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A Doença do aquário ruim
     
 

A realidade do aquarismo marinho brasileiro é muito triste.
Não existem pesquisas feitas a este respeito, mas quem vive o dia a dia do aquarismo sabe que a cada 10 peixes colocados no mercado, 8 morrem antes de completarem 3 meses de vida. Dos dois que sobraram, um agonizará em um aquário mal montado e desequilibrado até‚ o final dos seus dias, tortura esta que pode durar muitos meses e até alguns anos. Isto ocorre principalmente com palhaços e donzelas que apresentam maior resistência que muitos outros peixes. Mas temos também alguns Parus, Yellow Tangs entre outros que podem agüentar anos de tortura, ficando totalmente deformados, com colorações que não lembram em nada suas tonalidades naturais apresentadas na natureza.
O pior de tudo é que grande parte dos aquaristas pensa que o simples fato do peixe estar vivo, nadando e comendo bem determina o sucesso do aquário.
As causas para este triste quadro são inúmeras, e entre as mais freqüentes temos equipamentos inadequados e/ou de má qualidade, manutenções que não são efetuadas como deveriam, ou simplesmente ignoradas, desconhecimento do mínimo necessário sobre a química da água marinha, mistura inadequada de sistemas de filtragem e falta de conhecimento generalizado tanto por parte do aquarista quanto por parte de lojistas.
Alguns profissionais do ramo não se interessam pela evolução do hobby e cultuam a filosofia de que quanto mais peixes morrerem mais eu poderei vender ao mesmo cliente, e outros simplesmente não querem ou justificam falta de tempo para aprender novas técnicas.
Existem ainda aqueles que cultuam o barato. Tudo o que for mais barato é colocado no orçamento de um aquário marinho para que o cliente menos abastado possa comprá-lo. Equipamentos fundamentais são deixados de lado e outros são substituídos por aparelhos ineficazes. Justificam esta prática dizendo que desta forma contribuem para ampliar os horizontes do aquarismo marinho já que mais uma pessoa, mesmo que sem condições, passa a ser um aquarista marinho o que significa mais volume de dinheiro circulando no mercado.
Esta situação é revoltante para quem vive o dia a dia do hobby e para quem gosta de um aquarismo serio e honesto, e o pior é que não estou falando apenas dos caros e sofisticados aquários de rochas vivas. Mesmo os aquários mais baratos como os de filtro biológico (os quais eu particularmente sou contra, pois seria o mesmo que, nos dias de hoje comprar um computador XT) são mal montados e não possuem o mínimo para manutenção de vida em condições razoáveis.
Mas é claro que grande parte dos lojistas e hobbistas estão procurando acertar e mudando uma mentalidade ultrapassada por uma mais moderna e dinâmica, e por isso as perspectivas do hobby são excelentes e bastante promissoras, mas para que isto continue assim, hobbistas e lojistas devem ser mais exigentes e estar sempre atualizados. Leituras especializadas e contato com outros aquaristas mais experientes são fundamentais.
- Mas afinal... o que é um aquário ruim?
E aquele onde a água e sempre ligeiramente amarelada, o pH sempre abaixo do normal, reserva alcalina ignorada pelo aquarista, trocas parciais não são feitas, existem bombas de pouca potência e em quantidade insuficiente, iluminação própria para aquário de água doce e muito fraca, reatores na tampa de madeira, sal espalhado para todo lado e peixes desfigurados e com cores opacas.
Alem deste tipo de aquário ruim, temos muitos outros e os mais comuns são aquários sem sistema de filtragem definido como rochas vivas e biológico de fundo juntos, ou aquários com rochas vivas sem skimmer ou com skimmer ineficaz e bombas de circulação insuficientes, sem caixa de circulacao (sump), dry wets com filtros de fundo, ou ainda filtros de fundo com camadas absurdas de cascalho de dolomita onde o aquarista não sabe o que é uma sifonagem...
Um aquário para ser bom não precisa ter tudo do mais caro, mas precisa ter tudo o que for necessário para o sistema. Um aquário de filtro biológico de fundo pode ser um aquário bom, mesmo que o sistema seja ultrapassado. É claro que para isso os esforços do aquarista deveriam ser triplicados - o que, diga-se de passagem, raramente (mas bota raramente nisso) ocorre - e também os equipamentos devem ser adequados. - Veja em "O Aquário Marinho & as Rochas Vivas" capítulo IV.1
O que os aquaristas devem passar a perceber é que um palhaço ou uma donzela não tem culpa de ser mais resistentes que outros peixes. Não merecem viver em um "pulgueiro" só porque o aquarista não quer ter trabalho com o aquário ou não tem dinheiro para comprar os equipamentos. O peixe não tem nada a ver com seus problemas financeiros.
O aquarismo marinho não é um hobby apenas para as elites, mas infelizmente tem o seu preço, que, aliás, não é tão barato. O que não podemos é deixar de lado as orientações para um aquário de sucesso, ignorando e substituindo equipamentos de qualidade e imprescindíveis para o tanque por equipamentos ultrapassados e insuficientes só porque são mais baratos.
Por ser colaborador e responsável pela sessão de aquarismo marinho ( referência à revista @qua no ano de 1997), me sinto na obrigação de alertar nossos leitores doa a quem doer. O objetivo desta matéria, porém, não é desmerecer ninguém nem fazer com que o aquarista que tem um aquário com estas características se sinta ofendido ou coisa parecida, mas sim alertá-lo sobre os problemas que pode enfrentar e ajudá-lo a reverter a situação de seu tanque. No decorrer desta matéria, vamos abordar as situações mais comuns e passar algumas sugestões muito úteis para que possamos de alguma forma melhorar o quadro triste que se encontra o pobre aquarismo marinho brasileiro.
Como já disse, há uma mania de se misturar sistemas de filtragem o que pode acarretar em problemas sérios de equilíbrio. O mais comum é um aquário com filtro biológico de fundo composto de cascalho de conchas ou dolomita e rochas vivas por cima. A circulação é feita por duas bombas submersas nacionais de 500 litros/hora e um skilter. Não há sistema de refrigeração, caixa de circulação e nem preocupação com qualidade e quantidade de iluminação que o sistema exige. O resultado é que, somente palhaços e donzelas sobrevivem e, eventualmente, um ou outro peixe mais resistente. São feitas diversas tentativas frustradas em se tentar manter uma anêmona ou algum outro coral ou invertebrado.
Vamos analisar esta situação. Começando pelo sistema de filtragem. Neste caso não há um sistema de filtragem definido. Este aquário é de Rochas Vivas ou de filtro biológico? Nem um nem o outro. Este aquário simplesmente não é. Um aquário de filtro biológico já é algo arcaico e ultrapassado, mas como já disse, não podemos dizer que não funciona. Só que para funcionar devemos nos prestar a serviços de manutenção e seguir algumas regrinhas.
Se o objetivo de qualquer aquário marinho deve ser sempre a mais alta higiene e oxigenação possível, como conseguiremos isto se tivermos rochas vivas sobre um cascalho inadequado que além de impedir uma perfeita sifonagem (aspiração de detritos) ainda colabora no acúmulo deste? Além disso, sabemos que as rochas vivas se bem aclimatadas e atendidas todas as suas exigências são excelentes filtros biológicos, então para que colocaremos as placas no fundo? A resposta e simples: Acumular sujeira e prejudicar o aquário como um todo.
Em contrapartida, se retirarmos as placas do fundo e o cascalho simplesmente, ainda assim não teremos um aquário de rochas vivas. Canso de dizer e escrever que um aquário de rochas vivas é algo complexo onde todos os detalhes devem ser atendidos. Não é só colocar bombas e rochas e pronto. Necessitamos de um excelente skimmer, uma excelente iluminação, forte circulação de água entre tantas outras coisas, pois precisamos atender as exigências das rochas vivas e posteriormente dos animais que habitarão o aquário.
Um bom skimmer por exemplo, é imprescindível! E sinceramente não sei de onde se tirou que um skilter poderia dar conta do recado em um tanque cujo sistema seja rochas vivas.. Vejam, um bom skimmer depende de vários fatores, e entre eles estão a pressão com que a água entra no venturi, quantidade e tamanho das bolhas e tempo destas bolhas em contato com a água. Num aparelho como este, nenhum destes fatores são levados em consideração. Apenas uma certa quantidade de água com bolhas entra em um cilindro e depois sai enchendo o aquário de micro-bolhas sendo portanto antiestético, insuficiente para aquários superiores a 30 ou 40 litros e inoperante em um sistema destes.
Não estou "metendo o pau" em skilters, simplesmente. Digo que aquários de rochas vivas e skilters, definitivamente não foram feitos um para o outro. Entretanto, em aquários com sistema de filtro biológico de fundo por exemplo, pode ser uma opção de uso já que um skimmer dificilmente se encaixa em um aquário convencional (veja observações ao final da matéria), necessitando de uma caixa de circulação.
Pode ser que existam pessoas com skilters em tanques de rochas vivas, mas duvido da eficiência do mesmo e também não acredito que seja possível mantermos corais e invertebrados em um aquário sem skimmer.
O grande problema, e a grande vendagem deste produto se deve a praticidade de instalação, afinal basta colocarmos atrás do aquário. Sinto que muitos querem fugir do sump (caixa de circulação), que é onde se deveria alocar skimmers e caixa repositora de água doce. Reconheço que para os leigos e iniciantes a coisa pode parecer meio complicada, mas lhes digo que não é. Conversem com aquaristas mais experientes no assunto e verão que não morde. Digo que, nos dias de hoje, uma loja que ainda não sabe construir, ou que não dê recomendações de onde construir um sump ou um bom e eficiente dry-wet aos seus clientes, definitivamente não tem condições de montar um aquário marinho de qualidade. São palavras duras, mas infelizmente é a realidade. Não é um crime não saber algo, o crime é não saber e ainda se meter a fazer e não reconhecer que não sabe. Mas esta realidade precisa ser mudada. Se quisermos um aquarismo de primeiro mundo em nosso país, não podemos mais suportar o sucateamento do aquarista novato, ou daquele que não tem recursos para montar um bom tanque. Na minha opinião, se não há recursos, não há que se montar um tanque marinho, mas sim, talvez um bom tanque de água doce.
Além do skimmer e do sump, estamos cansados de saber que um aquário de rochas vivas precisa de vários outros equipamentos que devem ser de boa qualidade. Iluminação é muito importante para que não haja crescimento indevido de algas filamentosas e para que haja desenvolvimento satisfatório de algas calcárias, além é claro da sobrevivência de corais e invertebrados.
- Ah! Então é por isso que minhas anêmonas não duram em meu aquário...?
Pode ser que sim... pode ser que não. Como já disse, um aquário depende de diversos fatores, e um sistema de filtragem tem seus limites, vantagens e desvantagens. Talvez aquela anêmona que não vai bem em seu aquário não suporte a qualidade de sua água por outros fatores como temperatura excessivamente elevada, pouca movimentação e conseqüentemente, pouca oxigenação na água, excesso de nitrato ou qualquer outro elemento tóxico, etc.. É claro que a iluminação é fundamental para a sobrevivência das anêmonas, mas de nada adianta termos um aquário superiluminado se o resto dos fatores não estiverem OK.
- Ah! Aquele tipo de peixe não vai bem em meu aquário... Não adianta! Já coloquei uns 3 e todos morreram...
Pode ser que seu sistema de filtragem não seja o mais adequado para determinada espécie. Por exemplo um mandarim dificilmente se adapta em tanques que não sejam de rochas vivas... Mas o mais comum nestes casos é que seu aquário não esteja bom. Algumas espécies são sim mais sensíveis que as outras, mas se o aquário estiver em boas condições e o peixe saudável, o sucesso é quase garantido.
- Quase?
Sim, quase. O grande problema é que os peixes podem vir com sérios problemas devido à coleta errada ou ilegal como uso de alguns venenos que dopam o peixe para facilitar sua captura. Este veneno é na maioria das vezes fatal, mas pode levar meses até matar o peixe que começa a emagrecer mesmo que apresente boa disposição e apetite. Além do veneno, o peixe pode (e quase sempre vem) muito debilitado devido à longa viagem o que pode levá-lo a morte se não houver tratamento adequado. Por isso sempre digo que a quarentena é um mal (?) necessário e aumentam as chances de sucesso em 80%.
Além destes problemas existe a implacável seleção que a mãe natureza faz. 99% dos peixes que compramos nas lojas são juvenis, e, por isso, irão sofrer a seleção onde só os mais fortes sobrevivem. Peixes com problemas congênitos irão sucumbir e a culpa não é sua.

PARA RESUMIR:
Todo aquário deve ter :

- Uma forte circulação - bombas nacionais em geral perdem bastante potência na água salgada (devido à densidade) e quase sempre que acaba energia elétrica não retornam ao trabalho quando esta volta. Por este motivo são totalmente (e infelizmente) contra-indicadas para água salgada. Além disso, necessitamos de muita movimentação de água por diversos motivos como maior dissolução de CO2 na água que evita formação de ácidos quando se juntam a moléculas de hidrogênio, maior mistura de oxigênio na água já que sabemos que há uma dificuldade muito maior em relação a água doce para dissolução deste gás devido à densidade, manutenção de boa limpeza na mucosa e exercício dos peixes, eliminação de pontos mortos, etc... Tenho usado e recomendado 20 vezes o total do aquário passando pelas bombas por hora, o que significa que para um aquário de 100 litros, 2000 litros em bombas. Até agora todas as pessoas que usaram esta quantidade se mostram muito satisfeitas e seus aquários permanecem muito estáveis (veja comentário ao final da matéria).

- Iluminação na quantidade e qualidade adequada - Em aquários marinhos sejam eles de filtros biológicos de fundo, dry-wets ou rochas vivas, as lâmpadas não servem apenas para iluminar, mas também tem papel importante como esterilização (Raios UV) e realização da fotossíntese pelas algas entre outras coisas, portanto recomendo 0,5watt por litro de água, ou seja, para um tanque de 100 litros, ao menos 3 lâmpadas de 15watts. A qualidade também é importante. Use lâmpadas que puxem para o azul, ou seja, possuam uma temperatura de cor sempre acima de 5.000 graus K. As mais conhecidas são Coralife 50/50, Triton, Tricromatic, entre outras. Não é obrigatório o uso de lâmpadas azuis (actíneas), mas estas lâmpadas dão um toque especial ao tanque. Não use lâmpadas indicadas para água doce como aqua-glo, gro-lux, etc... Lâmpadas HQI 10.000K são show de bola, mas nestes casos, o uso do chiller é indispensável.
- Preocupação com temperatura - Os aquários marinhos não podem ser quentes como os de água doce. No habitat natural, os peixes estão habituados muitas vezes a temperaturas que giram em torno de 18 graus. Na média, pensamos que 24 graus seria o ideal. Em aquários com sistemas convencionais, que não usam refrigerador, sabemos que é impossível mantermos esta temperatura. Mas devemos evitar fontes de calor excessivo. Reatores na tampa de madeira - nunca devem ser colocados aí, mas na parte de trás ou de dentro do móvel; basta passar fios - tampas de madeira sem ventilação - todas as tampas deve ter "respiros", ou seja, devemos deixar vãos de ventilação ou usar ventiladores de computador para ventilar, etc... O uso de ventiladores pequenos na tampa de madeira, voltados para baixo, soprando a água, também são uma boa alternativa.

