos ou que sofrem com excesso de peixes e/ou alimento e ainda alimento de má qualidade.. Nível ideal = 0
Nitrato - Praticamente não tóxico aos peixes de água doce. Pode trazer alguns problemas se encontrado em concentrações absurdamente altas. Recomendado o teste em aquários mais antigos. Dificilmente aparecerão altas concentrações deste elemento em aquários com manutenção bem feita. Níveis ideais = entre 0 e 50ppm
Dureza Geral (GH)- É a quantidade de sais que existe na água. Alguns peixes são particularmente sensíveis a este fator, como os discos , por exemplo. Outros peixes não sofrem influência deste fator. O fato é que quase todos os animais se dão bem em água mole, exceto, talvez, os ciclídeos africanos. É importante, portanto, que você saiba o tipo de peixe que tem para ter idéia de qual o nível de dureza ideal em seu aquário. Os testes de dureza também são muito simples de serem efetuados, no entanto, se o aquarista desejar algo mais preciso e simples, basta comprar o medidor eletrônico digital de condutividade da Pinpoint. Mede 24 horas por dia e lhe dá uma noção exata da dureza da água.
Dureza Carbonatada (KH) - Conforme o tempo vai passando, pode haver uma tendência de queda do pH. Isso ocorre em geral, devido ao excesso de sujeira acumulada no cascalho, nos filtros ou em qualquer outra parte do aquário. Em alguns casos, o aquarista não consegue manter o pH equilibrado somente com trocas parciais de água, então sugerimos o teste de KH. Este teste mede a quantidade de sais que produzem o efeito tampão, ou seja, que evitam quedas bruscas de pH ou níveis desconfortáveis ou perigosos aos peixes. Níveis ótimos de KH giram em torno de 3o a 5odKH. As trocas parciais periódicas são o melhor recurso para manter estáveis os níveis de KH do aquário, pois a água da torneira, em geral, provém a quantidade necessária destes sais, mas em alguns caos, especialmente para alguns peixes de água alcalina, como ciclídeos africanos, por exemplo, pode haver a necessidade de adicionarmos sais de bicarbonato para elevar os níveis de KH. Para isso existem os tamponadores, que são produtos à base destes sais que produzem o efeito tampão.
Comprando os primeiros habitantes do aquário
É muito importante que você compre seus peixes em um local idôneo com baterias modernas, higienizadas e principalmente com peixes saudáveis.
Para que tome suas próprias decisões na hora de comprar o seu peixe, seguem algumas dicas úteis de como escolhê-lo.
- Verificar a limpeza e aspecto geral da loja - Se a loja for suja, desorganizada, os
aquários mal iluminados, sujos e com peixes mortos à vista de todos, saia correndo! Não há nada que possa interessar a você em um lugar como estes, mesmo que o preço seja muito baixo. Nestes casos, o barato sai caro. Lembre-se que manter a qualidade dos animais, custa dinheiro. Por isso, pagar um pouco mais por um peixe, pode significar estar comprando qualidade e evitando uma catástrofe em seu tanque.
- Verificar a temperatura, pH, e se possível a dureza do aquário - São dados
importantes para que você não corra o risco de levar para casa um peixe totalmente inadequado, ou mesmo para que tome medidas mais cautelosas na hora da soltura.
- Verificar o aspecto geral do aquário onde está o peixe - Aquário sujo, mal
montado, inadequado para a espécie, com peixes doentes são um perigo para
você. Nunca compre nada de um tanque como estes. O risco nunca compensa,
mesmo que o preço seja metade do cobrado pelo mercado. Lembre-se : Em
aquarismo, o que é muito barato, em geral, sai muito caro.
- Verifique a pele e a respiração dos peixes - A pele, ou escamas dos animais
deve ser sempre limpa, sem feridas, manchas ou pintas. Qualquer peixe deve apresentar sempre uma respiração compassada, mas não muito acelerada. Mesmo as espécies mais ativas possuem respiração tranqüila. Pele opaca, respiração ofegante podem ser sinais de estresse e/ou doenças. Fique atento.
- Analise com cuidado o atendimento recebido - Cuidado com vendedores que
tentam fazer com que você compre o maior número de peixes possível. Cuidado também com aqueles que se limitam a pegar o peixe para você. Um bom vendedor deve interessar-se em saber quais as outras espécies que você possui e dar dicas a respeito da compatibilidade entre os peixes e com o seu sistema.
- Se houver um só peixe contaminado no aquário não compre! - Pode ser que seja
um caso esporádico, mas também pode ser o primeiro indício de contaminação generalizada.
- Nunca escolha os peixes pelo preço - Muitos aquaristas andam de loja em loja
atrás dos peixes mais baratos. Esta é a pior maneira de escolher seus peixes. Muitas vezes, um peixe que custe R$ 1,00 a menos que em outra loja, pode lhe dar um prejuízo de R$ 100,00 ou mais se este lhe contaminar o aquário principal e matar seus peixes mais antigos. Na maioria das vezes vale a pena pagar pela qualidade e saúde dos animais.
Mesmo com todas estas precauções, você não está 100% livre de estar levando para casa um peixe doente. Isto porque algumas doenças se manifestam apenas 1 ou 2 dias após a contaminação. Às vezes ainda, o estresse de ser coletado e mudar de água (loja para sua casa) pode debilitar o peixe de alguma maneira, fazendo com que sua resistência baixe e torne possível alguma infestação oportunista. Um aquário-quarentena é sempre bem vindo nestes casos. Só assim você pode ter certeza absoluta que seu peixe não estará entrando contaminado em seu tanque principal.
Mortes sempre acontecem. Infelizmente, mesmo com todos os cuidados necessários, certamente morrerão alguns peixes em seu aquário. Alguns sem motivo aparente. Isso ocorre porque os peixes são criaturas um tanto quanto delicadas e seus órgãos internos também. Vale lembrar que, 95% dos peixes que são vendidos no mercado estão em fase juvenil, e, assim como na natureza, muitos não chegam à fase adulta. Isso faz parte da seleção natural, onde só os mais fortes sobrevivem. Além disso, qualquer animal juvenil, inclusive nós, seres humanos, e principalmente (imagine então), os peixes, são mais sensíveis que os adultos. Espera-se que o aquarista tenha o bom senso de entender isso e que saiba separar mortes esporádicas de problemas com seu aquário ou com o método de manutenção do mesmo.
Algumas espécies são mais sensíveis que outras, e não devem ser evitadas, mas sim compradas apenas com a consciência que seu aquário apresenta condições favoráveis para que esta espécie especial viva perfeitamente bem. Este é o troféu do bom aquarista.
Soltando o peixe no aquário
Um item que pode parecer banal, sem importância, mas que é de fundamental importância para uma boa adaptação do novo habitante ao aquário.
1 - Desamarre ou corte o elástico que prende o saquinho. Evite rasgar ou perfurar o saquinho.
2 - Coloque o saquinho na água com a boca virada para fora. Por enquanto não deixe entrar água no novo aquário. Deixe-o por lá durante uns 5 minutos.
3 - Deixe entrar o equivalente à ½ copo de água dentro do saquinho. Aguarde mais 5 minutos.
4 - Deixe entrar mais uma vez o equivalente à ½ copo de água no saquinho. Aguarde mais 5 minutos. Repita a operação de 1 a 3 vezes dependendo da necessidade de adaptação. Esta necessidade depende das diferenças entre o aquário onde o animal estava e o seu aquário, do grau de sensibilidade do peixe e do seu tamanho. Em média, 15 minutos é um bom tempo p/ adaptação.
5 - Com a redinha, ou com a mão, dependendo da experiência, pegue o(s) novo(s) habitantes e solte no aquário. Jogue a água do saquinho fora. Nunca utilize esta água no seu aquário. Complete o nível do tanque se necessário.
6 - Verifique se seu novo peixe está ou não apanhando. Se estiver, apague todas as luzes, e se necessário, cubra o aquário com um pano escuro para que não passe luz. Deixe o aquário assim por umas 2 horas ou mais, ou mesmo o deixe pernoitar. Ao fim deste período, o novo peixe já terá se acostumado por completo com a água e já terá condições de se orientar no novo ambiente e terá assim, condições de se defender de possíveis agressores. É comum peixes se estranharem logo de início, mas se houver compatibilidade de espécies, a tendência é que acostumem-se uns com os outros sem maiores lesões.
Outra forma de dispersar os animais em caso de briga é jogando alimento no aquário logo após a soltura dos novos habitantes.
Alguns novos habitantes já comem logo de cara, mas outros podem demorar alguns dias para começar a comer.
Manutenções Periódicas
Não se desespere, pois as manutenções em um aquário são bastante simples. A única coisa que despende um pouco mais de tempo são as trocas d'água, mas, ao contrário do que diz a lenda - que temos que trocar toda a água, lavar todas as pedras e escovar tudo para então remontar o aquário - as trocas de água não são tão dramáticas, pois devem ser sempre parciais e nunca totais.
Todos os dias |
Toda semana |
A cada quinze dias |
Todo mês |
Alimentar |
Limpar Vidros |
Fazer Testes |
Trocar a água e trocar
refis do filtro. |
Se você não quer trocar parcialmente a água de seu aquário, existe um produto chamado Easy Balance que prorroga as trocas parciais por até 6 meses. Basta adiciona-lo à água semanalmente. Informe-se com seu lojista.
Alimentar
Mais um item que pode parecer banal e que não mereça atenção especial. Pois é o principal causador de fracassos no aquarismo, especialmente água doce. 95% dos aquaristas que possuem aquários de água doce que não conseguem sucesso são aquaristas que não sabem alimentar seus peixes. Além disso, usam alimentos de qualidade inferior, que poluem a água e não suprem todas as necessidades nutricionais dos animais, deixando-os opacos e sem vida.
Não se trata de alimentar "bem pouquinho" como recomendam os aquaristas menos preparados, mas sim alimentar de maneira adequada e com o alimento certo.
Também não se trata de que os peixes não têm "senso" de quando parar de comer, por isso quanto mais alimentos lhes oferecem, mais irão comer.
O que ocorre é que, os peixes, têm por instinto a busca ininterrupta por alimento. Este instinto existe porque na natureza, o alimento, embora abundante, é sempre disputado, nem sempre muito fácil de ser conseguido e os animais precisam gastar muita energia para encontrá-lo. Nadam quilômetros, gastam muita energia, e por isso estão sempre "com fome". No aquário, os instintos são os mesmos. Reparem que a maioria dos peixes fica atrás de comida o tempo todo. Cabe ao aquarista dosar este alimento não só na quantidade, mas na forma de alimentar e também na qualidade.