- Carvão ativado sempre novo - Não importa qual o sistema, mas o carvão ativado deve estar sempre presente e ser freqüentemente renovado. No caso de filtros biológicos, em geral, os fabricantes de filtros externos não colocam carvão na quantidade suficiente nos refis, e por isso devemos colocar um adicional de carvão ativado que pode ser colocado no vão livre que os filtros costumam ter.
- Boa higiene - as trocas parciais e as sifonagens periódicas devem ser consideradas obrigatórias já que são pontos-chave para a longevidade do aquário. Não devemos usar filtros do tipo "canister" como o famoso "Fluval" por exemplo. Este filtro em um aquário de rochas vivas serve apenas para manter o aquário sujo e reter diversos microorganismos que seriam importantes para o bom desempenho do aquário

- Uso de tamponador - Não importa qual o tipo ou sistema de filtragem que usa. Todo tanque deve ter elevada quantidade de bicarbonatos que não permitirão quedas de pH e manterão sua água em torno de 8.3 a 8.5. O tamponador é um produto, geralmente em pó que deve ser usado semanalmente ou sempre que a reserva alcalina estiver baixa. Nos testes da Tetra, devemos manter em 8 a 9dKH. Nos testes Red Sea, devemos manter em torno de 2.8 a 3.2 meq/l . Ambos são o mesmo valor, apenas em formas de medida diferentes. O pH de um aquário marinho é fator de máxima importância.

- Controle do Nitrato - Embora não seja tão nocivo aos peixes, principalmente se em baixas concentrações, o nitrato deve ser mantido abaixo de 50ppm em tanques para peixes e zero em outros sistemas. O sistema Jaubert, ou sistema desnitrificador deve ser feito no momento da montagem do tanque. Afinal de contas, basta colocar placas de biológico no fundo do tanque, sem placa torre, e jogar por cima cerca de 10cm de cascalho de halimeda.

- Sistema de filtragem definido - Isto vai depender da sua condição financeira, tempo disponível para cuidar do tanque, do quanto você gosta de seu aquário, e por fim, do que você realmente intenciona ter em seu tanque. Os três sistemas mais conhecidos dos brasileiros são :
- Filtro Biológico de Fundo
- Dry-Wet
- Rochas Vivas

Autor : Sérgio Gomes data da publicação - Janeiro de 1997


Observações atuais do Autor (2001)
- A situação do aquarismo marinho brasileiro melhorou muito da época da publicação desta matéria até hoje, mas ainda assim, encontramos muitos aquários marinhos desastrosos, especialmente esses kits que são vendidos em lojas por aí, que custam barato, são práticos, bonitos, já vem com skimmer...Uma beleza... Só que o resultado final, após alguns meses desde a montagem, é sempre o mesmo. Calabouço. Gente, aquários marinhos não são brinquedos, não são baratos e peixes não são flores que quando murcham compramos outras e pronto. Temos de respeitar estes seres que são complexos e delicados. Enquanto nós brasileiros não nos conscientizarmos disto, mataremos e faremos sofrer ainda muitos e muitos peixes....

- Com relação às lojas, tenho visitado muitas e tenho gostado do que tenho visto na maioria delas.
Se muitas ainda não são o top de linha, ao menos estão buscando isso, procurando ofertar produtos e animais de boa qualidade aos clientes e oferecer informações. Infelizmente ainda existe muito lojista administrando sua loja de aquários como se fosse um boteco de vender pinga. Só o que é barato é oferecido, como se o cliente fosse incapaz de pagar mais por qualidade. Isso tem que acabar nesse hobby. Xôooo lojas boteco...

- Em um ponto da matéria digo que skilter seriam as únicas opções para aquários de filtros biológicos, mas hoje existem skimmers que são facilmente encaixáveis na parte traseira do aquário.

- Na época em que escrevia a matéria realmente tinha aquários com movimentação em torno de 20 vezes o total de água do aquário passando pelas bombas, mas isso gerava uma série de inconvenientes, como excesso de consumo de energia elétrica, aquecimento excessivo do aquário e alguns corais não se adaptavam a tanta movimentação, embora a maioria dos peixes vivesse maravilhosamente bem. Nos dias de hoje, usamos a gira-giras, ou osciladores de fluxo, que são aparelhos que movimentam o jato de água de um lado para outro, otimizando assim a movimentação de água e possibilitando usar muito menos bombas. Para se ter uma idéia, em um aquário de 120 litros, costumo usar apenas uma bomba Maxi Jet 900l/h ou 1000l/h acoplada a um gira-gira. Os resultados são melhores, o consumo ínfimo e não há problemas com o aquecimento.

 
 
Alimentação: um problemão
     
 

A alimentação em aquários, sejam eles marinhos ou de água doce é fator de fundamental importância. A qualidade da mesma deve ser a melhor possível para que consigamos suprir as necessidades de nossos peixes que, na natureza encontram tudo o que lhes é necessário para um perfeito e rápido crescimento e desenvolvimento das mais variadas cores.
Ao contrário do que muitos pensam, os peixes precisam comer muito. Mas muito meeesmo. Mas isto também não significa que devemos virar um pote de comida em nossos aquários.
Não sei porque se convencionou dizer que peixes em aquários comem por repetição. O comportamento alimentar dos peixes em aquários não é diferente do comportamento no ambiente natural. Nos tanques, assim como na natureza, comem tudo o que encontram pela frente e não apenas o que é necessário para seu desenvolvimento como muitos imaginam. Ocorre que na natureza, para encontrar o alimento é exigido certo desgaste, ou seja, os animais precisam se esforçar nadando quilômetros diariamente para achar comida, e em nossos tanques, devido ao espaço limitado não há este desgaste, portanto, seus organismos exigem menos alimento que na natureza. Este controle da quantidade deve ser feito por nós mesmos usando o bom senso.

CADEIA ALIMENTAR

Os peixes, na natureza, exercem papel de consumidores e alimento, ou seja, são predadores de determinados seres (como algas, crustáceos e moluscos ou mesmo peixes menores) e também servem de alimento para outros seres (como algas e pequenos animais - quando morrem ou quando defecam - e outros animais como peixes maiores ou alguns mamíferos).
O fator alimentação é portanto um dos principais limitadores de população de um ambiente, impedindo que algumas espécies se proliferem de maneira exagerada, o que poderia comprometer todo um ecossistema. É claro que o número de predadores naturais também controla a população de determinada espécie sendo portanto um dos fundamentais limitadores populacionais, mas ainda assim estamos falando de alimentação, só que neste caso, do ponto de vista dos predadores.
Na natureza, os peixes encontram o que precisam para se alimentar, mas não como num aquário quando oferecemos alimento. Nos recifes de coral, rios e lagos o alimento está espalhado obrigando-os, como dissemos, a percorrer distâncias enormes durante um dia, e é por não encontrar alimento como encontram nos aquários, ou seja, de uma só vez, é que os peixes em ambiente natural não "comem até estourar".
Se houver uma interrupção na cadeia alimentar podem ocorrer catástrofes ecológicas como extinção de determinadas espécies neste local.
Um exemplo prático é o papel do nosso jacaré no pantanal...Este animal é um dos poucos predadores naturais de piranhas, e as piranhas comem outras espécies de peixes. Se houver uma diminuição significativa na população de jacarés, haverá uma população excessiva de piranhas que acabarão por extinguir outras espécies de peixes e até talvez sua própria por escassez de alimento.
A maioria dos peixes come tudo que lhes aparecer pela frente e não têm parâmetros de quando cessar, tanto na natureza quanto em nossos aquários. A diferença, como já vimos, está na dificuldade de encontrar alimento.
Fundamentalmente, o que quero dizer é que é incorreto dizer que os peixes precisam comer pouco. Precisam comer o necessário. O necessário é a quantidade suficiente para mantê-lo com aparência gordinha.
Quando mergulhar, ou assistir a uma fita de mergulho ou mesmo de peixes de rio, reparem que a vida dos peixes é procurar comida. Estão sempre à procura de alimento. São muito esfomeados, e este é um dos sinais que o peixe está se sentindo bem. Este deve ser o comportamento de um peixe em um aquário.
- Gordinho? Quer dizer que nossos peixes precisam ser gordinhos?
Basicamente sim.
Você já pescou algum peixe em um rio ou represa que estivesse magro? Você comeria um peixe com esta aparência? O primeiro pensamento seria : "Hummm ! Este peixe é contaminado..."
Se já mergulhou ou assistiu á fitas de mergulho, já viu algum peixe magro? Eu nunca. Todos os peixes que vi em habitat natural me pareceram empanturrados de comida. Gordos mesmo, e sempre procurando mais.
Nos aquários, devemos ter o cuidado de não deixá-los empanturrados, mas basicamente gordinhos, com aparência "roliça".
Muita gente sabe disso, e decide então alimentar várias vezes por dia em grande quantidade...
Daí surge o grande, e porque não dizer, maior problema dos aquaristas de maneira geral : O Excesso de Alimento

ALIMENTAÇÃO EXCESSIVA

Venho dizendo durante toda a matéria que os peixes precisam comer muito e ser alimentados com os mais variados sabores de alimento que existem no mercado mundial de aquarismo, mas devemos tomar um cuidado básico: Alimentar da forma correta.
- Mas como assim? Alimentar é só jogar a comidinha no aquário e pronto!
Está errado.
Alimentar é talvez a coisa mais importante que o aquarista deve fazer em seus aquários e não pode ser encarada assim, com tanta simplicidade.
Alimentar corretamente, é prover aos peixes quantidade e qualidade necessária para que supram suas necessidades físicas sem deixar sobras no aquário.
Pense comigo: Se acabar sua refeição e jogar o resto de sua comida em um canto da cozinha, o que vai acontecer? Apodrecer, não é? Quais as conseqüências à saúde das pessoas que vivem na sua casa isto pode trazer? Imagine então se todos os dias, os restos de suas refeições forem se acumulando no canto de sua cozinha... Quais seriam as conseqüências? O que isto poderia lhe trazer em termos de queda na qualidade de vida de sua família?
Pois no aquário, ocorre pior. Se sobrar, vai apodrecer trazendo conseqüências terríveis ao ambiente como um todo.
Alimentando sem sobras, os filtros biológicos e mecânicos, desde que estejam bem dimensionados e em bom funcionamento se encarregarão de eliminar todo material orgânico que o aquário produz. Claro que recursos como sifonagens e trocas parciais ajudam e devem ser feitas periodicamente de acordo com as instruções de seu tipo de aquário.

COM O QUÊ ALIMENTAR

O tipo de alimento que será administrado, depende fundamentalmente do tipo de aquário e espécies de peixes que você tem.
No mercado temos vários tipos de alimento como :
· alimentos em flocos;
· alimentos granulados ou em forma de bolinhas;
· alimentos para peixes de fundo como botias, corydoras;
· alimentos industrializados para peixes grandes e carnívoros;
· alimentos desidratados;
· alimentos hidratados;
· alimentos vivos como artêmia, blood worm, dafnia, tubifex, etc...
· alimentos congelados
· alimentos em forma de patê com misturas variadas
· alimentos de lenta dissolução para finais de semana
· etc...
Todos são muito bons e cada espécie apresenta algumas exigências distintas, mas basicamente, devemos procurar oferecer aos peixes uma mistura com vários tipos de alimento mas, para não exagerar na dose, que tal um dia dar um tipo, no outro, outro tipo e assim por diante?
Apenas verifique se o alimento que você usa não tem pó. Passe o dedo na parede interna do pote e veja se não está cheio de pó. Peixes não comem pó, por isso, mude de marca. Esse pó irá misturar-se à água e acabar com a qualidade da mesma. Além disso, comida suja, via de regra é de má qualidade. Fique atento. Não é porque você vê propagandas em todos os lugares que a comida é boa. Faça o teste do dedo, do cheiro (tem que ser forte) e da cor (tem que ser consistente).

QUANTO E COMO DEVO ALIMENTAR

Esta é a parte mais importante, e como dissemos, alimentar deve ser encarado com seriedade. Devemos realizar uma espécie de "ritual".
Não importa qual o tipo do alimento, procure seguir esta regra básica:
Dar um pouquinho de nada (uma pitadinha) apenas para chamar a atenção da "galera". Quando todo mundo, ou ao menos a maior parte estiver ali, esperando você jogar mais, jogue uma pitada pequena, mas maior que a anterior. Repita isto mais uma ou duas vezes, até que perceba uma diminuição na voracidade do apetite de seus peixes, sempre muito atento para que nenhum floquinho ou bolinha ou pedacinho do que quer que seja fique pelo aquário. Cada nova pitadinha só deve ser administrada quando absolutamente todo alimento for consumido. Com isso, todos ficarão satisfeitos e nada sobrará no tanque.
Se quiser, diminua um pouco a quantidade de alimento e poderá até alimentar duas vezes por dia.
No caso de aquários marinhos, isto também pode ser feito. Uma alimentação diária em grande quantidade pode causar problemas como o aparecimento indesejável de algas filamentosas bem como problemas no equilíbrio do tanque. Não deixe sobrar nunca!
Lembrem-se que peixes marinhos na natureza não comem da superfície, ou seja, não tem o hábito de buscar alimento na superfície da água, e por isso podem ter problemas para se adaptar com alimentos industrializados como flocos ou alimentos granulados por exemplo.
Para solucionar este problema, e estimulá-los a comer, pode-se pegar um copo de água (doce ou salgada) e jogar os flocos e granulados dentro. Se quiser, coloque também um pouco de artêmia viva ou congelada. Misture levemente e adicione com água. Lembre-se: Tudo isso da mesma forma já mencionada. Isto também pode ser feito para água doce, mas devemos sempre ter o cuidado de nunca deixar sobrar alimento.

Problemas com apetite?

É comum aos peixes marinhos e algumas espécies de água doce não aceitarem comida ou não se interessarem pelo alimento fornecido pelo aquarista. Quando isto ocorre podemos ativar o instinto natural de caça de nossos peixinhos fornecendo-lhes artêmias salinas vivas. As artêmias são pequenos crustáceos sem carapaça altamente nutritivas e que, por nadarem de maneira irregular quando colocadas no tanque podem estimular este instinto em um peixe sem apetite.
Mas, devemos dar um tratamento a artêmia antes de adicioná-la ao tanque: Coloque sob água de torneira a artêmia recém comprada na loja em uma redinha própria para este uso. Em seguida, coloque-as em um copo com água doce e deixe por cerca de 10 minutos. Jogue-as na rede novamente e então coloque-as novamente em um copo com nova água doce e então jogue-as de maneira já mencionada no tanque.
Se quiser adaptar seu peixe a comer alimento industrializado, adicione-o aos poucos junto a artêmia e vá com o tempo diminuindo a quantidade do crustáceo e aumentando a quantidade de flocos até que consiga eliminar a artêmia, mas é sempre bom, vez por outra alimentar seus peixes com este pequeno ser por seus altos índices de nutrientes.
Se por um acaso, alguma catástrofe como excesso de comida jogado no tanque por empregada, criança, cunhado ou entes familiares queridos que ignoram o ritual da alimentação procure retirar com uma rede ou mesmo sifonar (aspirar) todo o excesso de alimento trocando um pouco da água e o carvão, e rezar para que nada de mais grave ocorra.