A melhor maneira de fazer isso é chegar à frente do aquário e fazer algum barulho característico toda vez que for alimentar, como por exemplo, bater com o pote de alimento na borda do aquário, ou bater com o dedo na tampa de vidro, ou mesmo mostrar o pote de comida aos animais. Todos, como o passar do tempo, ficarão excitados quando você repetir o ritual de alimentação e já ficarão de prontidão aguardando você jogar o alimento. Jogue apenas uma pitada mínima de alimento. Você verá que todos estarão ali para disputá-lo. Agora jogue duas pitadas mais generosas, uma em cada ponto do aquário. Nunca permita que esta pitada seja grande o suficiente para espalhar alimento pelo aquário. Os peixes têm que consumir o alimento em menos de 1 minuto a cada pitada. O alimento não se espalha demais e nunca chega a atingir o fundo do tanque. Jogue quantas pitadas julgar necessário. Você notará que os peixes já não estão tão vorazes como da primeira vez e demoram mais para acabar com o alimento. Pronto. Está na hora de parar. Eles realmente nunca se satisfazem por completo, mas suas necessidades estão saciadas. Se possível, alimente duas ou até três vezes por dia. O peixe tem que ter um aspecto gordinho... Ligeiramente arredondado mesmo, mas nunca um aspecto "empanturrado". Algumas espécies precisam de quantidades maiores de alimento, mas o procedimento é o mesmo. A única diferença é que você irá repetir mais vezes as pitadas de alimento, aumentando a quantidade total de alimento, mas nunca a quantidade por pitada. Desta forma, todo alimento jogado no aquário é aproveitado. Alimento sobrando no aquário é o caminho mais curto para uma infecção causada por bactérias ou fungos e ainda problemas com pH baixo demais.
Repare apenas em algumas espécies mais lentas e que possam estar emagrecendo. Se isso estiver ocorrendo, pode ser porque os peixes maiores estão comendo e não dando oportunidade, ou intimidando os menores ou mais lentos. Para resolver o problema, basta aumentar a quantidade em cada pitada e espalhar mais o alimento para que todos comam.
Peixes como Corydoras, Cascudos, algumas espécies de Botias entre outros peixes de fundo, podem ter problemas para se alimentar desta maneira. A solução é simples. Existem no mercado diversos tipos de alimento para peixes de fundo. Tetra TabiMin é um exemplo, pois são pastilhas que afundam e dissolvem-se lentamente, alimentando a todos, mas principalmente os de fundo. Tetra Min Granulado é outra forma bastante interessante de alimentar os animais, pois uma parte do alimento fica flutuando e outra afunda lentamente, dando a oportunidade a todos de receber alimentação adequada. Informe-se com um de nossos vendedores
Nunca abra mão da marca Tetra. Eu venho usando há mais de 10 anos, e os resultados, tanto de limpeza do aquário como qualidade dos peixes é incomarável.
Alimentos fabricados no país, infelizmente apresentam qualidade abaixo do mínimo exigido pelos animais. Por isso, não vale a pena comprar alimentos baratos. A diferença de preços entre Tetra e outras marcas é muito pequena, e o custo benefício supera as expectativas. Faça o teste você mesmo.
Limpar os Vidros
Não tem coisa mais simples de fazer no mundo que limpar os vidros do aquário. Isso, é claro, se você tiver a técnica correta para isso. Nunca use : Bom Brill, esponjas para lavar louça ou qualquer outro material que possa causar riscos no vidro. Lembre-se que um risco é para sempre.
Use um limpador magnético de boa qualidade. Sugiro o Mag Float, que além de ser muito resistente, é muito mais leve que os outros e em vez de afundar, se perder o contato magnético, ele bóia.
O limpador magnético limpa o vidro tanto por dentro como por fora de maneira rápida, simples e segura. A vantagem é que você não precisa ficar colocando a mão e o braço dentro do aquário. A rapidez é outra vantagem.
Limpe os vidros uma vez por semana, tendo ou não algas aparentes. Se você fizer isso, não nascerá aquela alga verde que impregna no vidro e não sai nem com reza braba.
Se você for preguiçoso e a alga grudenta aparecer, use um cartão de crédito em forma de lâmina no vidro para limpá-la. Não fique esfregando outros objetos ali. Além de não conseguir removê-la, você corre poderá riscar o seu vidro.
Fazer Testes
No começo do aquário, tudo é festa e alegria. Quanto mais coisas para fazermos, melhor. Nossa vontade é fazer testes, mexer no aquário, colocar peixe novo, por plantas e sifonar o aquário todos os dias.
Com o passar do tempo, há uma acomodação natural, e não queremos que o aquário nos tome tempo demais. Por isso, os testes não precisam ser feitos a cada quinze dias religiosamente. Mas se der para fazer, melhor.
Se não der, faça ao menos uma vez por mês. Um parâmetro errado pode ser corrigido antes de se tornar um problema mais sério.
Trocar a Água e os Refís do Filtro
Agora aquele sujeito mais preguiçoso deve ter se imaginando carregando baldes de água para cima e para baixo, molhando a casa inteira, levando aquelas broncas da mãe ou da esposa. Escutando os mais sonoros, cabeludos e variados palavrões à medida que a molhadeira aumenta. Se junto com a molhadeira ainda quebrar algum objeto da casa então, aí é que o repertório e o timbre da bronca vai aumentando. Só de pensar que terá que limpar tudo quando acabar... Isso porque ainda tem que lavar as pedras, escovar as rochas, limpar os filtros... Hummm que programão heim ?!
Relaxe amigo. Nada disso existe. Ao menos não para o aquarista bem orientado.
A troca de água é sempre parcial. Nunca mais que 30% da água. (em média entre 15 e 30%). A única coisa é que no seu sistema de filtragem, exige-se que seja feita junta com a troca de água, uma sifonagem, ou aspiração do fundo com um aparelho específico chamado sifão.
A operação é simples. Coloca-se o sifão na água, suga-se a água (ou, nos aparelhos mais modernos, agita-se o sifão para a saída da água) e enterra-se o cilindro no cascalho visando aspirar junto com a água, toda a sujeira que estiver depositada no cascalho. Toda esta água é jogada fora. Aspire cerca de ¼ da água do aquário e então pare. Mesmo que não completar toda a extensão do cascalho, você já pode parar. Da próxima vez, começa por onde não conseguiu terminar. Com o tempo você conseguirá dosar o tempo e a área toda do fundo.
Na hora de completar a água em seu aquário, certifique-se que a mesma não está muito fria e que os parâmetros básicos com pH e dureza não estejam muito diferentes da água do seu tanque. Se estiver, é fundamental que prepare-a em uma barrica ou recipiente qualquer (que pode até ser um pequeno aquário) misturando AquaSafe e corrigindo as eventuais diferenças. Se não estiver, com uma mangueira mesmo, complete a água do tanque, jogando AquaSafe para evitar problemas com cloro ou metais pesados, bem como o pH. O ideal mesmo é sempre preparar a água antes, mas, sabemos que na verdade pouquíssimos aquaristas adotam esta prática. Por isso, fica a dica de completar com a mangueira mesmo e AquaSafe.
- Ah, mas eu já troco a água sempre! Quando evapora, eu sempre reponho água
no aquário. Além disso ainda tenho que fazer trocas de água?
Quando água do aquário evapora e completamos com mais água, não estamos
fazendo uma troca de água, mas sim repondo H2O evaporado. Os sais e minerais (coisas boas e ruins) permanecem na água do aquário. As trocas parciais servem para retirar sujeira e uma água já saturada (velha) por uma água nova , limpa e saudável. Na prática, as trocas de água servem para ajudar a manter estável o nível do pH, repor elementos essenciais (elementos importantes no processo biológico exercido pelas bactérias benéficas e no crescimento e desenvolvimento de peixes e plantas) e manter o equilíbrio iônico do sistema (manter todos os elementos químicos em perfeito equilíbrio evitando precipitações desnecessárias e prejudiciais).
Portanto, reposição por evaporação é totalmente diferente de uma troca parcial.
Ainda sobre evaporação, é aconselhável que você complete o nível de seu tanque toda semana. Isso evita riscos desnecessários de ver a bomba do filtro externo ou bombas funcionarem a seco e queimarem. Além disso, nível de água muito baixo, indica desleixo por parte do aquarista.
A troca dos refís é obrigatória, pois é somente quando os trocamos que estamos realizando a real filtragem mecânica.
Nos refís ficam impregnadas as partículas sólidas de sujeira. No entanto, estas partículas, até serem retiradas do contato da água do aquário, ainda fazem parte do sistema. Apenas não estão às vistas do aquarista. Quando jogamos fora um refil velho, estamos jogando fora a sujeira que até então, permanecia no sistema e estava em decomposição. Por isso, alguns aquaristas mais cuidadosos costumam lavar os refís a cada 15 dias ou menos, e trocá-los todos os meses.
Além disso, podemos dizer que o carvão ativado (filtragem química) expira em cerca de 15 dias. Por isso, na troca, estamos repondo carvão novo no sistema.
DICA : Uma boa dica é usar sempre um pouco mais de carvão ativado no seu filtro externo. Use uma meia de mulher, algum outro tecido fino ou ainda nosso exclusivo saquinho para resinas para colocar o carvão no filtro. Coloque-o na parte livre que fica entre o refil e o local onde a bomba do filtro deságua. Coloque-o somente 15 dias após o ligamento do filtro. Troque o a cada 30 dias. Desta forma, quando o carvão do refil estiver expirando, você estará entrando com carvão novo. Quando o carvão extra estiver expirando, você entra com carvão novo do refil. Desta forma, sempre há carvão ativado ainda em atividade dentro de seu sistema.
Além dos procedimentos aqui descritos, deve-se saber que a cada 4 ou 6 meses convém limpar o rotor das bombas propulsoras de seu tanque. O processo é extremamente simples, mas consulte um de nossos vendedores para saber como proceder.
Pronto. Esta é a manutenção necessária ao seu aquário.
No começo, gastam-se cerca de 20 a 30 minutos no máximo por mês. Com a prática, consegue-se reduzir e muito este tempo de manutenção.
Gastos
Os gastos para manter seu aquário são pequenos. Basicamente você precisará comprar alimentos, AquaSafe para as trocas e reposição por evaporação, os refís do filtro externo e os peixes que habitarão seu aquário.