CONCLUINDO

95% dos aquaristas que tem tido problemas com seus aquários nos dias de hoje não sabem, mas seu problema é com o excesso de alimentação, ou, melhor dizendo, alimentação errada que gera sobras que acarretará no apodrecimento parcial ou total do tanque causando mortes e mais mortes.
Siga corretamente o ritual da alimentação e , desde que possua um aquário bem montado e efetue as manutenções necessárias, terá fatalmente um tanque saudável e livre de fungos e parasitas oportunistas por muito e muito tempo.

Autor : Sérgio Gomes / 1997

 
 
Aquarismo - Mitos e realidades
 

O aquarismo, não se sabe por que, carrega, especialmente aqui no Brasil, diversas lendas a seu respeito ao longo dos anos. Particularmente, acredito que isso se dê devido à falta de informação generalizada e também pela criatividade do brasileiro.
Neste artigo, tentarei esclarecer alguns pontos que poderão auxiliar, especialmente os profissionais interessados em não propagar falsas informações, e principalmente interessados em divulgar e propagar mais o aquarismo.

Aquário dá muito trabalho. Só quem tem muito tempo é que pode ter um aquário em casa.
Quem pensa assim, obviamente não tem a menor noção do que é um aquário de verdade, e muito provavelmente, se teve aquário, o mesmo nunca funcionou direito.
O trabalho que um aquário dá se limita a :

1 - trocas parciais uma vez por mês, cerca de 30% do total, acompanhados, dependendo do sistema de filtragem, de sifonagem (aspiração do cascalho).. Claro que existem exceções como os aquários dos peixes Discos, onde estas trocas devem ser feitas 2 vezes por semana, mas via de regra, com uma troca parcial de 30% ao mês é suficiente. Gasta-se , com cada troca, cerca de 10 a 30 minutos, dependendo do tamanho do aquário. Mesmo assim, existem empresas que prestam este tipo de manutenção por preços bem razoáveis.

2 - Alimentar todos os dias. Pode-se alimentar de 2 a 4 vezes ao dia, mas de maneira correta. Excesso de alimentação acaba com o aquário. Gasta-se com isso no máximo 5 minutos por dia.

3 - Limpar o vidro. Usa-se um imã, onde não se molham as mãos e consegue-se limpeza interna e externa. Gasta-se com isso de 5 a 10 minutos. A frequência depende muito de aquário para aquário. Os de água doce, em geral, requerem limpeza quinzenal. Os de água salgada, semanal ou no máximo 2 vezes por semana.

4 - Adicionar suplementos. Normalmente precisamos usar alguns suplementos na água, em especial em aquários de plantas aquáticas ou de água salgada. Seguindo a recomendação de cada suplemento, devemos estipular os dias corretos de dosagem. A dosagem de suplementos varia de aquário para aquário, mas nunca leva mais de 2 ou 3 minutos na dosagem.

5 - Limpeza dos filtros. Normalmente fazemos isso quando efetuamos a troca parcial mensal. É um trabalho muito simples que pode levar menos de 1 minuto para fazer. Normalmente os filtros possuem refís, e ao aquarista, basta trocá-los. Em aquários de água salgada, o único filtro existente deve ser o skimmer. Neste filtro, basta uma limpeza do copo receptor. Esta tarefa nunca leva mais que 5 minutos.

6 - Verificação geral - Uma olhadinha nas condições gerais dos peixes, do aquário como um todo e eventualmente alguns testes podem ser feitos. Esta tarefa, na verdade, é a de contemplação, ou seja, não pode nem ser considerada tarefa, mas sim, parte da curtição do hobby.

aquario
Todos os meses eu tenho que lavar o aquário.
Nunca, eu repito, nunca, em hipótese alguma, devemos lavar o aquário todo. Aquela história de tirar toda a água, peixes para lavar pedras, vidros e bombas simplesmente não existe. O aquarista que fizer isso, está fadado ao fracasso, ou simplesmente arriscando a vida de todos os habitantes do tanque. Isso porque um aquário para atingir um bom nível de "maturação" leva em média 6 meses.
   
aquario
Toda vez que desmontamos um aquário, todo o período que levou até a maturação do aquário é perdido, e deve-se recomeçar tudo de novo.
Isso cria uma instabilidade que pode proporcionar o caos no aquário, especialmente se o mesmo for bem habitado.
Para evitar estas limpezas desastrosas, medidas como, alimentar corretamente, sifonagens (aspirações seguidas de trocas d'água) mensais, um bom filtro externo - em aquários de água doce, ou um skimmer eficiente - em aquários de água salgada - e evitar a superpopulação são os métodos corretos.

Aquário de água doce dá muito menos trabalho que um aquário marinho.
Está aqui um bom exemplo de má informação, principalmente a respeito de um aquário marinho.

Um bom aquário marinho, é sim, entre 3 a 8 vezes mais caro que um aquário de mesmo tamanho que seja marinho, mas em relação ao trabalho, dependendo da configuração, um aquário de água doce chega a demandar de 3 a 4 vezes mais tempo de manutenção que um aquário de água salgada.

Podas nas plantas, trocas parciais duas vezes por semana no caso dos discos, controle de pH e KH no caso do uso de CO2 para plantas, etc... são alguns exemplos.
Um aquário marinho, é sim, muito mais caro, mas normalmente demanda o mesmo tempo de manutenção que um aquário de água doce.

Peixe é assim mesmo. Morre a toa. Morreu, tem que comprar outro. Se não fosse assim, as lojas não conseguiriam ganhar dinheiro.

Esta sim, é, seguramente, a maior asneira que alguém poderia falar a respeito do aquarismo, seja ele marinho ou de água doce. Peixes podem permanecer vivendo muito bem por anos e anos. Dependendo da espécie, podem ficar em nossos aquários por mais de 10 anos.
Se os peixes estão morrendo com freqüência, é porque o aquário é uma porcaria digna ir voando para o lixo, ou ao menos, é sinal que o aquário precisa de uma revisão no conceito.
Muitos são os motivos para que os peixes morram com freqüência, e 95% destes motivos são causados por falta de informações precisas na hora da montagem. O peixe é um animal sensível e seu organismo exige algumas coisas. Limpeza e oxigenação são as duas exigências principais. Por isso, cuidados na forma de alimentar, filtros eficientes e manutenção adequada resolvem estes problemas.
No caso de loja, sempre há ganho quando o cliente fica satisfeito. Mais clientes serão indicados, mais aquários serão vendidos, e, por conseqüência, serão vendidos, mais peixes, alimentos, etc...

Isso aqui na minha loja não vende.
Muitos lojistas perdem muito dinheiro porque acreditam piamente nesta afirmação. Se não vende é porque o lojista não tem para oferecer. Alimentos importados, de qualidade, filtros modernos, lâmpadas especiais e novidades em geral, devem estar sempre a disposição do cliente. Aquaristas gostam de novidades, e estão sempre correndo de loja em loja. Uma loja de aquário é considerada boa quando está sempre trazendo novidades, e nunca deixando faltar na prateleira produtos de qualidade. O baratinho também deve estar na prateleira, mas se ganha dinheiro e clientes mesmo é nos produtos especiais e de qualidade. Por isso, nunca deixe de investir na sua loja, trazendo estes produtos novos e peixes mais caros e exóticos.

Sérgio Gomes - Matéria publicada na revista Pet Mazgazine - Agosto 1999

 
A doença do Aquário Ruim II
 

Na primeira parte da matéria definimos os principais problemas na montagem e estrutura dos tanques marinhos que comumente encontramos, e entre todos os problemas o principal, sem sobra de dúvidas é a falta de definição de um sistema de filtragem, ou seja, misturam-se sem qualquer fundamento, rochas vivas com filtros de fundo, ou ainda filtros canisters com rochas vivas, ou dry-wets com filtros biológicos de fundo, e assim por diante, e são usados critérios estranhos na definição de alguns parâmetros como skimmers, tipo de iluminação etc.
Estas misturas, como vimos, podem nos trazer uma série de problemas a médio e longo prazo, como perda na coloração de peixes, altos níveis de elementos tóxicos, quedas bruscas de pH e tantos outros problemas que podem parecer misteriosos ao aquarista quando acontece, mas que na verdade poderiam ser evitados.
Quem nunca viu ou ouviu dizer : "Estava tudo bem, e de repente BUM! Morreu tudo" ?
Para ajudar o aquarista a não se deparar com problemas deste tipo, trataremos da montagem e manutenção de aquários de filtros biológicos de fundo. Na próxima será o dry-wet e depois rochas vivas.

O que é um filtro biológico?

Todo e qualquer tipo de filtro que viabilize a manutenção e reprodução de determinado tipo de bactéria com propriedades de transformação de elementos, de forma a não permitir que altos índices de toxidade sejam encontrados em nossos tanques. Em outras palavras, é o coração de todo e qualquer aquário seja ele marinho ou de água doce.
Em nosso caso, o filtro biológico tratado neste artigo fica no fundo do tanque, mais precisamente sob o cascalho. É sem dúvida um sistema obsoleto que traz uma série de problemas ao aquarista. Não recomendo a ninguém montar este sistema nos dias de hoje. Seria o mesmo que ir a uma loja de microcomputadores e comprar um XT.

- Mas funciona?


Sim e não. Funciona se o aquarista tiver tempo de sobra para ficar de olho em todos os problemas que este sistema pode apresentar, e, não funciona se o aquarista não for muito criterioso, pois neste caso, a qualidade da água cai e os peixes passam a sobreviver, e não mais viver bem, como deve ser o objetivo de todos os aquaristas.
Veja, não é correto dizer que o sucesso de um aquário é constatado quando os peixes não morrem. O sucesso de um aquário é algo muito mais profundo e só é constatado quando por considerável período de tempo os peixes estiverem saudáveis com as cores e formatos do corpo perfeitos como no primeiro dia em que chegaram ao tanque, e não com tons desbotados e corpos deformados. Um peixe pode viver por anos em um aquário mal cuidado.

- Como assim? Você mesmo sempre diz que um aquário mal cuidado mata os peixes...!

Sim, mas quando as pioras são lentas, gradativas o peixe pode se manter vivo, pois não sofreu choques, e então passa a definhar lentamente em um sofrimento constante e diário, mas às vezes (ou muito freqüentemente) o aquarista não percebe por falta de parâmetro. Então se torna comum o aquarista afirmar que o aquário está bom, os peixes se alimentando bastante, mas na verdade, os peixes definham a cada dia e agonizam um sofrimento sem fim.
Por este motivo é que muitas pessoas recomendam palhacinhos e donzelas para aquários de filtro biológico, pois estes são mais resistentes, mas eu lhes pergunto: Que culpa tem os bichinhos de serem mais resistentes? Só por este motivo merecem sofrer?
Aquários mal montados, normalmente começam com peixes variados como Parus, Ciliaris, Tricolor, eventualmente alguns importados como Yellow Tangs, Blue Tangs, algum borboleta e os palhaços e donzelas. Depois vão morrendo os mais sensíveis como Ciliaris, Tricolor, Blue Tang... O aquarista compra novamente, mas após alguns dias ou semanas, morrem novamente. Tentam pela última vez, e mais uma vez estes morrem. " Mas os outros estão tão bem..." pensa o aquarista. Desistem do peixe e passam a afirmar : "No meu aquário este peixe não vai bem". Passa o tempo e podem ocorrer problemas com o Paru e talvez o Yellow Tang... Outros são comprados, mas não resistem. Acabam sobrando mesmo os palhacinhos e as donzelas que são submetidos a duras provas de resistência até que um dia, sem motivo aparente, morrem.
É claro que este é um caso extremo, mas pode ocorrer destes mesmos peixes como Ciliaris, Tricolor, etc se manterem vivos por um bom período de tempo, mas perdem suas coloraçoes originais ficando opacos e seu crescimento é reduzido e seu corpo vai se deformando. Alguns peixes ficam com olhos grandes (desproporcionais ao tamanho do peixe) ou muito magros, ou com cicatrizes como se fosse uma linha lateral no corpo. Pequenos furos e desbotamento de determinadas regiões também são bastante comuns.
Daí vem a diferença entre sobreviver e viver bem. Um peixe pode se alimentar bastante e nadar com vivacidade, e ao mesmo tempo estar sofrendo um bocado.
Para que não se torne um torturador ou exterminador de peixes marinhos, aconselho que tenha como referência fotos coloridas de boa qualidade de peixes saudáveis, e também, se tiverem a oportunidade, vejam o peixe no exato dia em que ele chega na loja, pois em geral estes ainda mantém suas cores originais. Compare isto com as cores de seus peixes, e também formato dos corpos e aspecto geral.
Como disse, um aquário de filtro biológico de fundo pode funcionar bem, mas a probabilidade é pequena. Basta dizer que em minha experiência pessoal verifico que a cada 10 aquários deste sistema que são montados, 8 não tem capacidade sequer de manter peixes vivos por mais de 6 meses, 1 mantém peixes em estados lastimáveis e apenas um consegue manter um padrão de qualidade aceitável.
A seguir algumas dicas de ouro para que consiga manter bem e por bom tempo peixes em seu tanque de filtro biológico.

- Alta circulação interna - Ponto principal de qualquer aquário marinho. Como muitos dizem, o mar não é um lago! Tenha cerca de 15 a 20 vezes o total de água passando pelas bombas, ou seja, para um aquário de 120 litros, use 2 bombas de 900litros/hora. Veja, isto não é uma regra, mas apenas uma referência. O segredo do sucesso é oxigenar o tanque.

- Use cascalho de boa qualidade como halimeda, por exemplo, mas nunca ultrapasse os 3 a 4cm de profundidade sobre as placas do biológico.

- Sifone (aspire o fundo com aparelho próprio) todo mês o seu tanque trocando 15% da água, usando sal de boa qualidade.

- Não precisa usar filtros caros como Fluval, pois estes fazem a mesma função do cascalho. Com uma boa circulação interna conseguimos atingir o objetivo sem precisar do Fluval, mas se já possui um destes, tudo bem, mas limpe-o a cada mês ou sempre que sifonar e trocar parte da água.

- Use um bom filtro externo. É imprescindível. Não tem como ter um tanque de biológico de fundo sem ter um destes. Nestes casos, (mas somente nestes casos) os skilters podem ser uma boa opção. Use carvão ativado extra em um saquinho e coloque neste filtro. Tanto o refil quanto o carvão DEVEM ser trocados uma vez por mês.

- Se puder, evite as lâmpadas usadas para água doce como gro-lux, etc... Use lâmpadas com temperaturas de cor maiores como as 50/50, 10.000K, entre outras. Se quiser, coloque também uma lâmpada azul. O ideal é procurar ter um mínimo de 0,5watts por litro de água.

- O horário de acender e apagar as luzes é importante para os animais do tanque, pois estes possuem, assim como nós um relógio biológico, ou seja, o organismo sente quando é hora de acordar ou dormir. Por este motivo, instale um timer para acender a apagar as luzes. Um aquário marinho sem timer é um despropósito.

- Nunca deixe suas bombas soltando ar nem mantenha pedras porosas. Bolhas em aquários marinhos não devem existir nunca. Como dissemos, a maneira de se oxigenar um tanque é pela movimentação de água e não com bolhas, que, em água salgada podem provocar maresia afetando não só a instalação elétrica do próprio aquário, mas de todos os aparelhos de sua casa. Além disso, a precipitação do sal contribui para a perda de diversos elementos importantes na composição da água, e também interfere na densidade.