As lâmpadas de seu aquário duram anos, mas o espectro luminoso vai mudando com o passar do tempo. É recomendável a substituição das lâmpadas de seu aquário uma vez por ano.
O limpador magnético, com o tempo também tem um certo gasto. Não se tem uma previsão exata, mas verifique sempre se seu limpador está em ordem. Assim você evita riscos no vidro.
Se nada quebrar com o passar do tempo, estes serão os únicos gastos que você terá com seu aquário.
Como puderam ver, aquários são para qualquer tipo de pessoa. Desde as mais ocupadas e com o menor tempo disponível de dedicação, quanto para aquelas que procuram um divertimento e distração para os horários livres.
Aquarismo não é só um hobby interessante. Aquarismo é diversão, cultura e respeito pela natureza. Pratique e divulgue o aquarismo saudável. Vale a pena!
Sérgio Gomes |
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Botias - Os esfomeados limpa - fundos de luxo
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Os Botias - como são comumente chamados - possuem hábitos tímidos e eventualmente agressivos, mas sem dúvida são considerados uma das famílias de peixes mais belos que podemos manter em nossos tanques.
São conhecidos também por sua boa resistência e fácil adaptação a novos aquários.
Algumas espécies possuem suas origens em localidades de pouca incidência de luz, daí o hábito de procurarem locais escuros e atrás de rochas ou peças de decoração. Esta sensibilidade à luz faz com que muitas pessoas evitem comprar estes animais pois alegam só as verem quando as soltam no tanque ou quando fazem manutenções periódicas.
Na verdade nem todas as espécies possuem este hábito. Além disso, há alguns anos temos notado uma maior adaptação em relação à luz e um tempo de permanência em exposição maior destes peixes mesmo nos casos de espécies mais sensíveis. Isto talvez pelo fato das inúmeras gerações criadas em cativeiro sob incidência de luminosidade e presença de aquaristas por perto.
Necessitam de boa e variada alimentação para crescer e desenvolver suas variadas cores, além de preservarem-se saudáveis, pois temos notado que emagrecem muito rápido, ficando suscetíveis a todo tipo de doenças. Você sabe que nunca devemos exagerar na alimentação sob risco de termos sérios problemas com os mais diferentes tipos de doenças, mas saiba distinguir alimentar bem e alimentar demais. Uma ótima sugestão de alimento para estes peixes é o Tetra Discus. O TabiMin também é uma boa, mas apenas quando estes peixes estão bem pequenos. Os Botias já ambientados também comem alimentos em flocos. Artêmia e blood worms são muito bem vindos para estes peixes... Eles adoram também o Fresh Delica.
Os Botias podem viver em grupos, mas quando vão atingindo a fase adulta podem se agredir por disputas por território, liderança ou alimento.
Não há até o momento qualquer informação de criações destes peixes no país, por isso são considerados peixes um pouco mais caros que os nacionais.
Em geral, apresentam dois espinhos, um em cada lado das guelras, que usam para se defender. São mais salientes em fases mais adultas e podem enroscar e rasgar algumas redinhas ou furar a mão de um aquarista menos avisado.
Lendas...
Há uma lenda no mercado nacional que prega que peixes de fundo como as Corydoras, os Cascudos, e mesmo os Botias limpam o fundo, dispensando em alguns casos a pratica da sifonagem (aspiração do fundo) para a manutenção do tanque. Há até pessoas que nunca limpam o fundo do tanque por medo de retirar todo o alimento destes peixes. Pura baboseira! Jamais um peixe será capaz de limpar o fundo de um tanque a ponto de dispensar sifonagens e trocas parciais de água. O máximo que podem fazer é comer algumas algas (cascudos), restos de alimento e algum tipo de elemento orgânico que esteja pelo fundo, mas nunca a ponto de eliminar a sujeira de um tanque.
Para uma melhor nutrição e aproveitamento dos alimentos por parte dos peixes de fundo, procure nas lojas um tipo de alimento próprio para este fim (TabiMin). São pequenas pastilhas que afundam e se dissolvem aos poucos, alimentando-os de maneira satisfatória, mas muito cuidado! Se colocado em excesso, ao dissolver-se, suas partículas vão para o meio do cascalho não sendo alcançadas pelos peixes e acabam contaminando a água do tanque. Se possível, coloque estas pastilhas sobre alguma rocha ou material de decoração.
O ideal mesmo é usar um cascalho mais fino no fundo para evitar que restos de alimento fiquem em locais onde os peixes não podem alcançar.
A seguir alguns comentários sobre algumas espécies mais comuns de Botias.
Botia macracantha
Sem dúvida o mais famoso do gênero tanto por suas magníficas cores quanto por seu comportamento atrevido, pois de todas as espécies, esta é uma das mais sociáveis e que mais se expõem para nós aquaristas.
Parece que não se incomodam muito com a luz e não ficam limitadas a passear apenas pelo fundo do tanque ou ficar entocadas durante o dia. São bastante rápidas e ariscas, mas se atrevem a comer na superfície disputando alimento com os outros peixes do tanque. Possuem um apetite insaciável e geralmente são pacíficas, porém, em alguns casos, são territoriais chegando a desferir esporádicos "chega pra lá" nos intrusos. Por este motivo, evite adicionar ao tanque já habitado por um Botia macracantha, peixes lentos e muito menores que eles, principalmente em aquários pequenos.
São também conhecidas pelo nome Botia Palhaço devido as suas listas pretas e sua coloração laranja.
Quando adultas tendem a ficar mais escuras e bastante "roliças".
É muito difícil distinguir o sexo desta espécie, mas acredita-se que as fêmeas apresentam a região abdominal mais avantajada e arredondada.
Já tive casos onde diferenças marcantes, especialmente na grossura das listas, barbatana dorsal e caudal foram notadas, dando a entender que estas diferenças eram sexuais, especialmente pelo fato dos peixes assumirem um comportamento parecido com o ato sexual. Os peixes tremiam e esfregavam-se e pareciam estar fazendo a corte. Mas nunca percebi qualquer desova ou sinal de reprodução.
Possui origem em Sumatra e Borneo, gostam de temperaturas em torno de 26 graus, água muito limpa e bem movimentada e com pH em 7.0, e podem em casos de excepcional tratamento atingir 25 a 30cm de comprimento.
Botia modesta
Possui o corpo azulado e caudas vermelhas, mas em alguns casos, algumas remessas apresentam colorações adulteradas e fosforescentes a base de corantes aplicados na pele.
Possuem comportamento muito mais tímido que as macracanthas, e também um pouco mais agressivo, mas não pode ser considerado um peixe não-sociável, pelo contrário. Apenas devemos evitar peixes menores após sua chegada ao tanque e aquários pequenos. Devemos proporcionar a estes peixes alguns esconderijos e tocas para que se sintam mais a vontade, e, em alguns casos, este peixe ficará nestes esconderijos a maior parte do tempo, saindo apenas para saciar sua gigantesca fome. Já presenciamos casos onde estes peixes atacam outras espécies de peixes arrancando-lhes os olhos. Isto ocorre com mais freqüência quando sua fome não é completamente saciada pelo aquarista, e quando a dieta é fraca em proteínas. Mais uma vez o Tetra Discus e o Fresh Delica são alimentos muito recomendáveis.
Mas não se trata de um peixe que deve ser evitado, apenas suas necessidades devem ser respeitadas. Possui uma bela aparência e não costuma atacar por pura agressividade, mas muitas vezes por fome. Excelente para aquários grandes com belos e sofisticados peixes.
Provém de algumas regiões do continente asiático, gosta de temperatura por volta dos 26 graus, água mole, pH 7.0, e boa movimentação de água. Chega a atingir 15cm em condições excepcionais de água.
Botia morlete
Não apresenta os atrativos das espécies anteriores, mas trata-se de um peixe muito freqüente nos tanques dos aquaristas mais experientes.
Não é tão tímido quanto os modestas mas também não é tão atrevido quanto os macracanthas. Apresenta em geral comportamento pacífico, mas cuidado com peixes com caudas muito salientes, lentos ou com alguma ferida pelo corpo, pois podem atacá-los para saciar sua também gigantesca fome, apesar de seu tamanho que dificilmente ultrapassa os 6cm, mas podem chegar em condições excepcionais a 10cm.
Assim como os outros Botias, evite colocar peixes menores que ele em tanques pequenos.
São encontrados na natureza na Tailândia, gostam de água mole, limpa e bem movimentada, tocas e esconderijos para se sentirem mais seguros, pH de 6.8.
Botia hymenophysa
Mais conhecido por Botia Tigreeste peixe é muito bonito e popular, embora possua hábitos tímidos e gostar de ficar bastante tempo entocados. É também um esfomeado quando bem adaptado ao tanque, podendo também devorar alguns olhos de espécies albinas, fato relativamente raro mas, não impossível de ocorrer, especialmente quando há carência na alimentação a base de proteínas e tanques pequenos.
Pode atingir em condições excepcionais cerca de 25cm de comprimento, sendo mais comum tamanhos com metade disto.
Em geral não são agressivos e bastante procurados por aquaristas experientes.
Pode ser encontrado na natureza na Tailândia, Singapura, Java, Sumatra e Borneo. Gosta de temperaturas em torno de 28 graus, água, bem movimentada e muito limpa com pH neutro. Cuidado com aquários mal tampados, pois podem encontrar alguns Botias Tigre passeando por sua sala! São exímios saltadores.
Botia lecontei
Muito parecida fisicamente com os Botias modesta, esta espécie não é tão comum quanto as anteriores nem tão atraente, mas é sem dúvida mais barata e atinge geralmente um tamanho menor.
Não é agressiva, não é muito tímida e quando bem adaptada ao novo tanque passa a apresentar tonalidades mais fortes e passa a ser um peixe bem atraente.
Assim como seus "parentes", gosta de água muito limpa e bem movimentada, locais de esconderijo e boa alimentação. Prefere um pH em torno de 6.7. Pode ser encontrada na natureza em alguns locais da Tailândia.
Existem algumas outras espécies de Botias bastante atraentes, mas não muito comuns em nosso mercado como : striata, sidthimunki, lohachata, dario, beauforti que de uma forma geral apresentam as mesmas características comportamentais das já mencionadas, apenas com algumas variações como regiões de origem, comportamento mais ou menos tímido e algumas preferências por PH. Provavelmente há uma boa variação de preços entre as espécies.