- Certamente, por mais cuidadoso que o aquarista seja, irá se formar na superfície uma camada gordurosa devido ao acúmulo de detritos e material orgânico na água. O jeito é, quando em excesso, tirar com um copo pela superfície jogando esta água fora e colocando água nova, e verificar a sifonagem do tanque. Se estiver na hora, faça-a. Para ajudar na dispersão você até pode colocar ar nas bombas submersas, mas nunca por mais de 30 minutos.

- Evite superpopular este tanque, pois como sabemos, é limitado e pode "abrir o bico" se uma carga grande e constante de material orgânico for produzida todos os dias.

- Alimente seus peixes com alimentos variados, mas sem deixar sobrar!!! Alguns mini paguros ou camarões podem ser úteis pois pegam todos os eventuais restos de comida.

- Não use rochas vivas! Estas não são feitas para o sistema. Os "hóspedes" desta rocha poderão morrer deixando seus restos entre o cascalho e prejudicando a qualidade de água como um todo.

- Use um bom tamponador durante toda a existência do tanque. Mantenha uma reserva alcalina (Alk)entre 2.8 e 3.2 meq/l (7dKH) pois desta forma o pH não cai a níveis perigosos. Quedas bruscas e inesperadas de pH são alguns dos principais problemas deste sistema.

- Use CombiSan ou qualquer outro produto que reponha os principais elementos componetes da água marinha. Cuidado para não exagerar! Evite os Vita-tra-la-lás da vida. Use produtos que tenham estrôncio, molibdênio, iodo, ferro e elementos traços.

- Cálcio, neste sistema, não é tão importante, mas se quiser o aquarista pode usar semanalmente este produto para ajudar a manter a composição química da água o mais parecido com o da natureza possível. Se quiser, pode usar também o kalkwasser, mas cuidado! Somente Durant à noite e gotejando muito lentamente.

Seguindo estas preciosas dicas, certamente o aquarista terá menos problemas e seu aquário se apresentará melhor, mas como sempre digo, as mudanças, caso seu aquário já esteja montado, devem ser gradativas...Mudanças bruscas, mesmo que para melhor devem ser lentas e gradativas, o que significa que as trocas parciais, sifonagens, etc... devem começar a ser feitas em quantidade menor que 15% em aquários antigos onde manutenções periódicas não são observadas, mas em espaço de tempo menor, ou seja, semanalmente, até que o tanque "se acostume" a uma qualidade de água melhor, pH mais alto, etc.

 
 
I Encontro Internacional de Aquarismo
         
 
Foi realizado no dia 16 de outubro de 1999, no Internacional Shopping Guarulhos, organizado pela loja Total Aquarium, um seminário que reuniu alguns dos melhores aquaristas do Brasil e o maior nome do aquarismo mundial, Julian Sprung. Entre os Brasileiros, palestraram Peter Carloni, Alexandre Talarico, Ricardo Miozzo e Sérgio Gomes.
Todas as palestras foram bastante elogiadas e muitas informações novas surgiram.
A organização funcionou muito bem, e muitos aquaristas experientes puderam se conhecer e trocar idéias, telefones e e-mails, o que é muito importante para a evolução dos hobbistas.

 
         
  Peter Carloni Ricardo Miozzo Alexandre Talarico  
  Peter Carloni Ricardo Miozzo Alexandre Talarico  
     
 
 
O primeiro a falar foi Peter Carloni, que está preparando um CD Rom juntamente com Ricardo Miozzo que será, acima de tudo, uma grande obra de arte e conterá informações de qualidade e em enorme quantidade. Sua palestra foi baseada em suas experiências para desenvolver o CD que estará à disposição de todos em breve.
 
         
 

Ricardo Miozzo foi o segundo e abordou alguns assuntos como aquários de plantas, mas principalmente lembrou a todos a importância de termos cuidados com nossos animais e que os peixes não são objetos, mas sim seres vivos, que dependem exclusivamente dos aquaristas para sobreviverem.

 
         
 
Alexandre Talarico deu um show de conhecimento, ética profissional e uma aula de consciência ecológica. Explicou com dados reais de pesquisas científicas realizadas pelos melhores cientistas do mundo que o aquarista , por mais que explore indiscriminadamente regiões de recifes de coral, não causa danos irreparáveis nem males irreversíveis, o contrário acontece com pesca realizada com bombas e poluição indiscriminada. Respondeu perguntas de uma platéia interessadíssima com precisão e fartura de informações.
 
         
  Sergio Gomes Julian Sprung  
  Sérgio Gomes Julian Sprung Evento  
         
 
Sérgio Gomes relembrou os parâmetros básicos para a manutenção de qualquer aquário marinho, e salientou a necessidade do uso de bons skimmers, dando nome aos bois... Montou ao vivo, em menos de 10 minutos um mini reef completo , que respeita a todos os parâmetros exigidos e apresenta qualidade acima do esperado para um aquário tão pequeno.
 
         
 
Julian Sprung, mesmo após uma deliciosa, porém, pesadíssima feijoada servida no almoço pela organização do evento, conseguiu fazer todos ficarem atentos à sua palestra mostrando slides maravilhosos de fotos interessantíssimas de corais e seus predadores, doenças e males. Deu dicas importantíssimas de como curá-los e de como eliminar seus predadores. Após um intervalo de 15 minutos, mostrou imagens maravilhosas de aquários , mergulhos nas ilhas Salomão, e outras curiosidades que deixou a todos boquiabertos. Após sua palestra, uma concorrida sessão de perguntas e respostas.
 
         
 

Foi um evento de efeito raro, onde todos saíram muito satisfeitos. Sem dúvida um marco no aquarismo marinho brasileiro.

Publicado na Revista Aquarium - Janeiro de 2000

 
 
A Importância dos testes em aquários marinhos
     
 

Quando se fala em testes, temos duas reações bem diferentes nos mais diversos tipos de aquaristas. Em alguns se pode ver brilhar os olhos de tanto que gostam de interagir com o microcosmo que tem em casa. Em outros, no entanto, é quase uma ofensa dizer que testes são importantes e necessários, pois simplesmente odeiam e não tem paciência para fazê-los.
Na verdade, eu diria que os testes são importantes sim, e por que não dizer importantíssimos para o bem estar das criaturas que habitam nossos tanques. Mas não há a necessidade de testes e mais testes toda hora, correções e mais testes...
Sou da opinião que aquário bom é aquele que praticamente não colocamos as mãos. Veja, eu disse praticamente. Devemos em certas ocasiões efetuar testes e correções, principalmente nos primeiros meses da montagem, mas estas correções devem ocorrer de forma lenta e gradativa e em alguns casos podem levar meses para conseguirmos atingir níveis ideais.
A seguir, falaremos a respeito dos fatores mais importantes e que mais influenciam em nossos aquários e os níveis ideais destes elementos.
Nitrito
É um elemento muito conhecido, principalmente dos aquaristas mais antigos, e que determinava a hora certa de começarmos a colocar nosso peixes. Trata-se de um elemento bastante tóxico para peixes, nem tanto para invertebrados. Os níveis de nitrito em aquários deve ser zero. Em aquários bem montados, ou seja, com todos os equipamentos necessários, não é mais problema, pois em ambientes bem oxigenados além de haver uma tendência de rápida queda deste elemento, os peixes conseguem sobreviver bem, mesmo em concentrações consideradas altas. Obs. Se aparecer nitrito em aquários antigos, ou seja, já estabilizados, sinto muito mas você tem problemas na montagem de seu tanque, ou seja, possui equipamentos insuficientes ou de baixa qualidade, ou então houve algum desequilíbrio provocado por excesso de alimento, excesso de peixes, ou morte de algum animal.
Se seu aquário for OK, nunca mais você terá este elemento presente em seu tanque em concentrações significativas, o que significa que seria bom, mas praticamente inútil fazer um teste de nitrito periodicamente.
Se seu aquário for novo, você tem todos os equipamentos necessários como quantidade suficiente de bombas, bom sistema de filtragem, etc, e já houver alguns peixinhos no tanque, mantenha a calma e aguarde. Efetue uma troca parcial cautelosamente, mas verifique (caso seu tanque seja de filtro biológico ou dry-wet) se o refil do filtro é novo e está limpo e se não há restos de alimento ou excesso de sujeira no tanque. Coloque excedente de carvão ativado na caixa repositora ou no filtro externo e se for possível, aumente a circulação do tanque e por alguns minutos, coloque uma mangueirinha em uma das suas bombas submersa para fazer com que solte ar para ajudar na oxigenação, mas lembre-se: Uns 30 minutos no máximo. Aguarde que em algumas horas tudo ficará bem.
Se preferir prevenir problemas mais sérios, use um produto chamado Tetra Bactozym que ajuda a reduzir o nitrito e preserva a vida de seus peixes.

Amônia

Elemento altamente tóxico a peixes e invertebrados, aparece em grandes concentrações normalmente em aquários com sérios problemas de equilíbrio ou em tanques com excesso de poluição - que em geral é causado por excesso de alimentos ou peixes - ou com problemas de equipamentos insuficientes ou de baixa qualidade. Em aquários novos também costuma incomodar um pouco, mas assim como o nitrito, só causa estragos se os equipamentos não estiverem em ordem.
Em tanques antigos e bem equilibrados, raramente aparece, mas se aparecer, verifique seu skimmer, quantidade, qualidade e validade de seu carvão ativado, quantidade e qualidade do alimento administrado, quantidade e tamanho de peixes proporcionalmente ao tamanho de seu aquário, quantidade e potência de suas bombas e periodicidade das manutenções obrigatórias. Os níveis de amônia devem sempre ser zero ou muito próximos a isso.

Nitrato

Muita gente confunde nitrato (NO3) com nitrito (NO2). O nitrato, diferentemente do nitrito é acumulativo, praticamente inofensivo aos peixes em concentrações consideradas altas, mas extremamente prejudicial a corais e invertebrados. É considerado um dos principais responsáveis pelo aparecimento de algas verdes em nossos tanques. Seu controle deve ser preventivo, pois quando aparece em concentrações maiores, torna-se bem difícil baixá-lo. Existem no mercado resinas removedoras deste elemento mas só funcionam em concentrações abaixo de 20 mg/l. Caso os níveis deste elemento sejam superiores a isto, efetue trocas parciais com mais freqüência e em maior quantidade, mas veja: Não adianta nada tentar resolver o problema se não atingirmos o que o causa! Se o nitrato de seu aquário for crescente e de difícil controle, verifique se não está alimentando demais ou se não possui peixes demais. Verifique a potência do seu skimmer, qualidade do sal e do carvão ativado que usa e certifique-se que está usando água deionisada e de estar fazendo trocas parciais de maneira correta e no tempo certo. Em aquários de filtro biológicos e dry-wets torna-se praticamente impossível controlar este elemento, mas devemos fazer o máximo possível.
Para controlar este elemento usamos sempre o Sistema Jaubert, que consiste em placas pretas furadas com uma camada de cerca de 10 cm de cascalho de halimeda por cima. Veja mais detalhes sobre o sistema no livro "O Aquário Marinho & as Rochas Vivas".
As concentrações deste elemento devem ser muito próximas a zero, mas são toleráveis, mas não recomendáveis níveis até no máximo 6mg/l. Este teste é indispensável, principalmente para quem possui aquários de rochas vivas.

pH

É muito difícil medir estes valores com testes líquidos já que variam durante todo o dia e devido a difícil visualização dos valores corretos pois o contraste de cores é muito pequeno. Existem no mercado o que chamamos de peagâmetros, que são medidores precisos e eletrônicos de pH que possuem preços elevados, mas são de bastante utilidade.
O ideal para obtermos um resultado interessante, é fazermos 3 testes de pH durante o período de um dia, se não usarmos um peagâmetro digital. Isto porque pela manhã o pH é sempre mais baixo, à noite o pH é sempre mais alto e durante o dia o pH está em transição. Com os 3 valores podemos dizer se tudo corre normalmente no aquário.
Os valores ideais de pH giram em torno de 8.3 a 8.5. Pela manhã os valores podem chegar a 8.10 e à noite, 8.6.
O pH está diretamente relacionado com a reserva alcalina que veremos a seguir. Caso haja necessidade de elevar o pH de seu tanque, recomendo elevar antes a reserva alcalina e esperar algumas semanas até que o pH aumente sozinho. Em caso de pH adulterado, verifique fatores como circulação de água, tipo de cascalho usado, uso ou não de tamponadores, níveis de reserva alcalina (KH), uso ou não de reator de cálcio, etc...
Problemas de pH são muito freqüentes para quem não usa tamponadores (veja a seguir), principalmente em aquários de filtros biológicos de fundo e dry-wets.

KH

Carbonate Hardness, ou reserva alcalina, representam a quantidade (dureza) de bicarbonatos que nossa água apresenta, o que traduzindo para o "entendes", significa a quantidade de elementos que temos na água que não deixarão o pH cair. Os níveis ideais de KH são de 7 a 8 dKh (2.8 a 3.2meq/l). É o teste mais fácil de ser feito.
Para manter estes níveis na faixa ideal, devemos adicionar regularmente tamponadores, que são produtos que contém os sais de bicarbonatos. Cada marca de tamponador apresenta-se de uma maneira com diferentes dosagens e maneiras de administrar. Particularmente uso e recomendo o uso de BioCalcium, que além de sais tamponadores, contém também cálcio em sua formulação.
Fosfato
Inofensivo aos peixes, este elemento é considerado o prato predileto das algas filamentosas que tanto prejudicam nossos aquários, e por isso deve ser mantido a níveis baixos. Para isto usamos skimmers, trocas parciais (usando água e sal sintético de boa qualidade ou água natural de boa procedência), tomamos sempre o cuidado de lavar bem as mãos antes de colocá-las na água, usar carvão ativado e produtos para aquário sempre sem este elementos (indicado no rótulo com os dizeres nitrate and phosphate free), cuidamos para oferecer sempre alimento de qualidade e na quantidade certa, e incentivamos o desenvolvimento de algas calcárias, conseguidos através da manutenção constante de uma reserva alcalina alta e equilibrada e adição regular de cálcio. Os níveis deste elemento devem ser zero ou muito próximo a isso.

Cálcio

Elemento muito importante para aquários de rochas vivas, pois dele dependem para o perfeito crescimento e formação os corais, invertebrados e principalmente as algas calcárias (pink) que são responsáveis pelo crescimento e não erosão das rochas. Deve ser mantido entre 400 e 420ppm, o que não é tarefa muito fácil...
Os níveis de cálcio diminuem quando adicionamos muito tamponador na água. Isso ocorre porque alguns sais tamponadores reagem com o cálcio, gerando uma precipitação deste elemento. Por isso, é importante que o aquarista seja comedido e consciente de que mudanças devem ocorrer lentamente. Se o teste for feito e os resultados não forem satisfatórios, nada de precipitações. Por exemplo. O nível de cálcio do aquário está em 200mg/l. Sem pânico! Aumenta-se a dosagem de adição de cálcio em 10%. Após uma semana, novo teste, e se ainda estiver baixo, mais um aumento em 10% na quantidade de cálcio, e assim por diante. Não faça gangorras de elementos químicos, ou seja, a reserva está alta o cálcio baixo, e você joga uma quantidade grande de cálcio para compensar. Daí a reserva cai e o cálcio sobe, e então você joga uma quantidade grande de tamponador, e assim por diante. Se você fizer isso, poderá causar um desequilíbrio iônico no aquário e as conseqüências serão terríveis.
Se níveis muito baixos de reserva alcalina ou cálcio aparecerem, efetue duas trocas parciais de água seguidas com intervalo de uma semana e uma quantidade equivalente a 25% do volume total de água do aquário. Isso ajudará a re-equilibrar tudo.

Densidade

Na verdade, o que queremos saber mesmo é a salinidade e não a densidade, mas como os "salinômetros" são muitíssimo caros, e por isso inviáveis, medimos mesmo a densidade. Devemos manter em 1020 aquários para peixes e cerca de 1023 a 1024 para aquários de rochas vivas com corais e invertebrados. Aqueles densímetros plásticos importados são a melhor opção, embora pouco precisos. O ideal seria levá-los a um laboratório químico para aferição e calibragem periodicamente para uma maior exatidão nos dados. Lembre-se : Melhor um tanque com salinidade errada que correções e variações bruscas. A densidade está alta, troque um pouco da água de seu aquário e complete com água doce. Nunca mais que 1% por vez para evitar variações bruscas. Se a densidade está baixa, acrescente um pouquinho de sal por dia, até atingir os níveis desejados ou em vez de completar a água que evapora com água doce, passe a completar com água salgada até atingir o objetivo.
Lembre-se: Quedas de densidade não são tão prejudiciais, mas um aumento brusco nestes níveis poderá dizimar a população de um aquário em questão de horas.

Temperatura

Deve girar em torno de 24 a 26 graus. Claro que com o clima de nosso país isto é praticamente impossível sem a ajuda de um refrigerador. Tudo bem, não dá para bancar um destes, ao menos se preocupe em manter seu tanque em local o mais fresco possível e bastante arejado. Lembre-se dos microventiladores que, se instalados na tampa, soprando ar na direção da água ajudarão a esfriar bem o aquário, mas se possível, compre um termostato para ventiladores, disponível nas lojas do ramo e praticamente indispensável para quem usa este recurso de refrigeração.Corais e invertebrados mais sensíveis suportam temperaturas máximas de 28 graus (limite muito perigoso), e peixes seguram a bronca até uns 31 graus, mas não se sentem muito bem, pois quanto mais alta a temperatura da água, menor será a quantidade de oxigênio dissolvido. Para medir a temperatura, o melhor jeito é usar um termômetro eletrônico encontrado no mercado devido à sua precisão e baixo custo. Os termômetros flutuantes são a segunda melhor opção. Cuidado com aqueles do tipo adesivo, pois captam temperaturas externas e não somente da água e passam informações incorretas.
Para se ter uma idéia, 90% das pessoas que têm problemas de ictio em seus aquários nem sabem, mas têm problemas de variação diária de temperatura. Existem aquários que são projetados de maneira incorreta e fazem a temperatura variar cerca de 2 graus durante o período de 24 horas. Isto já é suficiente para causar problemas de saúde aos peixes. Em alguns casos, só mesmo o chiller resolverá o problema.

Potencial Redox - ORP

Pouco conhecido dos aquaristas, potencial redox significa a grosso modo, o potencial de redução de nossos aquários, ou seja, a capacidade que as bactérias benéficas tem de transformar (reduzir) os elementos. Um tanque com alto potencial redox é sempre cristalino, apresenta pouquíssimas ou nenhuma alga, estabilidade impressionante e melhor qualidade de vida dos habitantes. Só pode ser medido por um aparelho eletrônico, mas pode ser notado visualmente se apresentar às características já citadas. Influem diretamente o potencial redox: Higiene, qualidade do sal e da água, qualidade do carvão ativado, quantidade e potência das bombas, quantidade e qualidade dos alimentos, quantidade e tamanho dos peixes, potência do skimmer, etc...
De 340 a 360 milivolts, consideramos bom. De 361 a 390, ótimo e de 391 para cima, muito alto e até perigoso (caso de pessoas que usam ozônio em seus skimmers). Para termos um potencial redox sempre alto, devemos garantir o bom funcionamento dos fatores citados.
É claro que os elementos e fatores aqui mencionados foram descritos de maneira muito superficial, pois se trata apenas de uma matéria - referência. Informe-se melhor sobre cada elemento para ter a certeza de estar fazendo a coisa certa. Maior detalhamento pode ser encontrado no livro "O Aquário Marinho & as Rochas Vivas".
Como vimos, os testes são importantíssimos e em minha opinião devem ser feitos ao menos uma vez por mês, mas em casos especiais, devemos fazê-los sempre que necessário, como quando necessitamos corrigir um fator.
Lembre-se: Tudo isto não serve apenas para aquários de rochas vivas, mas para todo tipo de aquário marinho com qualquer sistema. Um controle rigoroso dos principais fatores só lhe trará benefícios, aliás, benefícios aos seus peixes que não pediram para ser comprados e nem capturados.

Sérgio Gomes - matéria publicada em setembro de 1996 na revista @qua.

 
 
A Importância da circulação em seu aquário marinho
     
 

Um dos principais objetivos de todo aquarista, seja ele marinho ou de água doce, deve ser a formação de bactérias benéficas, que são as responsáveis pela redução, ou, para melhor compreensão, pelo consumo de elementos nocivos e tóxicos produzidos diariamente em nossos aquários. Para que possam realizar este processo, necessitam de oxigênio, e a grosso modo, quanto mais oxigênio, maior será a eficiência destas bactérias que também aumentarão em número significativo sua população.
A movimentação de água é, sem dúvida, a forma mais eficiente de oxigenarmos nossos tanques, e por isso, devemos dar atenção toda especial a este item quando montarmos nossos aquários marinhos.
É muito comum, vermos pessoas associarem bolhas à oxigenação, e é claro que há uma ligação, pois ao estourar na superfície, a bolha quebra a tensão superficial da água, permitindo a mistura do ar. No entanto, devemos evitar a todo custo as bolhas em nossos tanques marinhos, nos cabendo procurar uma alternativa para quebrar a tensão superficial.
Além de oxigenar com eficiência, uma forte circulação de água em nossos aquários, exerce outras funções importantíssimas como:

- exercitar os peixes, evitando que se tornem sedentários e auxiliando em seu metabolismo;

- alimentar invertebrados e corais que retiram da água elementos importantes em sua nutrição;

- permitir que a mucosa protetora dos peixes esteja constantemente renovada e limpa, evitando assim problemas de pele,

- ajuda na redução do stress.

Portanto, uma forte circulação de água em aquários marinhos é fundamental, pois eleva o potencial redox do aquário, ou seja, a potencialidade das bactérias no sentido de consumo de elementos tóxicos, o que faz com que a higiene de nosso tanque seja muito boa, e além disso permite que os habitantes se sintam como na natureza, onde estão sujeitos a fortíssimas correntezas.
Uma boa proporção seria algo como, para um aquário de 200 litros, 2 bombas de 1200litros hora ou até um pouco mais.
Pode parecer exagero para alguns esta alta potência em bombas, mas pense um pouco. Se você nunca mergulhou, certamente já deve ter assistido filmes que mostram o fundo do mar. Tente se lembrar dos animais ou vegetação que ficam no fundo, e verá que estes estão constantemente sendo levados de um lado para outro, e de uma forma bastante violenta.
Quem mergulha sabe que as correntezas são tão violentas que arrastam uma pessoa por mais pesada que seja, e se esta pessoa estiver sem as nadadeiras, pode ser arrastado e se perder. Os mergulhadores também sabem que os peixes pouco se abalam com estas correntezas. Isto porque estão totalmente adaptados a isso. Portanto, uma circulação forte é imprescindível.
Posso garantir que se usar esta vazão, seus problemas serão reduzidos à metade, e em aquários novos, uma semana é mais do que suficiente para que possamos colocar peixes sem nos preocupar com os níveis de nitrito.
Para alguns, economia é o lema, e por isso, comprar bombas importadas e potentes pode parecer uma besteira, e uma "gastança" desnecessária. Para estas pessoas que só pensam em reduzir os custos do aquário, recomendaria um bom aquário de água doce que certamente é muito mais econômico.
Também sou contra "gastança" desnecessária, e tenho uma baita bronca de lojistas que tentam empurrar as coisas de qualquer maneira a pessoas leigas, mas no caso da circulação de água, nunca devemos reduzir quantidade de bombas para fazer economia. Posso dizer que a compra de bombas em quantidade suficiente é um ato que lhe proporcionará muita economia no futuro. Seus peixes se permanecerão sempre saudáveis, e, por isso, as perdas serão menores. Faça o teste. Aumente a movimentação de água do seu tanque, e verá a diferença.
Gostaria que os lojistas prestassem bastante atenção neste ponto, e adicionassem mais bombas em suas próprias baterias. Com isso, o processo de desintoxicação da viagem de seus peixes seria muito mais rápido, devido aos altos níveis de oxigenação da água de seu tanque, além de evitar uma série de problemas com doenças e dificuldades de adaptação de diversos peixes.
Observação: Embora contribua de maneira direta na qualidade da água de nossos tanques, não resolve todos os problemas dos aquários marinhos, assim como nenhum fator isolado determina o sucesso ou fracasso dos mesmos. Portanto, além de uma circulação eficiente, devemos atentar para outros fatores como os skimmers (principalmente se seu tanque for de rochas vivas), as importantíssimas, indispensáveis e insubstituíveis trocas parciais de 20% mensais, higiene, iluminação, carvão ativado, etc.

Perigo das Bolhas
Quando estouram na superfície de aquários marinhos, jogam para cima o sal. Este sal, na verdade é um composto de elementos, e entre estes, estão outros elementos importantes na composição da água. Portanto, com bolhas em seu tanque, além de ter quedas na densidade, ocorre uma perda significativa de alguns sais importantes.
Além disso, corremos o sério risco de curtos circuitos na instalação da tampa do aquário, principalmente se o tanque não possuir tampas de vidro (como nos aquários de rochas vivas onde tampas são "proibidas") e corrosão de outros aparelhos da casa como eletrodomésticos, por exemplo.
Na água salgada são muito finas e demoram a atingir a superfície, ficando a vagar pelo tanque, o que impede a perfeita visualização do tanque.
E por fim, as bolhas irritam a pele de alguns corais e invertebrados, impedindo que estes se abram por completo para receber luz em seus corpos, o que é fundamental para a sobrevivência da maioria destes animais

Sérgio Gomes - matéria publicada na revista @qua em dezembro 1996, e revista Vida no Aquário em fevereiro de 1997

 
 
Algas - Alguns úteis e Importantes aliados
     
 

Ainda hoje o maior e o mais freqüente problema dos aquaristas em nosso país continuam sendo as feias, perigosas e persistentes algas daninhas.
Em parte este problema ocorre devido à má montagem dos novos aquários, por causa da velha mania que temos em procurar sempre o mais barato mesmo que isso venha comprometer a qualidade.
Não preciso mais dizer que, mão de vaquice, sovinice, pão-durismo e fuinhice em aquários de rochas vivas, em 95% dos casos, não dão certo, e talvez não precisasse mais dizer que aquários de rochas vivas, principalmente se forem para corais e invertebrados, são realmente caros e que até podemos procurar métodos mais econômicos, mas sabendo que o que se economizará em dinheiro, se gastará proporcionalmente em tempo e dedicação.
Em geral, o mais fácil é procurarmos pelos melhores meios, e estes, em geral não são os mais econômicos.
Portanto, o objetivo desta matéria é que o aquarista veja que temos alguns novos e também já velhos aliados conhecidos de todos que podem nos ajudar e muito na árdua (?) tarefa do combate as algas.

Peixes:

Os peixes são importantes aliados no combate as algas, mas é claro que não estou falando de qualquer tipo de peixe. Refiro-me aos vegetarianos, e são justamente estes, os primeiros peixes que devem habitar nossos tanques, já que exigem pouco alimento extra, são bem resistentes e comem muita alga, o que nesta fase inicial é muito importante pois normalmente o tanque encontra-se em desequilíbrio e com excesso deste indesejável vegetal.
Alguns peixes recomendáveis são:
Yellow Tang: Peixe muito resistente, apresenta baixo preço e rara beleza. Dicas: Na primeira semana, convém alimentá-lo de preferência com artêmia viva e flocos para que se adapte ao novo tanque, e depois diminua a quantidade de alimento forçando-o a atacar as algas - o que ele fará sem muita cerimônia.

O Yellow Eye é também bastante recomendado por ser um "fanático" por algas, e talvez o maior de todos. É um verdadeiro "boi" que fica "pastando" o dia todinho e em alguns casos se recusa a aceitar alimentação por parte do aquarista: Dica : Se quiser ter macro-algas, esqueça esta espécie. Devorará todinhas.

O Blue Tang, ou Hepatus como é normalmente conhecido também pode ser boa opção, embora seja um pouco mais caro que os anteriores e também mais delicado. Dica: Compre peixes desta espécie de tamanho médio. Os pequenos são muito fracos. São tímidos e podem ter problemas para se alimentar, por isso recomendo alimentação diária nos primeiros dias.

O Dejardini como é normalmente conhecido é um peixe muito interessante, e tem algumas características bem particulares, entre elas o hábito de comer Valônias que para quem não sabe são as marditas das algas bolha, que podem se alastrar por todo tanque em pouco tempo. Dica: Tamanhos médios apresentam maior resistência e alimentação diária nos primeiros dias é fundamental.

O Fox Face também é uma boa opção, no entanto, assim como o yellow eye, devora
todo e qualquer tipo de macro-alga, não deixando-as desenvolver, mas em se tratando de filamentosas, é um dos maiores devoradores

Lembre-se : Estes devem ser os primeiros peixes a habitar seu aquário!!! Alimente muito pouco, ou simplesmente não alimente estes bichos depois de adaptados ao aquário para forçá-los a atacar as filamentosas...

Pequenos Bichos:

Alguns pequenos invertebrados também consomem uma quantidade bastante grande de algas, e podem nos ajudar e muito a mantermos nosso tanque livre destas algas.

O Turbo Snail é um destes pequenos seres. Trata-se de um molusco relativamente resistente - pois é sensível a mudanças bruscas, especialmente de temperatura - barato e praticamente imperceptível em nossos tanques - exceto quando cismam de ir para o vidro da frente. Costumam, em aquários mais infestados, deixar um rastro de limpeza por onde passam. Inofensivos a corais e invertebrados e muito menos aos peixes, estes bichinhos não tem contra-indicação. Não precisam alimentação especial ou cuidados específicos. Apenas um detalhe: Não os coloque com mini-paguros, pois podem ser devorados pelos maiores... Não coloque também nenhum Turbo que tenha a pele vermelha. Estes, em geral, comem algumas espécies de corais.

Mini Paguros são pequenos ermitões, que para quem não sabe, são crustáceos parecidos com um caranguejo, só que andam com sua casa nas costas, assim como os turbo, mas, estes bichinhos são aproveitadores e em alguns casos matam os moluscos para ficarem com suas casas... Por este motivo pode ser perigoso a convivência destes bichos com os Turbos. Comem uma alga lascada, mais até que os turbos. Muitas pessoas os preferem por serem mais resistentes e em alguns casos mais baratos. Outro nome comum deste bichinho é Blue Leg Hermt Crab.
Não dão trabalho e acham seu alimento mesmo em um tanque bem equilibrado e sem algas. Uma dosagem recomendada de turbos e também de paguros é de 1 para cada 4 litros... Sinceramente acho um pouco demais. Acredito que um para cada 8 a 10 litros está OK. Quebram um galhão, especialmente quando o aquário é novo e notamos alguns desequilíbrios que podem provocar crescimento excessivo de algas.
Notem, os paguros adultos e de tamanho normal não são aconselháveis em tanques de rochas, justamente por seu tamanho avantajado, o que poderia causar desmoronamentos e eventualmente algum problema com corais e invertebrados.