Espero que à partir de algumas informações aqui descritas você consiga proporcionar uma melhor qualidade de vida para seus Botias.
Sérgio Gomes - Revista @qua - dezembro 1996 /revista Vida no Aquário 1997 |
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Aquários de água doce: É muito fácil ter sucesso!
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Sei que muitas pessoas dominam seu aquário de água doce, e que conseguem manter seus peixes em ótimo estado de saúde por muitos e muitos anos. Mas uma grande parte dos aquaristas se depara com mortes inexplicáveis e em grande quantidade dos exemplares mais variados.
Já ouvi frases do tipo : Tive 2 alegrias com meu aquário. Uma quando comprei e outra quando me desfiz dele.
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Isto ocorre com muita freqüência em nosso país, o que faz com que nosso fantástico hobby não cresça como deveria crescer, fazendo com que não existam grandes investimentos no setor e que não haja expansão do mercado o que facilitaria a vida de todos : Lojistas e Hobistas, pois teríamos melhores equipamentos a custos infinitamente menores além de uma concorrência maior das lojas o que elevaria a qualidade do atendimento aos consumidores.
As causas para o insucesso com a maior parte dos aquários que são vendidos são várias. Entre elas a principal é a falta de informação tanto de lojistas quanto dos hobistas.
Neste artigo, tentarei passar de uma maneira bem simples como consigo sucesso com meus aquários de água doce sem custos exorbitantes e pouquíssimo trabalho.
Existem várias maneiras de montarmos um tanque de água doce para os mais variados objetivos. Por exemplo os tanques para discos, os para plantas, para ciclídeos, etc. Aqui vamos tratar de um aquário comunitário para diversos tipos de peixes e com o sistema de filtros biológicos de fundo por se tratar do mais comum e mais vendido em todas as lojas, embora eu ache que se trata de um sistema obsoleto pois existem melhores como os de areia fluidizada, o de camadas ou até os dry-wets...
MONTAGEM:
Você precisará de:
· Um aquário (é obvio, não?) - note que os tamanhos maiores são mais caros, mas muito mais fáceis de serem mantidos e indicados para iniciantes. Prefira tanques acima de 50 litros para ter uma maior estabilidade e ter espaço para alocar outros equipamentos
· Filtro Biológico - Existem vários tipos de filtro biológico, como já disse acima, mas aqui falaremos de placas todas furadinhas que ficam no fundo do aquário com uma ou mais torres para a colocação das bombas. São placas modulares que se encaixam umas nas outras.
· Bomba(s) Submersa(s) - Antigamente (e em alguns casos ainda hoje) usávamos os barulhentos compressores de ar para movimentar a água e para circular água pelo filtro biológico. Ainda se usavam aqueles filtrinhos com lã de vidro para limpar a água. Por favor, isto é coisa do passado. Hoje (na verdade há muito tempo) temos as bombas submersas que conseguem resultados muito bons sem a barulheira dos compressores. Veja mais adiante porque as usamos e para que servem. Use cerca de 5 a 10 vezes o total do aquário passando pelas bombas, ou seja, para um aquário de 100 litros, usem 1 ou 2 bombas de 500 litros por hora, dependendo, é claro, da quantidade e principalmente da variedade de peixes que você terá no aquário. Pode parecer muito para alguns, mas uma boa movimentação de água é fundamental para aumentar a eficiência do filtro e aumentar a estabilidade do tanque. Mas note: Alguns peixes não gostam de água muito movimentada como os Kinguios, os Lebistes e também os Discos. Procure se informar para o caso de espécies que têm características comportamentais diferenciadas.
· Um termômetro - claro, para medir a temperatura, que deve girar entre 26 e 28 graus.
· Um bom termostato - chega de usar aquecedores e ficar ligando e desligando. Compre um bom termostato que fará isso para você de maneira bem eficiente. São mais caros, mas geralmente apresentam uma qualidade muito superior...
· Lâmpadas fluorescentes - São fundamentais principalmente se quiser ter plantas que durem mais de tempo (lembre-se que este não é o sistema ideal para manutenção de plantas vivas e o máximo que conseguiremos aqui é prolongar a morte das mesmas). Além disso realçam as cores dos peixes e deixam seu aquário com aspecto "limpo" e muito bonito. Para aquário cujo objetivo for a manutenção de peixes, não há recomendação de quantas lâmpadas por litro de água ou centímetro quadrado. Para um aquário de plantas, devemos ter uma boa quantidade de lâmpadas, como 0,5 watts por litro, por exemplo. Quanto ao tipo, eu prefiro as Ultra Tri Lux (são lindas) ou Tri Lux também. Lâmpadas para água salgada também podem ser usadas, como as Trichromatic, 50/50 ou 10000K da Coralife, só que são caras...
· Cascalho neutro - Aqueles chamados pedra rio. Evitem cascalhos coloridos, pois além de serem, em minha opinião, de péssimo gosto, costumam soltar a tintura colorindo a água. Nunca, eu repito, NUNCA coloque mais que 3 dedos de cascalho. Isto dificultaria a limpeza e prejudicaria a perfeita circulação de água entre o cascalho, o que é muito importante. A exceção aqui vai para os aquários de plantas, mas como já disse, estamos abordando aqui um aquário comunitário de peixes.
· Um sifão - aparelho simples que consiste em uma mangueira com um tubo cilíndrico na ponta que serve para aspirar o fundo do tanque para retirar a sujeira que fica depositada entre o cascalho. É talvez uma das peças mais importantes do aquário, embora seja usado apenas uma vez a cada mês aproximadamente.
· Filtro Externo - Esta peça é fundamental e imprescindível para um bom aquário. Não consigo imaginar um tanque sem este aparelho. Veja na embalagem a capacidade do filtro para o tamanho de seu tanque.
· Algumas pedras para decoração - Pedras grandes e neutras. Cuidado com algumas pedras que podem soltar resíduos no aquário ou interferir no pH. Informe-se. Cuidado com troncos. Reduzem o pH e podem soltar resíduos no tanque colorindo água. Evite usá-los a não ser que seu tanque seja destinado a peixes que gostam de pH baixo e saiba exatamente o que está fazendo.
· Algumas plantas - Podem ser artificiais. Existem boas opções no mercado. As naturais podem ser colocadas, mas não sobrevivem por muito tempo com este sistema de filtragem, por isso, não devemos exagerar, e precisamos ficar de olho. Ao morrerem, devem ser retiradas do aquário o mais rapidamente possível.
COMO USAR E PARA QUE SERVEM OS EQUIPAMENTOS
Muito bem, já temos os equipamentos necessários, agora mãos a obra!
Primeiro, montamos as placas do filtro biológico procurando cobrir todo o fundo do tanque, ou ao menos, cerca de 70%. Se usar 2 torres coloque uma em cada ponta, se usar 3, uma em cada ponta e outra no meio, e assim por diante, procurando colocá-las o mais distante possível umas das outras.
Colocamos agora o cascalho que deve ser muito bem lavado antes de entrar no tanque.
- Mas para quê serve tudo isso?
Algumas espécies de bactérias se desenvolverão no cascalho, ou seja, se reproduzirão e irão se fixar na superfície das pedrinhas. Estas bactérias são bem vindas, benéficas e indispensáveis em nossos aquários. Serão as responsáveis pela "transformação" dos compostos orgânicos produzidos em nosso tanque como fezes, restos de comida, etc, tornando assim a água habitável para peixes das mais diversas espécies.
Para se reproduzirem em quantidade adequada e realizarem suas funções de maneira mais eficaz, as bactérias precisam de oxigênio, e para não as sobrecarregarmos, devemos manter nosso tanque o mais limpo possível, o que significa dizer, alimentação na quantidade e qualidade certas e quantidade não exagerada de peixes.
Para oxigená-las é que usamos as bombas submersas que retiram a água sob o cascalho jogando no tanque provocando movimentação na água e desta maneira provendo oxigênio que está no ar. Não há necessidade de bolhas em nossos aquários. A movimentação causada pelas bombas é suficiente.
- Mas e a limpeza? As tais bactérias são suficientes?
Não. Devemos colaborar para que trabalhem bem. Como já disse, alimentação de qualidade e dosada de maneira racional e quantidade moderada de peixes ajudam, mas além disso devemos ter um bom filtro externo e sifonarmos nosso tanque uma vez por mês.
O filtro externo é composto de uma parte onde há um tipo de perlon (ou esponja, dependendo da marca) que é responsável pela retenção de detritos e o carvão ativado que adsorve alguns elementos tóxicos do tanque. É muito importante que se faça uma troca dos refis do filtro uma vez por mês. Além disso, coloquem um extra de carvão ativado. Adquiram uma marca confiável e coloquem em um saquinho dentro do próprio filtro (sempre sobra um espaço exceto nos da marca AquaClear que já vem com quantidade satisfatória de carvão). Se possível, lave este refil a cada 15 dias.
A sifonagem é muito importante. Com o sifão já mencionado devemos aspirar o fundo do tanque,(de preferência todo o fundo) jogando a água fora e então colocar água nova. Isto faz com que retiremos sujeira do tanque mais água velha e adicionamos uma água nova com micronutrientes importantes para o desenvolvimento de peixes e também das tais bactérias.
- Como assim?
Os peixes e microorganismos habitantes de nosso tanque necessitam para sua formação e metabolismo alguns elementos existentes na composição da água. Com o passar do tempo, este consumo acaba esgotando total ou parcialmente estes oligoelementos tornando a água pobre, e, por isso devemos trocar um pouco. Temos também a dureza da água (GH)- que é a quantidade de sólidos existente na água que vai se acumulando com o passar do tempo e tornando-se em altas concentrações prejudiciais aos peixes - e a única maneira de baixá-la é trocando a água.
- Mas eu reponho água quando evapora...
Sim, mas os sólidos continuam lá! Não há troca porque a água que evapora não leva os minerais... Não deixe de fazer trocas. Elas são responsáveis em 70% do sucesso de um tanque por longo tempo. Quanto? 25% - 30% no máximo por vez. Se não der para sifonar todo o fundo com 30% tudo bem. Na próxima troca, comece a sifonar pela parte que sobrou da última vez. Se necessário, você pode fazer uma sifonagem e troca parcial de água mesmo antes de completar um mês.
- Mas se as bactérias estão no cascalho, sifonando o fundo não as tiramos do tanque?
Sim, mas em quantidade perfeitamente recuperável pelo tanque em poucos dias. Não se preocupe com isso. Apenas evite trocar mais que 30%.