Mais Algas

Isso mesmo! Coloque mais algas para combater as algas! É claro que não mais filamentosas, mas sim as macro-algas.
Algas como Caulerpa floridiana ou a Caulerpa racemosa podem ser uma boa idéia, mas existem várias outras macro-algas bem interessantes. Em geral, são lindas e bem resistentes, principalmente em tanques com Metal Halides. Coloque-as na parte superior do tanque para absorverem maior quantidade de luz, e se necessário, adicione ferro ou caso já use CombiSan, um pouquinho apenas deste elemento. Isso fará com que cresça bastante e esteja sempre saudável. Alimentam-se também, basicamente dos mesmos nutrientes consumidos pelas algas filamentosas. Aumentando a disputa pelo alimento, dificultamos a vida das filamentosas. Dica: Com certa freqüência, será necessária a poda para que não comecem a incomodar os corais... Uma tesourinha de unhas ou daquelas escolares será bastante útil. Após cada poda, verifique se o carvão é novo e faça uma pequena troca parcial (mais ou menos 10%).
As algas pink ou algas calcárias, são fundamentais, e este é um dos motivos que devemos incentivá-las. Podemos notar claramente algas calcárias sobre as rochas vivas. São aqueles pontos rosados que, com o tempo, tendem a espalhar-se. Devemos procurar manter nossos níveis de Cálcio entre 300 e 400 ppm e, muito importante, o KH (reserva alcalina) em cerca de 8 a 9 dKH (Teste Tetra) ou 2.8 a 3.2 meq/l (Teste Red Sea) para que elas se desenvolvam bem. Para isso é necessária uma suplementação regular de Cálcio e uso regular de tamponadores.

Potencial Redox

A manutenção de um nível elevado de Potencial Redox ajuda barbaramente a combater as algas. Isso, conseguimos através de boa circulação de água, higiene, uso de boa água e bom sal e manutenção das recomendações básicas. - Não sabe o que é potencial redox? Leia : "O Aquário Marinho & as Rochas Vivas".

Uso de Kalkwasser

Este produto, embora perigoso se usado de maneira indevida é muito útil aos aquaristas marinhos. Serve para elevar o teor de cálcio do aquário através de sua mistura em água doce deionisada ou passada por aparelho de osmose reversa. Espera-se decantar o produto e então pode-se dosar muito lentamente, e sempre durante a noite, a água doce já calcificada no tanque. Kalkwasser é basicamente hidróxido de cáclio, que apresenta um pH absurdamente elevado, mas se usado desta maneira e na dosagem recomendada pelo fabricante (vide sua bula) não trará maiores problemas.
Seus efeitos no tanque são : Um ligeiro aumento de pH - que durante a noite não é problema, pois no período sem luz há uma tendência de queda do nível do pH - e precipitação do elemento fosfato - que é um dos principais causadores de infestações de algas
Claro que não adianta apenas usar os métodos acima recomendados! Precisamos juntar tudo como bom skimmer, bons equipamentos, boa manutenção, etc... Estes recursos são auxiliares. É como os acessórios de um carro. O que faz o carro andar é o motor, rodas, enfim, tudo o que permite que o veículo entre em movimento - no nosso caso o aquário. O som, rodas de liga-leve, pintura metálica o tornam mais bonito e ajudam, dependendo do acessório, a melhorar o desempenho do veículo - no nosso caso, os recursos acima citados.

Sérgio Gomes - Revista @qua - Abril 1997

 
 
A doença do aquário ruim III - Dry - wets
     
 
A terceira parte da série de matérias que aponta os principais erros que cometemos nas montagens de nossos aquários daremos destaque a freqüente mistura de sistemas de filtragem que costumamos ver em aquários com sistema dry-wet e sistema de rochas vivas.
Um dry-wet é um filtro biológico, ou seja, é um sistema que permite a colonização de bactérias benéficas que auxiliam no processamento de determinados elementos tóxicos em nossos aquários. O método usado neste sistema consiste em "chuveirar" bio-balls com água circulante de nosso aquário para que neles sejam fixadas as tais colônias de bactérias benéficas.
Para melhor compreensão, vamos por partes. Bio-ball é uma espécie de ouriço feito de material plástico que possui uma grande área de superfície. É nesta superfície que serão formadas as bactérias benéficas. A "chuveirada" consiste em fazer com que a água do tanque passe de maneira constante pelas bolas, mas sem que estas estejam submersas. Isto para permitir que as bactérias que estão nos bio-balls respirem diretamente da atmosfera sem competir por oxigênio com peixes e outros animais que estejam no tanque, e esta é talvez a grande vantagem do sistema.
Um dry-wet, assim como qualquer outro sistema de filtragem, se for mal montado, ou seja, se não obedecer alguns parâmetros básicos, pode se transformar em um tormento na vida do aquarista. É sal para todo lado, barulho infernal, peixes morrendo a torto e a direito, etc... Outro problema do dry-wet é a virtual dificuldade em se acoplar um skimmer ao mesmo, e também a colocação de uma caixa de reposição de água doce, que serve para repor toda água evaporada do aquário.
Em minha opinião, um bom dry-wet deve ser simples. Deve permitir a colocação de um (ou mais) skimmer (s) e se possível a colocação de uma caixa de reposição de água doce. A área de bio-balls deve corresponder entre 5 e 10 % do volume total do tanque, ou seja, se o aquário tiver capacidade para 200 litros, a área de bio-balls - não a caixa toda, apenas a área destinada às bolas - deve ter entre 10 e 20 litros. Além disso, a distribuição de água sobre as bolas deve ser uniforme e devemos usar perlon - material feito de lã acrílica para retenção de detritos - nas primeiras camadas do sistema e devem ser trocadas periodicamente. O carvão ativado pode ser usado como "recheio do sanduíche" de perlon, ou seja, ficar entre duas camadas e desta forma ser trocado juntamente com o mesmo. Outra forma é colocá-lo em um saquinho para que o fluxo de água passe por ele.
Os itens iluminação, circulação de água, reposição de elementos e trocas parciais devem ser obedecidos normalmente, ou seja, evite lâmpadas destinadas a aquários de água doce como aqua-glo, gro-lux, etc, mantenha cerca de 20 vezes o volume total do aquário passando pelas bombas, use tamponadores, CombiSan e se possível cálcio e troque a água mensalmente se possível cerca de 15% ou semanalmente cerca de 5%.
No fundo do aquário, nada melhor que um sistema Jaubert (veja detalhes sobre este sistema de eliminar nitrato no livro "O Aquário Marinho & as rohas vivas").
Obs.: NÃO USE DOLOMITAS, CONCHAS MOÍDAS OU CORAIS MOÍDOS COMO SUBSTRATO DE FUNDO, E MUITO MENOS NAS CAMADAS QUE FICAM ABAIXO DO DRY-WET!!! Estas camadas só servirão para acumular sujeira e não oferecem elementos tamponadores (mantenedores de pH) como se imagina. Muito pelo contrário. Só servirão para acumular sujeira, e o que é pior, como ficam sob os bioballs são praticamente impossíveis de serem limpas.

- Posso usar rochas vivas?

Aí surge o grande X da questão...
Bem, em 1993, quando vi o primeiro aquário de rochas vivas com corais e invertebrados variados, usava-se como coração do tanque, bio-balls. Procurava-se saber as melhores marcas, e surgiam os bio-balls com nomes fantásticos como bio-cascade, bio-zen, biosphere, etc... Cada um com uma vantagem sobre os outros (é de se admirar como nós aquaristas nos empolgamos com nomes e formatos bonitos!!! :)
Após um certo período, quando já tinha meu aquário de rochas vivas montado com os super bio-balls da época, e eu sofria feito um condenado para conseguir manter meus níveis de nitrato (de um aquário com um ano e pouco de existência) baixos, surge do exterior a notícia bombástica que bio-balls em tanques de rochas vivas não servem para nada, a não ser ocupar espaço e fazer com que o nitrato não parasse de subir.
Hesitei, andei de um lado para o outro, olhei para o aquário que apesar do nitrato me parecia bem (mas não conseguia manter cérebros nem corais mais delicados por muito tempo), esperei mais alguns dias e resolvi : "Vou tirar a bagaça !"
Tirei, fiquei com medo, dor de barriga, acendi vela, fiz promessa para São Longuinho (não entendo muito de santo, e nem sei se foi pro santo certo) e tudo mais, mas para minha surpresa e alívio, nada aconteceu. Nem para melhor nem para pior. Feliz da vida, espalhei a notícia a alguns amigos que resolveram seguir o exemplo e nenhum aquário apresentou qualquer reação positiva ou negativa imediata.
Concluí de imediato que : Se não precisa usar, para que usar?!
Com o passar do tempo concluí outra coisa : O simples fato de tirar os bio-balls do tanque não afetou o aquário de imediato, mas com o passar do tempo, alguns corais e invertebrados passaram a abrir mais e alguns esboçavam reproduzir-se. Efetuei alguns testes e para minha surpresa o nitrato estava surpreendentemente a níveis mínimos. Claro que eu continuava a fazer minhas frenéticas trocas mensais de 20% - 25%, mas não instalei qualquer tipo de sistema desnitrificador. Como explicar?
Bem, tirando os bio-balls, ouve uma retirada significativa de colônias de bactérias nitrificantes (benéficas) que habitavam estas bolas. Se houve uma significativa retirada, significa que sobraram no aquário elementos que possibilitavam a existência das tais colônias como oxigênio e outros oligoelementos. Se estes elementos sobravam, significa que teríamos alimento e oxigênio para o mesmo número que habitava os bio-balls. As bactérias que já existiam nas rochas e outros substratos multiplicavam-se rapidamente e em grande quantidade suprindo rapidamente a ausência das outras bactérias, impedindo que qualquer catástrofe acontecesse, com uma vantagem básica. As cepas (espécies) de bactérias existentes nas rochas são infinitamente maiores que as que habitavam as bolas plásticas, o que significa teoricamente melhor desempenho biológico no sistema.
Além disso, há uma rápida ligação entre oxigênio e nitrogênio completando o ciclo produzindo como elemento final o nitrato. Isto ocorre de uma maneira rápida demais que acaba por sobrecarregar o sistema desnitrificante do aquário, em nosso caso as bactérias anaeróbias que habitam as cavidades das rochas. Com a retirada destas bolas, o processo continua a acontecer a contento, mas de maneira que as bactérias anaeróbias de um tanque maturado consiga eliminar a produção de nitratos com maior eficiência - mas na maioria dos casos, não nos níveis desejados, daí a importância de termos um excelente skimmer, e também o sistema Jaubert.

É por estes motivos -na minha opinião, para lá de convincentes- é que não devemos misturar os sistemas.
É errado afirmar que com um dry-wet acoplado a um sistema de rochas vivas conseguimos uma sustentação biológica superior, isto porque, como já vimos no exemplo do meu tanque, existe alimento e oxigênio apenas para uma quantidade X de bactérias. Este X, continuará a ser X se não aumentarmos a quantidade de alimento e oxigênio, mesmo que aumentarmos o espaço. Haverá uma disputa por alimento e oxigênio onde os bio-balls ganham diminuindo, assim, as cepas de bactérias do tanque e também aumentando a produção de nitrato do tanque.
Devemos entender que, no tanque, mesmo que a quantidade de rochas vivas seja pequena, haverá, sem dúvida, local de fixação para a quantidade desejada de bactérias. Não precisamos e não devemos usar bio-balls em um tanque de rochas vivas!!! Posso afirmar isto com todas as letras pois já fiz a prova, não só com um, mas com vários tanques de amigos. Não se trata de opinião, mas de constatação.

- Mas se eu tiver um tanque com os dois sistemas, vai morrer tudo?


Não se trata de morrer tudo, mas sim de perfeitas condições químicas da água. Pode ocorrer de um aquário permanecer saudável por muitos anos com bio-balls acoplados ao sistema de rochas vivas, como eu mesmo já presenciei, mas certamente o aquarista tem muito mais trabalho e preocupação na manutenção dos índices desejados, especialmente de nitratos.

- Mas se eu tiver um sistema desnitrificador como o Jaubert por exemplo... Terei problemas?

Terá, porque o Jaubert, por melhor que esteja funcionando, não dará conta do recado se você usar um dry-wet junto.

Agora eu pergunto : Se não precisa do dry wet... Para quê usar???

- Eu tenho um aquário de dry-wet... Posso por rochas vivas?

Em minha experiência pessoal, tenho indicado com muito sucesso, para aquários destinados a peixes o uso de algumas poucas rochas vivas como complementar decorativo do tanque. Mas que não passe de algumas poucas rochas escolhidas as mais belas. Se aumentarmos o número de rochas teremos então um sistema misturado com o outro.
Recomendo dry-wets apenas para lojistas que possuam baterias para suas lojas, mas nestes casos, NÃO USE ROCHAS VIVAS!!! Isto porque pode ser necessário o uso de algum medicamento à base de sulfato de cobre, que é tóxico e pode matar os organismos que vivem nas rochas vivas e prejudicar a qualidade da água, matando os peixes.

- Mas quanto de rochas eu posso colocar em um aquário?

Não recomendo mais que poucos quilos como 1 quilo para cada 15 a 20 litros de água. Mas lembre-se : Se for loja, não use rochas!!!

- Mas o que colocar no tanque para completar o visual?

Existem algumas pedras neutras que são encontradas em algumas praias que podem ser usadas para completar a decoração. Algumas empresas fabricam peças de coral que podem ser usadas (desde que comprovadamente sejam feitas de resina atóxica).

- E os esqueletos de coral branco?


Não é ecologicamente correto comprar estas peças de coral, pois foram retiradas da natureza vivas e foram mortas pelos comerciantes locais para satisfazer os aquaristas e também a cafonice de turistas desinformados.
Há ainda quem diga que com o uso de peças secas de corais de fogo, o pH não cai. Baboseira! Como já vimos, não servem como tamponadores e sua função única no tanque é a de decorar (?) o aquário.
Tecnicamente falando, não prejudicam o tanque. Mas veja : Eu não recomendo de jeito nenhum este tipo de peça para seu aquário, justamente para não incentivar o comércio disso, que eu acho cruel e também desonesto, mas não posso omitir dados. Portanto, poder usar, pode, mas não deve.
A decoração em um dry-wet deve ser leve para que sobre espaço para os peixes nadarem e para que seja permitida a colocação de peixes maiores.
Conclusão: Recomendo este sistema a lojistas apenas. Já indiquei também aos que adoram peixes e não fazem questão de invertebrados, mas hoje, sabemos que um aquário de rochas vivas bem montado, principalmente equipado com um bom skimmer e com um bom controlador de temperatura, é infinitamente melhor que qualquer outro aquário.
Para maiores informações, leia o livro "O Aquário Marinho & as Rochas Vivas" capítulo IV.2.

Sérgio Gomes - Revista @qua - Julho 1997
 
 
Entrevistando Sergio Gomes
     
  Aquarium Entrevistando Sergio Gomes  
  Entrevistando Sergio Gomes  
     
 

Muito se fala em popularizar a aquariofilia marinha, todavia os altos preços dos equipamentos repercute em ser um fator limitante. É possível tornar este hobby mais barato, portanto mais acessível?