Antes de adicionar a nova água no tanque, certifique-se que esta esteja desclorificada (use AquaSafe SEMPRE!!!) e temperatura semelhante à do aquário. Leia "O Aquário de Água Doce sem Mistérios" para maiores detalhes.
Desta forma, com a água e o aquário mais limpos, temos um ambiente mais estável. O pH não cai como nos aquários mal cuidados e não há "prazo de validade", ou seja, o tanque não acaba, não existem mais períodos de mortes incontroláveis e tudo passa a ir melhor. Peixes mais saudáveis, menos dinheiro jogado fora, e aí sim podemos ter até aqueles peixinhos considerados mais caros e delicados.
NUNCA, eu repito NUNCA tire tudo do aquário para lavar pedras e trocar toda a água. Isto é um crime!!! Veja, um aquário para atingir a maturidade absoluta leva cerca de 6 meses. Se trocarmos tudo lavando pedras e etc, teremos uma perda total de nosso equilíbrio e nossas bactérias. Com um bom filtro externo, sifonagem periódicas com trocas parciais e quantidade adequada de peixes e alimento, nunca haverá esta necessidade.
Sei que esta prática é muito comum e muitos aquaristas fazem isso sempre, mas é incorreto, desnecessário e muito perigoso.
Outra coisa comum entre os aquaristas é comprar 10 peixes quando o aquário completa uma semana. ERRADO!!! ARRISCADO!!!
Um aquário não deveria receber peixes antes de 1 mês de vida, e quando receber, a quantidade deve ser muito moderara. Para um aquário de 50 litros, por exemplo, uns 3 ou 4 peixinhos apenas. Após uma semana, se tudo correr bem, mais 2 ou 3... E assim por diante. Muito cuidado na hora de colocar peixes para não causar desequilíbrios que podem prejudicar o sistema todo. Lembre-se : Peixes não são flores que quando morrem é só comprar outras. Peixes são animais que podem viver entre 3 e 70 anos!
Se paciência não é seu forte, existe um produto chamado "Bactozym" que permite que coloque peixes em 24horas. É o ideal? Claro que não. O ideal é esperar, mas com este produto, os riscos e os danos ao aquário são sensivelmente minimizados.
RESUMINDO
Você precisa de :
· - equipamentos adequados
· - manutenção correta e periódica
· - alimentação racional (mas não pouca), de qualidade e bastante variada
· - comprar peixes saudáveis em local onde estes estejam em tanques extremamente limpos e não existam peixes doentes compartilhando da mesma água. Um peixe doente pode arruinar um tanque em questão de poucos dias. Cuidado!
· - Testes de pH, dureza (GH) e amônia são os mais comuns, mas existem outros que também são importantes.
Você não precisa de:
· - Trocas totais de água;
· - Lavagens do aquário;
· - Medicamentos preventivos - Medicamentos devem ser evitados a qualquer custo e usados apenas em casos de emergência. Qualquer medicamento prejudica o aquário. Após usar algum, troque 15% da água e na semana seguinte novamente 15%. Troque o refil e aumente a quantidade do carvão para eliminar resíduos.
DICAS:
Discos, Kinguios, Carpas, Lebistes, Neons, Espadas, Platis, Molinésias, Cilcídeos Africanos, ou sul americanos como Discos, Bandeiras,entre outros são peixes atípicos e possuem características especiais quanto à temperatura, pH, Dureza Carbonatada (KH) e geral (GH) entre outras coisas, por isso, não os recomendo para aquários comunitários, mas sim específicos. Informe-se com seu lojista!
Sérgio Gomes - Maio de 1997
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Entrevistando Sergio Gomes
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Entrevistando Sergio Gomes |
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Muito se fala em popularizar a aquariofilia marinha, todavia os altos preços dos equipamentos repercute em ser um fator limitante. É possível tornar este hobby mais barato, portanto mais acessível?
É sim, mas na minha opinião, popularizar o aquarismo marinho é algo bastante perigoso e deve ser feito de maneira pensada e sensata, e não como é hoje que são vendidos aquários marinhos por R$ 500,00 sem as menores condições de manter vivo animal algum. Acho que popularizar o aquarismo de água doce e plantas é um caminho muito melhor, pois plantas são facilmente obtidas e cultivadas por qualquer um, e um aquário de plantas bem montado é tão bonito quanto um aquário marinho. Já um coral, rochas vivas, enfim, seres marinhos são bem mais complexos e de manutenção muito mais complicada. Por isso, eu sou a favor de um mercado de aquarismo marinho mais caro e menor, até por uma questão ecológica, já que a maioria dos animais marinhos são coletados na natureza e não criados em cativeiro.
Há, no mercado atual uma confusão entre popularizar e acabarem-se uns com os outros. Eu explico : Lojistas fazem uma concorrência onde todos perdem. Poucos lojistas são profissionais e fazem contas. A maioria deles não sabe ganhar dinheiro. Vendem a qualquer preço achando que estão com a bola toda, mas quando chega no fim do mês, não conseguem pagar as contas e ainda não sabem o porquê.
Na minha opinião, aquário é um hobby, e como todo hobby, deve ser praticado por quem tem reservas para isso. Ora, um cidadão que acha R$ 50,00 - R$ 100,00 caro, não pode ter um aquário em casa. Deve sim é investir em bens de primeira necessidade como alimentação, saúde e outras coisas essenciais. Deixe o sonho do aquarismo para quando se firmar ou melhorar profissionalmente e tenha condições de bancar o seu lazer.
Infelizmente (ou felizmente?), aquarismo marinho não é para qualquer pessoa, e todas as tentativas que conheço de popularizar o hobby apresentaram resultados medíocres e em 90% dos casos, problemas e desistência do hobista. Nunca vi um aquário marinho que custa menos de U$ 900 (c/ móvel) dar certo neste país. Vejam bem, manter vivo e apresentar resultados medíocres é uma coisa. Dar certo é outra bem diferente.
A única coisa que me agradou até agora neste sentido foi a criação da "rocha sintética" que é uma ótima alternativa de economia, e que é muito usada no exterior. A brasileira precisa de mais testes, mas a iniciativa está mais que aprovada!
Em nome da popularização vemos coisas absurdas sendo publicadas, como por exemplo "... as algas filamentosas que vão nascendo podem ser retiradas com uma escova sempre que o aquarista desejar". Isso é o fim da picada na minha opinião, já que o simples fato de existirem algas indica a má qualidade da água de um aquário. Outras são aquelas que se referem ao aquário marinho simplificado... Ora, não existe aquário marinho simplificado. Existe o aquário marinho que funciona e o que não funciona. O que funciona tem que ter um bom skimmer, um sistema desnitrificante, lâmpadas de qualidade e potência adequadas, excelente movimentação de água, e um controle de temperatura. Nunca vi um aquário marinho decente sem estes itens. E estes itens, não são baratos... Qualquer tentativa em criar itens com estas funções, mantendo-se a qualidade e baixando-se os custos é sempre muito bem vinda... Mas qualquer tentativa de divulgar qualquer sistema de aquário marinho barato, em nome de venda pura e simples, apenas para aumentar o mercado do aquarismo marinho, deve ser repelida sempre, para proteger o bolso do próprio aquarista.
Você concorda quando se diz que aquários de corais são brinquedos de criança com bolso de gente grande?
Não. Acredito que é um hobby como qualquer outro. Algumas pessoas podem achar uma bobagem. Mas muitos encontram no aquarismo, paz, tranquilidade, enfim, um prazer.
Algumas pessoas podem achar que pagar R$ 1000,00 em um selo é um absurdo, mas quem gosta, e entende do assunto, certamente acha perfeitamente normal.
O aquarismo de maneira geral é um brinquedo para qualquer idade. Quanto ao bolso, cada um investe o que tem condição de investir em seu hobby. Para mim, investir R$ 10.000,00 em um aquário marinho pode ser muita coisa. Um exagero! Mas para muitos, certamente é um valor perfeitamente viável, se comparado ao prazer que o hobby irá proporcionar. O dinheiro é feito para ser gasto em prazeres pessoais, e não para ficar apodrecendo em uma conta de banco...
O Brasil é um país onde sua renda per capita é uma das mais baixas do mundo; viver de aquariofilia aqui é viável?
Sem dúvida... Se falarmos em renda per capta, realmente o Brasil não seria considerado um país viável, não só na aquariofilia, mas em muitos outros ramos de atividade. Mas temos milhões e milhões de pessoas que tem plenas condições de manter um bom aquário em casa neste país. O mercado de aquariofilia no Brasil, é, sim, muito mal explorado e ainda dominado por pessoas completamente amadoras e mal informadas a respeito do assunto. Mas já mudou muito, e, certamente irá mudar muito mais.
Há tempos atrás era inadmissível a montagem de pequenos aquários, hoje isso é uma realidade mundial, possivelmente em razão do seu baixo custo. Qual a sua opinião à respeito do "Nano Reef"?
Odeio esse nome - risos... Parece coisa de boiola - mais risos...
Os tais "Nanos" ou aquários pequenos, em minha opinião, são uma boa alternativa para quem não quer gastar muito. Há três anos, realmente, falar em aquários com menos de 250 litros era um crime. Com a chegada no mercado nacional de skimmers para estes aquários, a coisa mudou. Com a fabricação destes skimmers aqui no Brasil, mantendo e até melhorando a qualidade dos importados, a coisa ficou ainda melhor. Espero que mais produtos de boa qualidade sejam fabricados por aqui. Eu mesmo tenho 2 aquários de 100 litros que estão muito bem, com corais reproduzindo-se e peixes muito saudáveis. Basta respeitarmos as exigências do sistema, ter um pouquinho de paciência, que conseguimos obter o sucesso esperado.
O que você acha da Industria Aquarística Nacional?
Honestamente, acho uma lástima. A indústria nacional teve chance de crescer, desenvolver muito mais e não o fez. Não existem investimentos em pesquisa, não existem investimentos em criação, e 90% dos produtos que vemos nas prateleiras de hoje são de péssima qualidade, ultrapassados, e na maioria das vezes, os mesmos que víamos nas prateleiras há 20 anos. Isto é um absurdo que se dá graças ao amadorismo do mercado e ingenuidade dos consumidores, e comodismo dos lojistas, que nunca exigiram mais ou protestaram contra a qualidade inferior dos nacionais.
Em qualquer ramo de atividade, de uns tempos para cá, quem não se modernizou, se estrepou. No aquarismo, isso não aconteceu. É impressionante, mas muitos dinossauros do mercado estão aí até hoje, produzindo os mesmos produtos, com a mesma qualidade de 20 anos atrás, e enquanto os consumidores não se derem conta do atraso em que o mercado se encontra, continuarão existindo por muito tempo.
Os importados vieram e arrebataram boa parcela do mercado, mas com os preços do dólar, os nossos fabricantes tem mais uma chance de investir em boa qualidade dos produtos, já que suas vendas deverão aumentar significativamente. Querem apostar comigo que apenas um ou dois fabricantes fará isso, e o resto ficará na mesmice?
Resumindo, com exceção de 3 ou 4 bons fabricantes nacionais, a indústria nacional é amadora, retrógrada e incompetente. Se surgirem novas empresas com intenção de investir em modernidade, certamente estas dominarão o mercado e terão todo meu apoio... E, quer saber? Bem feito para os dinossauros...
Algumas entidades e instituições ligadas a ecologia, consideram o aquarista marinho um depredador da Natureza. O que você tem dizer sobre isso?
São pessoas mal informadas e mal preparadas para exercer os cargos que ocupam,. Quanto aos chamados "ecologistas" que afirmam isso, são apenas pessoas até que bem intencionadas, mas que acabam falando bobagem por ignorância completa do assunto. Já tive boas discussões com alguns desses, e percebi que são "nerds" que na verdade não fazem e nunca fizeram nada pela ecologia nacional, mas que gostam de dizer que são ecologistas e que se preocupam com a natureza. Se isso fosse verdade, estudariam e leriam muito mais... Mas a preguiça e a falta de interesse real impedem que ele faça isso.
Ecologista é aquele que se preocupa com a natureza, e procura soluções viáveis de interação entre o homem e a natureza, e não o simples impedimento do homem desfrutar a natureza.
Quanto aos nossos gloriosos "estudiosos do mar" que criticam o aquarismo, bem, se quiserem uma mostra de sua competência, visitem qualquer aquário público deste país. É de dar nojo. Se fossem realmente estudiosos, teriam aquários públicos, no mínimo decentes, mesmo com a verba limitada que as prefeituras ou o estado lhes destina.
Um coral em um bom aquário se reproduz e vive por tempo indeterminado. Além disso, apenas para se ter uma idéia da capacidade de regeneração de um ambiente, as Ilhas Biquini foram totalmente destruídas e com ela toda a flora aquática dos recifes... E olha que isso não faz muito tempo. Basta olhar em qualquer revista de mergulho e ver as fotos que são tiradas de lá agora. A região está toda viva e os corais abundam por lá, assim como peixes, crustáceos e moluscos. Portanto, se há condição e qualidade de água, os animais se reproduzem a uma velocidade espantosa.
O maior problema da Natureza hoje é o homem, mas não o aquarista, e sim aquele que polui as águas, que despeja lixo atômico no mar, ou mesmo aquele que anda de carro (todos nós) e incentiva as viagens de petroleiros que, vira e mexe vazam e, aí sim, causam danos irreversíveis à Natureza... O problema da Natureza é complexo demais para ser debatido numa entrevista como essa, mas posso afirmar com todas as letras, com o respaldo do maior conhecedor de corais do mundo todo, o Dr Charley Veron , autor de diversos livros e líder de pesquisas pelo mundo, mas principalmente da Grande Barreira de Corais da Austrália, que o homem, como aquarista, não causou qualquer dano significativo à natureza, mas apenas ajudou a conscientizar ecologicamente, milhões e milhões de pessoas.
Sou amplamente a favor de uma fiscalização séria, honesta e ecológica nas pessoas que vivem de coletar animais para exportar ou mesmo vender no mercado externo, mas as palavras fiscalização , seriedade e honestidade, neste país, são completamente incompatíveis.
E quanto as restrições do IBAMA referente às algas calcárias, corais , invertebrados, etc.?
O IBAMA tem mania de proibir tudo. Na minha opinião, eles deveriam trabalhar mais, informarem-se melhor e proibir menos. Regulamentar é a palavra, e não proibir. A proibição gera clandestinidade, o que é muito pior...
Não digo que uma instituição como o IBAMA seja ruim para o país, afinal de contas, também faz muitas coisas boas, graças a um ou outro que realmente tem vontade de trabalhar por lá. Mas muitos que trabalham nesta instituição, só estão lá pelo salário no fim do mês, e não tem o menor interesse em aprender nada, e muito menos de realizar um trabalho sério... Aliás, a palavra trabalho ali causa mal estar em muita gente...
Fala-me um pouco sobre a relação hobbyista x comércio x IBAMA:
Acho que a relação entre o aquarista e o comerciante é um pouco conturbada, especialmente porque o comerciante muitas vezes fica devendo muito ao consumidor. Vende aquários sem condições nenhuma e ficam inventando histórias e dão explicações escabrosas sobre as mortes e o prejuízo do consumidor.
Em vez de aprender a lidar com um aquário, muitos lojistas tentam é descobrir produtos mais e mais baratos, e não percebem que com isso sua lucratividade é reduzida e que sua despesa se mantém alta.
O consumidor, claro, quer sempre pagar o mínimo possível, mas sempre exige o máximo de desempenho de seu aquário e apoio total do seu lojista. Aí surgem os conflitos.
Na minha opinião, os lojistas precisam se dedicar mais, no aprendizado e conscientizar os consumidores que um aquário não é um eletrodoméstico, que se compra onde é mais barato, mas sim um sistema complexo que depende muito da qualidade dos equipamentos usados e do conhecimento sobre o assunto.
Quanto à relação IBAMA comércio, na minha opinião é ridícula, pois todo lojista é obrigado a pagar uma anuidade para esta instituição sem receber benefício algum em troca e ainda ficar o ano inteiro com medo que um destes fiscais entrem em sua loja e os ameacem com alguma alegação de desrespeito à natureza e/ou comércio ilegal de algum animal ou mesmo produto... Lamentável.
O livro "O Aquário Marinho e as Rochas Vivas" é um best seller do nosso hobby aqui no Brasil, e algumas pessoas já o entitularam como a "Bíblia da Aquariofilia Marinha Brasileira". Você se considera um "Moisés"?
Muitos risos... mas muitos risos meeesmo!!!
Credo! Deus me livre!
Realmente o livro vendeu muito bem, e as pessoas aparentemente gostaram do livro. Mas sou apenas um cara que estudou o assunto e que se revoltou quanto a falta de literatura especializada. Na verdade, o livro era para ser uma apostila apenas, mas tinha tanta coisa que acabou virando mesmo um livro.
Como digo na introdução, não me considero um grande aquarista, ou um exímio conhecedor do assunto, e nunca tive a pretensão de publicar um grande livro de aquariofilia. Considero-me apenas um prático. Alguém que tem experiência no assunto e que sabe montar um bom aquário. Com isso, tento ajudar as pessoas a ter um bom aquário.
Você já esteve em diversas regiões do Brasil ministrando cursos e palestras sobre aquários de corais; como você vê o nível da Aquariofilia em nosso país?
Infelizmente, muito fraco ainda... Não sendo bairrista, Deus me livre de tal ignorância, mas fora de São Paulo, conheci apenas poucos bons aquários, e isso é muito triste... Muitos aquaristas brasileiros procuram apenas gastar o mínimo possível, e pouco se preocupam com a qualidade do aquário. Este é o perfil do aquarista brasileiro (inclusive em São Paulo).
Os aquaristas que realmente se dedicam e buscam o melhor, sempre conseguem o objetivo, pois hoje, temos acesso a muitas informações... Temos o meu livro, a revista Aquarium, a internet, cursos, palestras de gente que vem de fora, enfim, temos de tudo para dar o máximo em informações a quem as quer.
Estes que buscam informações, possuem, de maneira geral, aquários acima da média, e em muitos casos, superiores aos aquários que se encontram lá fora. Julian Sprung, em sua recente visita, ficou muito bem impressionado com o que viu. Disse que nossos aquários são iguais ou superiores aos tantos e tantos que já viu pelo mundo. E ele tem mesmo razão. Só vi aquários iguais aos nossos na Alemanha. Nem nos EUA eu não cheguei a ver nossa qualidade.
Mesmo assim, o nível da aquariofilia brasileira é muito ruim. Estes bons aquários pertencem a uma minoria mesmo.
Você acha que aquariofilia marinha seria um "Clube do Bolinha" onde só entram rapazes? (risos)
Isso é triste... Ô ramo desgraçado que só entra cueca viu!!! ( risos)
O porquê disso eu ainda não sei... Mas se alguém souber, mande uma carta para mim que vou tentar de tudo para mudar este perfil... Estou louco para arrumar uma namorada aquarista, mas o máximo que consegui até hoje foram alguns admiradores gays (risos...) Sai pra lá Jacaré!!! (risos)
No exterior existem congressos a exemplo do MACNA que reúnem os maiores especialistas em aquários de corais, importantes cientistas e pesquisadores do mundo ligado a esta modalidade, repercutindo em um alto nível de informações para o hobby. Qual a viabilidade da realização de um evento desse porte em nosso país?
Nenhuma. Brasileiro gosta de tumultuar... Vamos supor que eu tente organizar isso. O que vão falar? Ah, o Sérgio tá querendo aparecer... Tá levando algum por fora, está querendo promover a loja dele... Aí não apoiam, falam mal e sabotam.
Se é o Juarez? Ah, o Juarez eu não ajudo porque ele está querendo levar algum nessa brincadeira. Ah eu não ajudo não, depois vão fazer propaganda de outra loja lá e vou perder meu cliente... Se é fulano? Ah, fulano eu não ajudo porque ele tem bafo, não usa desodorante e torce pro Corínthians... E se for o Sicrano? Ah não, o sicrano tem um terreiro de macumba lá no cafundó e além disso é amigo do fulano que tem bafo, não usa desodorante e torce pro Corínthians...
Para organizar um evento destes é necessário o apoio de muita gente, uma vontade coletiva de que a coisa aconteça e muita organização. Infelizmente isso não existe em nosso mercado. Se alguém se meter nisso, vai ter tanto trabalho, vai gastar tanto dinheiro e no fim ainda vai ter prejuízo e ter que ouvir besteira dos outros.
Não atingimos esse nível ainda, e, talvez nunca o faremos.
Você já teve contato com os maiores especialistas em aquários de corais do mundo, como eles vêem a aquariofilia no Brasil?