É sim, mas na minha opinião, popularizar o aquarismo marinho é algo bastante perigoso e deve ser feito de maneira pensada e sensata, e não como é hoje que são vendidos aquários marinhos por R$ 500,00 sem as menores condições de manter vivo animal algum. Acho que popularizar o aquarismo de água doce e plantas é um caminho muito melhor, pois plantas são facilmente obtidas e cultivadas por qualquer um, e um aquário de plantas bem montado é tão bonito quanto um aquário marinho. Já um coral, rochas vivas, enfim, seres marinhos são bem mais complexos e de manutenção muito mais complicada. Por isso, eu sou a favor de um mercado de aquarismo marinho mais caro e menor, até por uma questão ecológica, já que a maioria dos animais marinhos são coletados na natureza e não criados em cativeiro.
Há, no mercado atual uma confusão entre popularizar e acabarem-se uns com os outros. Eu explico : Lojistas fazem uma concorrência onde todos perdem. Poucos lojistas são profissionais e fazem contas. A maioria deles não sabe ganhar dinheiro. Vendem a qualquer preço achando que estão com a bola toda, mas quando chega no fim do mês, não conseguem pagar as contas e ainda não sabem o porquê.
Na minha opinião, aquário é um hobby, e como todo hobby, deve ser praticado por quem tem reservas para isso. Ora, um cidadão que acha R$ 50,00 - R$ 100,00 caro, não pode ter um aquário em casa. Deve sim é investir em bens de primeira necessidade como alimentação, saúde e outras coisas essenciais. Deixe o sonho do aquarismo para quando se firmar ou melhorar profissionalmente e tenha condições de bancar o seu lazer.
Infelizmente (ou felizmente?), aquarismo marinho não é para qualquer pessoa, e todas as tentativas que conheço de popularizar o hobby apresentaram resultados medíocres e em 90% dos casos, problemas e desistência do hobista. Nunca vi um aquário marinho que custa menos de U$ 900 (c/ móvel) dar certo neste país. Vejam bem, manter vivo e apresentar resultados medíocres é uma coisa. Dar certo é outra bem diferente.
A única coisa que me agradou até agora neste sentido foi a criação da "rocha sintética" que é uma ótima alternativa de economia, e que é muito usada no exterior. A brasileira precisa de mais testes, mas a iniciativa está mais que aprovada!
Em nome da popularização vemos coisas absurdas sendo publicadas, como por exemplo "... as algas filamentosas que vão nascendo podem ser retiradas com uma escova sempre que o aquarista desejar". Isso é o fim da picada na minha opinião, já que o simples fato de existirem algas indica a má qualidade da água de um aquário. Outras são aquelas que se referem ao aquário marinho simplificado... Ora, não existe aquário marinho simplificado. Existe o aquário marinho que funciona e o que não funciona. O que funciona tem que ter um bom skimmer, um sistema desnitrificante, lâmpadas de qualidade e potência adequadas, excelente movimentação de água, e um controle de temperatura. Nunca vi um aquário marinho decente sem estes itens. E estes itens, não são baratos... Qualquer tentativa em criar itens com estas funções, mantendo-se a qualidade e baixando-se os custos é sempre muito bem vinda... Mas qualquer tentativa de divulgar qualquer sistema de aquário marinho barato, em nome de venda pura e simples, apenas para aumentar o mercado do aquarismo marinho, deve ser repelida sempre, para proteger o bolso do próprio aquarista.

Você concorda quando se diz que aquários de corais são brinquedos de criança com bolso de gente grande?

Não. Acredito que é um hobby como qualquer outro. Algumas pessoas podem achar uma bobagem. Mas muitos encontram no aquarismo, paz, tranquilidade, enfim, um prazer.
Algumas pessoas podem achar que pagar R$ 1000,00 em um selo é um absurdo, mas quem gosta, e entende do assunto, certamente acha perfeitamente normal.
O aquarismo de maneira geral é um brinquedo para qualquer idade. Quanto ao bolso, cada um investe o que tem condição de investir em seu hobby. Para mim, investir R$ 10.000,00 em um aquário marinho pode ser muita coisa. Um exagero! Mas para muitos, certamente é um valor perfeitamente viável, se comparado ao prazer que o hobby irá proporcionar. O dinheiro é feito para ser gasto em prazeres pessoais, e não para ficar apodrecendo em uma conta de banco...

O Brasil é um país onde sua renda per capita é uma das mais baixas do mundo; viver de aquariofilia aqui é viável?

Sem dúvida... Se falarmos em renda per capta, realmente o Brasil não seria considerado um país viável, não só na aquariofilia, mas em muitos outros ramos de atividade. Mas temos milhões e milhões de pessoas que tem plenas condições de manter um bom aquário em casa neste país. O mercado de aquariofilia no Brasil, é, sim, muito mal explorado e ainda dominado por pessoas completamente amadoras e mal informadas a respeito do assunto. Mas já mudou muito, e, certamente irá mudar muito mais.

Há tempos atrás era inadmissível a montagem de pequenos aquários, hoje isso é uma realidade mundial, possivelmente em razão do seu baixo custo. Qual a sua opinião à respeito do "Nano Reef"?

Odeio esse nome - risos... Parece coisa de boiola - mais risos...
Os tais "Nanos" ou aquários pequenos, em minha opinião, são uma boa alternativa para quem não quer gastar muito. Há três anos, realmente, falar em aquários com menos de 250 litros era um crime. Com a chegada no mercado nacional de skimmers para estes aquários, a coisa mudou. Com a fabricação destes skimmers aqui no Brasil, mantendo e até melhorando a qualidade dos importados, a coisa ficou ainda melhor. Espero que mais produtos de boa qualidade sejam fabricados por aqui. Eu mesmo tenho 2 aquários de 100 litros que estão muito bem, com corais reproduzindo-se e peixes muito saudáveis. Basta respeitarmos as exigências do sistema, ter um pouquinho de paciência, que conseguimos obter o sucesso esperado.

O que você acha da Industria Aquarística Nacional?

Honestamente, acho uma lástima. A indústria nacional teve chance de crescer, desenvolver muito mais e não o fez. Não existem investimentos em pesquisa, não existem investimentos em criação, e 90% dos produtos que vemos nas prateleiras de hoje são de péssima qualidade, ultrapassados, e na maioria das vezes, os mesmos que víamos nas prateleiras há 20 anos. Isto é um absurdo que se dá graças ao amadorismo do mercado e ingenuidade dos consumidores, e comodismo dos lojistas, que nunca exigiram mais ou protestaram contra a qualidade inferior dos nacionais.
Em qualquer ramo de atividade, de uns tempos para cá, quem não se modernizou, se estrepou. No aquarismo, isso não aconteceu. É impressionante, mas muitos dinossauros do mercado estão aí até hoje, produzindo os mesmos produtos, com a mesma qualidade de 20 anos atrás, e enquanto os consumidores não se derem conta do atraso em que o mercado se encontra, continuarão existindo por muito tempo.
Os importados vieram e arrebataram boa parcela do mercado, mas com os preços do dólar, os nossos fabricantes tem mais uma chance de investir em boa qualidade dos produtos, já que suas vendas deverão aumentar significativamente. Querem apostar comigo que apenas um ou dois fabricantes fará isso, e o resto ficará na mesmice?
Resumindo, com exceção de 3 ou 4 bons fabricantes nacionais, a indústria nacional é amadora, retrógrada e incompetente. Se surgirem novas empresas com intenção de investir em modernidade, certamente estas dominarão o mercado e terão todo meu apoio... E, quer saber? Bem feito para os dinossauros...

Algumas entidades e instituições ligadas a ecologia, consideram o aquarista marinho um depredador da Natureza. O que você tem dizer sobre isso?

São pessoas mal informadas e mal preparadas para exercer os cargos que ocupam,. Quanto aos chamados "ecologistas" que afirmam isso, são apenas pessoas até que bem intencionadas, mas que acabam falando bobagem por ignorância completa do assunto. Já tive boas discussões com alguns desses, e percebi que são "nerds" que na verdade não fazem e nunca fizeram nada pela ecologia nacional, mas que gostam de dizer que são ecologistas e que se preocupam com a natureza. Se isso fosse verdade, estudariam e leriam muito mais... Mas a preguiça e a falta de interesse real impedem que ele faça isso.
Ecologista é aquele que se preocupa com a natureza, e procura soluções viáveis de interação entre o homem e a natureza, e não o simples impedimento do homem desfrutar a natureza.
Quanto aos nossos gloriosos "estudiosos do mar" que criticam o aquarismo, bem, se quiserem uma mostra de sua competência, visitem qualquer aquário público deste país. É de dar nojo. Se fossem realmente estudiosos, teriam aquários públicos, no mínimo decentes, mesmo com a verba limitada que as prefeituras ou o estado lhes destina.
Um coral em um bom aquário se reproduz e vive por tempo indeterminado. Além disso, apenas para se ter uma idéia da capacidade de regeneração de um ambiente, as Ilhas Biquini foram totalmente destruídas e com ela toda a flora aquática dos recifes... E olha que isso não faz muito tempo. Basta olhar em qualquer revista de mergulho e ver as fotos que são tiradas de lá agora. A região está toda viva e os corais abundam por lá, assim como peixes, crustáceos e moluscos. Portanto, se há condição e qualidade de água, os animais se reproduzem a uma velocidade espantosa.
O maior problema da Natureza hoje é o homem, mas não o aquarista, e sim aquele que polui as águas, que despeja lixo atômico no mar, ou mesmo aquele que anda de carro (todos nós) e incentiva as viagens de petroleiros que, vira e mexe vazam e, aí sim, causam danos irreversíveis à Natureza... O problema da Natureza é complexo demais para ser debatido numa entrevista como essa, mas posso afirmar com todas as letras, com o respaldo do maior conhecedor de corais do mundo todo, o Dr Charley Veron , autor de diversos livros e líder de pesquisas pelo mundo, mas principalmente da Grande Barreira de Corais da Austrália, que o homem, como aquarista, não causou qualquer dano significativo à natureza, mas apenas ajudou a conscientizar ecologicamente, milhões e milhões de pessoas.
Sou amplamente a favor de uma fiscalização séria, honesta e ecológica nas pessoas que vivem de coletar animais para exportar ou mesmo vender no mercado externo, mas as palavras fiscalização , seriedade e honestidade, neste país, são completamente incompatíveis.

E quanto as restrições do IBAMA referente às algas calcárias, corais , invertebrados, etc.?

O IBAMA tem mania de proibir tudo. Na minha opinião, eles deveriam trabalhar mais, informarem-se melhor e proibir menos. Regulamentar é a palavra, e não proibir. A proibição gera clandestinidade, o que é muito pior...
Não digo que uma instituição como o IBAMA seja ruim para o país, afinal de contas, também faz muitas coisas boas, graças a um ou outro que realmente tem vontade de trabalhar por lá. Mas muitos que trabalham nesta instituição, só estão lá pelo salário no fim do mês, e não tem o menor interesse em aprender nada, e muito menos de realizar um trabalho sério... Aliás, a palavra trabalho ali causa mal estar em muita gente...

Fala-me um pouco sobre a relação hobbyista x comércio x IBAMA:


Acho que a relação entre o aquarista e o comerciante é um pouco conturbada, especialmente porque o comerciante muitas vezes fica devendo muito ao consumidor. Vende aquários sem condições nenhuma e ficam inventando histórias e dão explicações escabrosas sobre as mortes e o prejuízo do consumidor.
Em vez de aprender a lidar com um aquário, muitos lojistas tentam é descobrir produtos mais e mais baratos, e não percebem que com isso sua lucratividade é reduzida e que sua despesa se mantém alta.
O consumidor, claro, quer sempre pagar o mínimo possível, mas sempre exige o máximo de desempenho de seu aquário e apoio total do seu lojista. Aí surgem os conflitos.
Na minha opinião, os lojistas precisam se dedicar mais, no aprendizado e conscientizar os consumidores que um aquário não é um eletrodoméstico, que se compra onde é mais barato, mas sim um sistema complexo que depende muito da qualidade dos equipamentos usados e do conhecimento sobre o assunto.
Quanto à relação IBAMA comércio, na minha opinião é ridícula, pois todo lojista é obrigado a pagar uma anuidade para esta instituição sem receber benefício algum em troca e ainda ficar o ano inteiro com medo que um destes fiscais entrem em sua loja e os ameacem com alguma alegação de desrespeito à natureza e/ou comércio ilegal de algum animal ou mesmo produto... Lamentável.


O livro "O Aquário Marinho e as Rochas Vivas" é um best seller do nosso hobby aqui no Brasil, e algumas pessoas já o entitularam como a "Bíblia da Aquariofilia Marinha Brasileira". Você se considera um "Moisés"?

Muitos risos... mas muitos risos meeesmo!!!
Credo! Deus me livre!
Realmente o livro vendeu muito bem, e as pessoas aparentemente gostaram do livro. Mas sou apenas um cara que estudou o assunto e que se revoltou quanto a falta de literatura especializada. Na verdade, o livro era para ser uma apostila apenas, mas tinha tanta coisa que acabou virando mesmo um livro.
Como digo na introdução, não me considero um grande aquarista, ou um exímio conhecedor do assunto, e nunca tive a pretensão de publicar um grande livro de aquariofilia. Considero-me apenas um prático. Alguém que tem experiência no assunto e que sabe montar um bom aquário. Com isso, tento ajudar as pessoas a ter um bom aquário.


Você já esteve em diversas regiões do Brasil ministrando cursos e palestras sobre aquários de corais; como você vê o nível da Aquariofilia em nosso país?


Infelizmente, muito fraco ainda... Não sendo bairrista, Deus me livre de tal ignorância, mas fora de São Paulo, conheci apenas poucos bons aquários, e isso é muito triste... Muitos aquaristas brasileiros procuram apenas gastar o mínimo possível, e pouco se preocupam com a qualidade do aquário. Este é o perfil do aquarista brasileiro (inclusive em São Paulo).
Os aquaristas que realmente se dedicam e buscam o melhor, sempre conseguem o objetivo, pois hoje, temos acesso a muitas informações... Temos o meu livro, a revista Aquarium, a internet, cursos, palestras de gente que vem de fora, enfim, temos de tudo para dar o máximo em informações a quem as quer.
Estes que buscam informações, possuem, de maneira geral, aquários acima da média, e em muitos casos, superiores aos aquários que se encontram lá fora. Julian Sprung, em sua recente visita, ficou muito bem impressionado com o que viu. Disse que nossos aquários são iguais ou superiores aos tantos e tantos que já viu pelo mundo. E ele tem mesmo razão. Só vi aquários iguais aos nossos na Alemanha. Nem nos EUA eu não cheguei a ver nossa qualidade.
Mesmo assim, o nível da aquariofilia brasileira é muito ruim. Estes bons aquários pertencem a uma minoria mesmo.


Você acha que aquariofilia marinha seria um "Clube do Bolinha" onde só entram rapazes? (risos)

Isso é triste... Ô ramo desgraçado que só entra cueca viu!!! ( risos)
O porquê disso eu ainda não sei... Mas se alguém souber, mande uma carta para mim que vou tentar de tudo para mudar este perfil... Estou louco para arrumar uma namorada aquarista, mas o máximo que consegui até hoje foram alguns admiradores gays (risos...) Sai pra lá Jacaré!!! (risos)


No exterior existem congressos a exemplo do MACNA que reúnem os maiores especialistas em aquários de corais, importantes cientistas e pesquisadores do mundo ligado a esta modalidade, repercutindo em um alto nível de informações para o hobby. Qual a viabilidade da realização de um evento desse porte em nosso país?