Não vêem. Para eles o Brasil praticamente não existe. Não só no aquarismo, mas também em outros assuntos. O Brasil é para eles o mesmo que o Zaire é para nós. Desconhecido, insignificante (pouco se sabe a respeito), exótico e inexpressivo economicamente.
Obviamente que, ao entrar em contato com eles, percebo uma certa curiosidade em relação ao país. O máximo que um ou outro sabe é que tem carnaval, mulata, futebol, muita bagunça, políticos corruptos, miséria e injustiças sociais.
Quando vêem fotos de aquários nossos, sempre se surpreendem. Quando damos números do mercado no país, sempre se interessam, e passam a nos olhar com outros olhos. Mas não pensem que o Brasil tem essa ou aquela imagem, porque não tem. Para eles, nós praticamente não existimos. Exceto é lógico, os que exportam produtos para cá. Mas via de regra é assim.
É verdade que você foi contratado pôr uma empresa multinacional de produtos para aquariofilia, para fazer divulgação dos seus produtos?
É sim... Fui contratado pela Tetra, a maior empresa de produtos destinados à nutrição de peixes ornamentais do mundo. Eu achei o máximo, pois sempre fui fã de carteirinha dos produtos desta empresa... Tetra sempre foi e sempre será sinônimo de qualidade. Fico feliz em fazer parte disso.
Como será esse trabalho?
Darei palestras pelo país sem custo para os lojistas. A partir de agora, quem quiser um curso meu em qualquer lugar do país, basta reunir uma grande quantidade de pessoas, me comunicar e marcar a data. Durante os cursos farei demonstrações sobre os produtos da empresa e suas fantásticas aplicações. Pouca gente sabe dos benefícios de alimentar os peixes com alimento de qualidade. Ainda no país, 99% dos aquaristas que não tem sucesso com seus aquários de água doce são aquaristas que não sabem alimentar e estragam a água com excesso de alimento e/ou alimento de má qualidade. Isso precisa mudar... Vou tentar ajudar nesta mudança.
O maior problema do brasileiro hoje está no aquário. O aquário é doente, por isso, o peixe fica doente e morre. Vou tentar resolver a doença do aquário, para que o peixe fique vivo e o aquarista então se conscientize que precisa alimentar com qualidade, e no país e no mundo, nada se compara aos alimentos da Tetra. Quem usa, sabe que não estou apenas tentando vender o meu peixe... Se algum lojista queiser entrar em contato comigo, use o e-mail : sergio.gomes@csf.com.br
Quais são os seus projetos para o futuro?
Arrumar uma namorada , porque já estou cansando de gandaiar...(as interessadas, mandem cartas!!! Mas compromisso, só depois do carnaval - risos)
Empenhar-me no trabalho de marketing dos produtos Tetra...
Promover muitos e muitos cursos por todo o país...
Escrever um livro (quase acabado) de água doce com fotos muito boas...
Escrever "O Aquário Marinho & as rochas vivas" volume II - com fotos ...
Implementar meus trabalhos na Inernet...
Enfim, me dedicar ainda mais ao aquarismo brasileiro...
Para finalizar, gostaríamos de sua opinião a respeito da importância de literatura especializada em nosso País e o porque de tanta resistência por parte de alguns lojistas em divulgá-las?
A importância é fundamental. Sem ler, ninguém sabe de nada... Ler, aprender a lidar com um aquário antes mesmo de comprá-lo deveria ser obrigatório. Desta forma, mais aquaristas permaneceriam no mercado, comprando mais e ajudando a movimentar quantias maiores de dinheiro, o que possibilitaria criadores de peixes mais abastados, investindo em qualidade, lojistas com reserva de capital, o que faria com que investissem mais na qualidade de suas baterias, atendimento e sua própria especialização, enfim... Se tivéssemos uma cultura de ler sempre, estaríamos hoje em uma situação muito mais confortável e não teríamos tantas queixas do nosso próprio mercado...
Uma lástima ainda existirem lojistas que se recusam a oferecer literatura aos seus clientes... Mas, a hora destes cabeças duras está chegando... Ou se adequam a um mercado moderno e profissional, ou morrem todos abraçados...
Um abraço
Márcia B. Câmara
Outro abraço e desejo a todos vocês da Aquarium, do fundo do meu coração, muito e muito sucesso. O meu sucesso, e o sucesso de todos os profissionais do ramo, depende e muito do sucesso de vocês!
Sérgio Gomes
Entrevista publicada em janeiro de 2000 na Revista Aquarium |
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A "Fórmula Mágica" para seu Aquário
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Nós aquaristas sempre sonhamos em descobrir uma fórmula mágica infalível que resolvesse todos os problemas de nosso tanque, ou que alguém inventasse um kit ou um filtro superpotente que não nos desse dor de cabeça.
Amigos, preparem-se, vou lhes dar a fórmula mágica para manter seu tanque sempre tinindo. O nome desta formula é ... Tchan, tchan, tchan ... CONHECIMENTO.
O conhecimento é a chave para o sucesso de qualquer aquário, seja ele de filtro biológico, dry wet ou rochas vivas. Sem ele, passamos a depender da sorte para manter nossos adoráveis e tåo caros peixes e invertebrados.
Portanto, amigos, se você realmente gosta de seu aquário, e quer manter seus animais em bom estado, desista de achar kits ou de resolver as coisas de uma maneira simplória. Você precisa saber, mesmo que superficialmente, o porquê dos equipamentos e de todos os elementos envolvidos em seu tanque. Portanto, converse com amigos lojistas, assista palestras de aquaristas mais experientes e principalmente leia bastante.
Sérgio Gomes - novembro de 1996 |
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Algumas Informações sobre a Artêmia
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São pequenos crustáceos que vivem em salinas ou lagos. Servem aos aquaristas como grande fonte de proteínas. Trata-se de um dos melhores alimentos que se pode oferecer aos peixes.
Criadores de peixes ornamentais que querem ver sua produção crescendo rapidamente oferecem os náupilos (filhotes de artêmia) aos seus filhotes e obtém fantásticos resultados.
Não possuem carapaça quitinosa (casca ou proteção dura) e por isso são facilmente digeridas por qualquer espécie de peixe.
Podem ser compradas na fase adulta em casas especializadas e também em forma de ovinhos que são facilmente eclodidos em sua própria casa.
Há uma estimativa que diz que a indústria de aquariofilia mundial consome cerca de 30 toneladas por ano destes pequenos crustáceos.
Valores Nutritivos da Artêmia Adulta:
42,5 % de proteínas
23,2% de gordura
6.000 calorias/grama
Valores Nutritivos do Náupilo c/ 6 dias:
59,72% de proteínas
7% de gordura
400 calorias/grama
Pode-se armazenar os cistos (ovinhos) por até 20 anos, desde que esteja em ambiente de vácuo ou atmosfera de nitrogênio.
Como alimentar com segurança seu tanque com estes bichinhos?
Algumas pessoas afirmam que alimentar os peixes do aquário com artêmias pode ser perigoso, pois transmitem doenças.
Estas pessoas têm alguma razão, mas se tomarmos algumas medidas muito simples, nos veremos livres de praticamente todos os perigos das artêmias.
· O primeiro passo, é nos certificarmos que as artêmias estão vivas e saudáveis. Nunca compre artêmias em uma loja onde a água apresentar cheiro de podre e grande quantidade estiver morta.
· Compre artêmia viva e se possível alimente no mesmo dia.
· Mas, se quiser armazenar por algum tempo artêmias vivas, compre uma caixa de isopor, corte-a na metade para permitir boa ventilação na superfície. O nível d'água não deve passar os 10 centímetros e o local deve ser arejado e bem fresco. Aspire com uma mangueirinha (aquelas de ar) a sujeira que diariamente vai se depositar no fundo da caixa. O prazo médio de vida destas nas condições acima descritas é de 7 dias.
· O ponto principal antes de alimentar os seus peixes com este pequeno crustáceo é lavá-las com uma redinha apropriada e deixá-las em água doce por cerca de 10 minutos. Com isso, germes e parasitas morrerão por choque osmótico devido à diferença de densidade, tornando segura a alimentação com as mesmas.
Depois disso, sirva seus peixes, mas não exagere! São alimento perfeito, mas se sobrarem no tanque, morrerão e causarão problemas...
Obs... Alguns autores dizem que, em caso de tratamento de alguma doença no tanque, as artêmias são perfeitas pois se adicionarmos algum remédio na água em que estiverem, absorverão grandes quantidades do medicamento, que será ingerido pelo peixe que abocanhá-la.
Sérgio Gomes - revista @qua - outubro 1997 |
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Aquarismo para Iniciantes em 10 perguntas e respostas
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1) Quais tipos de aquários são indicados aos iniciantes?
O mais importante para qualquer iniciante, é saber que quanto maior o aquário, melhor e mais fácil será cuidar deles. É um grande erro comprar aquários pequenos como, por exemplo, com 10 litros. A probabilidade desses aquários funcionarem é mínima. Em minha opinião, aliás, esses aquários não deveriam nem ser comercializados. Somente aquaristas muito experientes conseguem manter aquários tão pequenos.
O motivo é que a pouca quantidade de água é sujeita a alterações bruscas, de acordo com o que o aquarista fizer. Por exemplo, se a pessoa der um pouco a mais de comida, o efeito desse alimento excessivo em 10 litros é muito pior que em 100. O excedente de comida diluído em 10 litros é muito mais concentrado que em 100. E normalmente o aquarista novato tende a exagerar um pouco na quantidade de peixes, daí é que surgem os problemas e é daí que surge a lenda que peixe morre fácil ou que dá trabalho cuidar de um aquário. Na verdade, aquários dão menos trabalho que um passarinho em uma gaiola. Basta fazer a coisa certa, começando pelo tamanho do aquário que não deve ser menor que 30 – 40 litros para um iniciante.
2) Sobre os elementos decorativos, quais são as opções e quais os mais indicados?
Qualquer elemento decorativo encontrado em lojas de aquários, destinados a esse fim são indicados. Depende apenas do gosto de cada um. Jamais devem ser colocadas conchas, madeiras ou qualquer objeto encontrado em praias ou beiras de lagos ou rio, pois pode haver alteração de pH, dureza ou mesmo uma contaminação.
3) Sobre o equipamento técnico, o que não pode faltar em um aquário?
Para montar um aquário simples, basta ter um aquário (caixa de vidro com capacidade para mais de 30 litros), 3cm cascalho neutro (de preferência), decoração (plantas artificiais, enfeites, etc...), iluminação (de preferência fluorescente – pode ser power compact também), um aquecedor ou termostato (é um aparelho que vem com aquecedor e controlador de temperatura), termômetro, testes de pH e amônia (pelomenos), um AquaSafe (condicionador de água que elimina o cloro, metais pesados e protege a mucosa natural dos peixes) e o principal: Um filtro externo. O filtro externo é um aparelho que puxa a água do aquário e faz com que passe 24 horas por dia por um refil composto de perlon (um tipo de lã acrílica) e carvão ativado. Com isso, a sujeira fica retida nesse refil que deve ser lavado a cada 15 dias e trocado a cada 30. Quando lavamos ou trocamos o refil, realizamos o que chamamos de filtragem mecânica. O carvão ativado, contido no refil, por método de adsorção, remove da água tonalidades amareladas e cheiros entre outros poluentes. Essa é a filtragem química. E, por fim, a mais importante, a filtragem biológica, é feita por bactérias que se reproduzem por todo o aquário e que usam o oxigênio produzido pela movimentação do filtro externo.
Existe um outro tipo de filtragem biológica mais popular e comum que são os filtros de fundo, mas estes, embora funcionem, são métodos ultrapassados e limitados. Se usar um filtro externo, não precisa mais nenhum tipo de filtro. A única coisa que se deve fazer ao comprar o filtro é verificar na caixa a capacidade do mesmo. De nada adianta colocar em um aquário de 100 litros um filtro com capacidade para 38.
4) Sobre a água, quais são as orientações quanto ao tratamento, temperatura, pH, enchimento do aquário, etc?
Existem vários fatores químicos que podem ser analisados por um aquarista. Eu destacaria o teste de pH. Para um aquário comunitário, deve-se manter um pH neutro. Existem alguns tipos de peixe que necessitam condições mais específicas. Esses devem ser evitados pelo iniciante. Quando este tiver uma noção melhor e puder pesquisar mais sobre essas exigências mais específicas, tudo bem. As espécies a serem evitadas por iniciantes, na minha opinião: Discos, Neons, Ciclídeos Africanos. Outro teste fundamental é o de Amônia. Poucos sabem, mas 90% das mortes de peixes em aquários são diretamente ligadas a esse problema, causado fundamentalmente pela colocação precipitada de peixes e em quantidade exagerada, excesso de alimento e/ou alimento de má qualidade.
Os equipamentos colocados no aquário, enche-se com água de torneira, coloca-se o AquaSafe, liga-se o filtro externo na tomada e pronto. O Aquário está montado e funcionando. Espera-se 30 dias para colocar os primeiros 2 peixes, e uma semana de intervalo para a colocação de 2 em 2 peixes. Isto é FUNDAMENTAL. O maior erro cometido pelos aquaristas e por lojistas desavisados é que monta-se o aquário e os peixes são colocados, se não no mesmo dia, com uma semana de prazo, e o pior, normalmente 10, 15 peixes são colocados de uma vez. Com isso, níveis tóxicos de amônia irão prejudicar muito a saúde do aquário senão matando todos os seus habitantes. A paciência no começo contribui em 90% para o sucesso de um aquarista.
5) Sobre a limpeza, como se deve proceder?
A cada 30 dias ou menos, deve-se sifonar (aspirar com um aparelho específico chamado sifão) o fundo do aquário, jogando 30% da água fora. Completa-se sempre lentamente, com água de torneira, jogando-se antes, a dose correspondente do AquaSafe para eliminar os perigos dessa água. Nunca use água mineral. Os vidros devem ser limpos a cada 15 dias com um limpador magnético e pronto. Mais nada. Por isso que eu digo que aquários só dão trabalho para quem não sabe cuidar.
Problemas podem acontecer quando se coloca mais peixes que o recomendado, quando se alimenta de forma errada ou com comida de má qualidade. Afora isso, o aquário irá funcionar bem.
6) Sobre os peixes, quais são as melhores escolhas para os iniciantes? Depois da compra, quais os cuidados para colocá-los na água?
Os peixes não devem ser comprados JAMAIS em lojas que tenham peixes mortos as vistas dos clientes, aquários sujos ou peixes claramente doentes. Jamais compre um peixe em uma loja que alimenta os peixes com ração de má qualidade, aquelas que vêm em saquinhos transparentes. Isso mostra que não há preocupação com a qualidade dos mesmo. A higiene da loja também é um sinal que mostra o nível de preocupação com os peixes. Comprar peixes doentes pode ser fatal, pois irão transmitir doenças para os demais em seu aquáiro. Mesmo que pague um pouco mais, vale a pena comprar peixes em lojas limpas, com preocupação clara com a qualidade dos mesmos. Isso é MUITO IMPORTANTE.
Recomendo Tetras e Barbus para iniciantes e também como os primeiros peixes a serem colocados no aquário.
Kinguios também são boas opções. São bonitos, decorativos e resistentes, MAS, sujam um pouco mais o aquário por possuírem um sistema digestivo diferenciado. Precisam, por esse motivo, de alimento especial (recomendo TetraFin) e de mais água por habitante. Enquanto que os peixes tropicais podem ser colocados na proporção de 1cm de peixe por litro de água, Kinguios devem ser colocados na proporção de 1cm de peixe para cada 4 litros de água.
Não misture Kinguios com outros peixes Tropicais. Eles possuem características e necessidades diferentes, por justamente não serem tropicais. Seria como misturar penguins e camelos em uma mesma jaula no zoológico.
Os Espadas, Platys e Molinésias são interessantes também, mas um pouco mais sensíveis que os demais. Requerem pH alto, água dura e muito limpa.
Ao trazer os peixes para casa, coloque o saquinho boiando no aquário por 5 minutos. Abra o saquinho e deixe entrar um pouco de água (1/2 copo). Repita a operação mais 2 vezes. Com a rede, pegue delicadamente os peixes e solte-os no aquário sem usar a água em que vieram que pode estar contaminada com amônia, ou mesmo com algum medicamento usado pelo lojista.
7) Como deve ser a alimentação? Horários, quantidade, tipos?
Até 3 vezes ao dia, mas com muito cuidado e critério. Em primeiro lugar, a qualidade é fundamental. Para se ter uma idéia, alguns alimentos são realmente baratos, mas possuem um índice de digestibilidade de 40 - 50%. Outros alimentos importados, geralmente um pouco mais caros, possuem digestibilidade de 97% em média, ou seja, mais que o dobro. Em aquarismo isso é fundamental, pois o que os peixes não comem, ficam na água, poluindo o ambiente. Portanto, com um alimento de qualidade, usa-se ½ da quantidade comparando-se com marcas inferiores, e conseguem-se resultados infinitamente superiores. Recomendo alimentos da marca Tetra.
Independentemente da quantidade de peixes que possui, para começar a alimentas, jogue 3 a 5 flocos na água do aquário. Espere que comam quase tudo. Quando estiver acabando, jogue a mesma quantidade, e repita isso por mais 4, 5 vezes, até perceber que o ímpeto de pegar o alimento diminuiu. Pode fazer isso até 3 vezes ao dia com intervalo de algumas horas entre as alimentações.
Alguns peixes ficam no fundo, e perdem para outros que além de tudo, são mais velozes. Para isso, existem alimentos que afundam justamente para esses tipos de peixe. Recomendo TetraMin Waffers nesses casos.
Alguns suplementos são fundamentais. Dietas vegetais, por exemplo, devem ser usadas 2 a 3 vezes por semana para variar o menu. Recomendo Tetra Spirulina.
O mais importante é NUNCA DEIXAR SOBRAR COMIDA NO AQUÁRIO. Nem um grão ou floco sequer. Isso diminui a qualidade da água e facilita a reprodução de bactérias patogênicas que irão infestar os peixes.
8) Sobre as doenças, quais as mais comuns, como tratar, quais os sintomas e causas?
A principal doença é a doença do aquário. A pessoa monta tudo errado, exagera na quantidade de peixes, alimenta demais, não faz a manutenção correta, não tem filtro externo, se tem, não troca o refil. Essa é a principal doença que um aquário pode ter.
Alguns parasitas podem ocorrer em casos de variação brusca de temperatura, como o íctio, que aparece em formas de pintinhas brancas por todo o corpo dos peixes. Para evitar, basta ter um bom termostato ligado sempre no aquário. Para curar, recomenda-se aumentar um pouco a temperatura da água, usar um medicamento expecífico (parasiticida) e apagar a luz por uns 2 dias, para que esta não reaja com o medicamento e corte seu efeito.
Bactérias que corroem as barbatanas, causam hemorragias externas, feridas ou manchas brancas também podem ocorrer. Nesses casos, o excesso de peixes ou de alimentação é a causa. O uso de um bactericida é recomendado.
Fungos também podem aparecer, mas nesse caso é excesso de comida no aquário. Uma boa higiene deve ser feita no aquário, diminuição radical na quantidade de comida e um fungicida deve ser usado.
Em todos os casos, o refil do filtro externo deve ser retirado do aquário até o fim do tratamento, pois esse adorveria o medicamento da água.
9) Quais são os passos básicos para a escolha, compra e instalação de um aquário em casa?
Basicamente, escolher uma loja onde perceba-se que, acima de qualquer coisa, há uma preocupação em orientar o cliente. As lojas com funcionários despreparados, muito focados no negócio da venda, é um indício ruim. Lojas que focam suas estratégias no preço também podem ser perigosas.
A escolha de uma boa loja, com funcionários treinados, aquários limpos e bem cuidados é fundamental para os primeiros e acertados passos de um aquarista iniciante. De resto, é gosto e disponibilidade de dinheiro e espaço em casa.
10) Quais são as dicas para os iniciantes?
1 – Escolha uma boa loja para obter informações sobre esse magnífico hobby;
2 – Começe com um aquário com mais de 30 litros com um bom filtro externo. Durante o período de espera, aproveite para ler sobre o assunto na internet ou livros;
3 – Espere 30 dias para colocar os primeiros peixes e quando o fizer, coloque 2 apenas. Aguarde uma semana para colcoar mais peixes.
4 – Escolha bem o alimento de seus peixes, e nunca deixe sobrar alimento;
5 – Mantenha um aquário com poucos peixes. Verá que irão crescer saudáveis, coloridos, alegres e o aquário dará muito menos trabalho.
Depoimento dado à jornalista Patrícia Magrini
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