Nenhuma. Brasileiro gosta de tumultuar... Vamos supor que eu tente organizar isso. O que vão falar? Ah, o Sérgio tá querendo aparecer... Tá levando algum por fora, está querendo promover a loja dele... Aí não apoiam, falam mal e sabotam.
Se é o Juarez? Ah, o Juarez eu não ajudo porque ele está querendo levar algum nessa brincadeira. Ah eu não ajudo não, depois vão fazer propaganda de outra loja lá e vou perder meu cliente... Se é fulano? Ah, fulano eu não ajudo porque ele tem bafo, não usa desodorante e torce pro Corínthians... E se for o Sicrano? Ah não, o sicrano tem um terreiro de macumba lá no cafundó e além disso é amigo do fulano que tem bafo, não usa desodorante e torce pro Corínthians...
Para organizar um evento destes é necessário o apoio de muita gente, uma vontade coletiva de que a coisa aconteça e muita organização. Infelizmente isso não existe em nosso mercado. Se alguém se meter nisso, vai ter tanto trabalho, vai gastar tanto dinheiro e no fim ainda vai ter prejuízo e ter que ouvir besteira dos outros.
Não atingimos esse nível ainda, e, talvez nunca o faremos.


Você já teve contato com os maiores especialistas em aquários de corais do mundo, como eles vêem a aquariofilia no Brasil?

Não vêem. Para eles o Brasil praticamente não existe. Não só no aquarismo, mas também em outros assuntos. O Brasil é para eles o mesmo que o Zaire é para nós. Desconhecido, insignificante (pouco se sabe a respeito), exótico e inexpressivo economicamente.
Obviamente que, ao entrar em contato com eles, percebo uma certa curiosidade em relação ao país. O máximo que um ou outro sabe é que tem carnaval, mulata, futebol, muita bagunça, políticos corruptos, miséria e injustiças sociais.
Quando vêem fotos de aquários nossos, sempre se surpreendem. Quando damos números do mercado no país, sempre se interessam, e passam a nos olhar com outros olhos. Mas não pensem que o Brasil tem essa ou aquela imagem, porque não tem. Para eles, nós praticamente não existimos. Exceto é lógico, os que exportam produtos para cá. Mas via de regra é assim.


É verdade que você foi contratado pôr uma empresa multinacional de produtos para aquariofilia, para fazer divulgação dos seus produtos?

É sim... Fui contratado pela Tetra, a maior empresa de produtos destinados à nutrição de peixes ornamentais do mundo. Eu achei o máximo, pois sempre fui fã de carteirinha dos produtos desta empresa... Tetra sempre foi e sempre será sinônimo de qualidade. Fico feliz em fazer parte disso.


Como será esse trabalho?


Darei palestras pelo país sem custo para os lojistas. A partir de agora, quem quiser um curso meu em qualquer lugar do país, basta reunir uma grande quantidade de pessoas, me comunicar e marcar a data. Durante os cursos farei demonstrações sobre os produtos da empresa e suas fantásticas aplicações. Pouca gente sabe dos benefícios de alimentar os peixes com alimento de qualidade. Ainda no país, 99% dos aquaristas que não tem sucesso com seus aquários de água doce são aquaristas que não sabem alimentar e estragam a água com excesso de alimento e/ou alimento de má qualidade. Isso precisa mudar... Vou tentar ajudar nesta mudança.
O maior problema do brasileiro hoje está no aquário. O aquário é doente, por isso, o peixe fica doente e morre. Vou tentar resolver a doença do aquário, para que o peixe fique vivo e o aquarista então se conscientize que precisa alimentar com qualidade, e no país e no mundo, nada se compara aos alimentos da Tetra. Quem usa, sabe que não estou apenas tentando vender o meu peixe... Se algum lojista queiser entrar em contato comigo, use o e-mail : sergio.gomes@csf.com.br


Quais são os seus projetos para o futuro?

Arrumar uma namorada , porque já estou cansando de gandaiar...(as interessadas, mandem cartas!!! Mas compromisso, só depois do carnaval - risos)
Empenhar-me no trabalho de marketing dos produtos Tetra...
Promover muitos e muitos cursos por todo o país...
Escrever um livro (quase acabado) de água doce com fotos muito boas...
Escrever "O Aquário Marinho & as rochas vivas" volume II - com fotos ...
Implementar meus trabalhos na Inernet...
Enfim, me dedicar ainda mais ao aquarismo brasileiro...


Para finalizar, gostaríamos de sua opinião a respeito da importância de literatura especializada em nosso País e o porque de tanta resistência por parte de alguns lojistas em divulgá-las?

A importância é fundamental. Sem ler, ninguém sabe de nada... Ler, aprender a lidar com um aquário antes mesmo de comprá-lo deveria ser obrigatório. Desta forma, mais aquaristas permaneceriam no mercado, comprando mais e ajudando a movimentar quantias maiores de dinheiro, o que possibilitaria criadores de peixes mais abastados, investindo em qualidade, lojistas com reserva de capital, o que faria com que investissem mais na qualidade de suas baterias, atendimento e sua própria especialização, enfim... Se tivéssemos uma cultura de ler sempre, estaríamos hoje em uma situação muito mais confortável e não teríamos tantas queixas do nosso próprio mercado...
Uma lástima ainda existirem lojistas que se recusam a oferecer literatura aos seus clientes... Mas, a hora destes cabeças duras está chegando... Ou se adequam a um mercado moderno e profissional, ou morrem todos abraçados...


Um abraço
Márcia B. Câmara

Outro abraço e desejo a todos vocês da Aquarium, do fundo do meu coração, muito e muito sucesso. O meu sucesso, e o sucesso de todos os profissionais do ramo, depende e muito do sucesso de vocês!

Sérgio Gomes

Entrevista publicada em janeiro de 2000 na Revista Aquarium

 
 
Meu aquário estava bom, mas derrepente...
     
 

O objetivo de todo aquarista, seja ele marinho ou de água doce é a manutenção de bactérias, mas, é claro que estas bactérias não são aquelas que deixam os animais doentes. Estou falando de bactérias benéficas ao ambiente.
Estas bactérias têm como função principal a oxidação, ou, para melhor compreensão, o processamento de elementos tóxicos que são depositados constantemente em nossos tanques como sobras de alimentos, excrementos de peixes e corais entre outras toxinas.
Basta dizer que sem estas bactérias seria impossível a manutenção de vida, pois a água apodreceria rapidamente.
As bactérias, de maneira geral, reproduzem-se muito rapidamente em quantidades gigantescas quando encontram ambientes propícios. Basicamente precisam respirar e comer.
Bem, alimento nós temos de sobra em nossos aquários e sua produção é constante como já citamos (elementos orgânicos de maneira geral) quanto ao oxigênio... Bem, oxigênio nós não temos em abundância, e daí a enorme necessidade de termos uma forte e completa circulação de água em nossos tanques.
Grande parte dos aquaristas marinha já se deparou com a seguinte situação : O aquário vai "bem". Os peixes comendo, tudo funcionando, não há doenças, enfim, tudo ocorrendo de maneira "satisfatória". Os equipamentos são duas bombas de 500 litros por hora, o aquário tem 250 litros, há um filtro externo funcionando. Eis que o aquarista decide ir a loja de aquários comprar mais um peixinho para completar sua coleção. O peixe na loja está bonito, esperto, comendo... É este mesmo - decide o aquarista. Vai pra casa, feliz, com o peixe no saquinho, mostra pro vizinho, pro cunhado e pra esposa - esta olha meio "de lado" já perguntando o preço, que para as esposas sempre varia entre metade e um terço do preço verdadeiro. Está tudo bem, o aquarista toma o maior cuidado para soltar seu peixinho que logo se acostuma com o ambiente.
Passados dois dias, o aquarista acorda e antes de sair para o trabalho vai dar uma olhada no aquário, só para checar e então a surpresa : Todos os peixes estão completamente infestados por íctio.
Daí começa o desespero e a luta contra o íctio.
São ministrados medicamentos diversos que acabam com as colônias de nossas tão queridas e importantes bactérias, o que desequilibra o tanque agravando ainda mais o problema. O que era paz se transforma em inferno em poucos dias vai tudo por água abaixo.
Em casos extremos, podem amanhecer todos mortos "sem motivo aparente".
Este caso é típico de um tanque com baixo nível de Potencial Redox.

- Potencial Redox? Que diabos é isto?

Potencial Redox é o potencial de oxidação e redução de um ambiente. Traduzindo : Alguns átomos possuem forte tendência a perder elétrons (cargas positivas) e a estes damos o nome de elementos oxidantes. Outros forte tendência a receber elétrons e a estes damos o nome de redutores.
Muitos elementos são oxidantes como o Cloro, Oxigênio entre outros como Ozônio, Pergamanato de Potássio, etc., embora o nome oxidação lembre o elemento oxigênio.
Entre os redutores estão Ferro e Hidrogênio... Nos nossos tanques, redutores são todas as moléculas orgânicas, compostos de proteínas, etc... Enfim, restos de alimento, excrementos e secreções de peixes e invertebrados, seres mortos, etc...
O potencial redox (ORP) mede as cargas negativas e positivas de um ambiente, ou seja, se tivermos um ambiente oxidante, significa que temos um ORP positivo - mais elementos oxidantes que redutores - e vice versa.
Ter um alto nível de potencial redox significa ter uma água limpa e com capacidade de oxidar elementos tóxicos de maneira imediata. Um alto ORP é capaz de inibir o desenvolvimento de seres vivos como bactérias e parasitas. Um bom exemplo encontramos nas estações de tratamento de água, onde se usa cloro, pergamananato de potássio que aumentam o ORP a níveis próximos de 700mV esterilizando-a completamente e tornando-a saudável.
Em nossos tanques, muito raramente encontramos um nível de ORP acima de 400mV.
Na água salgada, há uma natural dificuldade de dissolução de gases como o oxigênio que é um dos principais oxidantes de um ambiente marinho, e por isso devemos forçar esta mistura, e a única forma de fazermos isto é colocando forte e intensa circulação de água, e para isto, bombas fracas não servem.
Outro fator é a temperatura, pois quanto mais quente a água, menos oxigênio encontramos nesta, por isto, para termos um melhor aproveitamento da circulação de água devemos nos preocupar em manter uma temperatura baixa e estável (24 a 27 graus).
Veja bem : 24 a 27 graus não significa verificar pela manhã 24o e pela noite 27o , mas sim mantermos a temperatura estável, em 24o o dia todo - ou 25o ou 26o ou 27o .

- Quer dizer que preciso usar um chiller?


Se quiser ter corais sim, mas caso contrário, existem alguns recursos que podem ser bastante úteis, como por exemplo colocação de ventiladores de micro computador instalados na tampa (sempre jogando o ar p/ baixo). Isto aumentará o nível de evaporação (o que é bom) e irá manter a temperatura cerca de 2 a 3 graus mais baixa. Ah, não use tampas de vidro! Existem outras alternativas para baixar a temperatura do aquário no livro "O Aquário Marinho & as Rochas Vivas". Confira.
Para termos, portanto, um alto nível de Potencial Redox em nossos aquários devemos ter uma circulação de água muito forte, devemos ter bom(s) skimmer(s), controle de temperatura e tomar cuidado com excesso de peixes e alimento, e manter a higiene na hora de lidarmos com o aquário. Ah, não use tampas de vidro, pois a troca de gases na superfície ficaria comprometida.

- Mas como medir o tal de ORP?

Existem aparelhos eletrônicos no mercado que medem estes níveis em milivolts. São aparelhos relativamente caros, mas, para quem quer realmente saber o que se passa no tanque pode ser boa opção.
Estes aparelhos não são indispensáveis, ou seja, podemos saber que um tanque possui um alto índice de ORP quando o aquário estiver com aspecto "limpo", não houver algas filamentosas ou verdes, não houver incidências de doenças no tanque, etc.
Para se ter uma idéia do que realmente acontece, já presenciamos casos onde o aquarista conseguiu curar uma infestação por íctio com a simples colocação de mais bombas de movimentação. Isto significa que houve um controle da infestação sem uso de medicamentos. Magica? Não. Altos níveis de ORP, como vimos dificulta e em casos extremos impede a sobrevivência de alguns seres. No nosso caso, o alto nível de ORP dificulta a vida dos parasitas e com a melhora na qualidade da água, o peixe sente-se melhor, alimenta-se melhor e produz mais defesas naturais (anticorpos) e cura-se, sem adição de medicamentos.
Em aquários novos é muito difícil conseguirmos níveis de ORP satisfatórios, e por isto devemos tomar cuidado de colocar nossos peixes de maneira lenta, pois o excesso pode causar um desequilíbrio e provocar o desencadeamento de parasitas ou bactérias indesejáveis, e principalmente excesso de algas filamentosas.
Voltando a historinha que contei de início, quando o indivíduo tinha o seu tanque bem (ou ao menos os peixes estavam sobrevivendo), havia um certo equilíbrio entre elementos oxidantes e redutores, ou seja, a quantidade de oxigênio produzido conseguia suprir a carga de elementos orgânicos que eram depositados no tanque diariamente.
A partir do momento que decidiu colocar mais um peixinho, a carga orgânica aumentou, e a carga de oxigênio, que estava no limite, se esgotou desencadeando um processo de contaminação.
Um caso bem comum é aquele aquário grande onde existem 3 bombas de 500, um filtro externo e o sistema de filtragem é o filtro biológico de fundo. 4 peixes sobrevivendo e se decide colocar mais um peixe. O que morre é um dos que estavam lá. Daí compra-se outro, morrem mais 2. Compra-se outro que não dura 2 dias... Gente! Peixe não é objeto que, quando se quebra, coloca-se outro! Vamos parar de fazer prisioneiros e vamos começar a fazer hóspedes!

Sabem porque normalmente, quando os problemas surgem com os peixes, ou com o aquário sempre percebemos pela manhã?
Bem, todos sabem que as algas realizam fotossíntese durante o dia, ou seja, resumidamente falando, absorvem CO2 e transformam em oxigênio. Todos sabem também que todos os aquários apresentam incidência de algas variadas como as filamentosas, as calcárias (pink) as zooxanthellaes (dos corais e invertebrados), etc. À noite, na ausência da luz, estas algas consomem oxigênio e produzem CO2. Com isto, os níveis de oxigênio caem demais, podendo algum animal morrer "asfixiado" durante a noite. Além disso, o CO2 une-se a moléculas de hidrogênio gerando ácido carbônico. Como o próprio nome diz, este ácido vai baixar o pH, e dependendo do caso pode matar sua população inteira!
Para dispersar melhor o CO2 e gerar mais oxigênio, devemos fazer o que? Isto mesmo! Aumentar a circulação de água.
Problemas inexplicáveis, geralmente estão relacionados ao baixo Potencial Redox, que geralmente está relacionado a pouca circulação de água, falta de skimmer e excesso de peixes e alimentos.
Uso sempre em meus aquários gira-giras (osciladores de fluxo) com bombas de circulação. Os gira- giras, em minha opinião são fundamentais para uma circulação de água adequada.
Existem dois tipos de aparelhos que fazem isto: Um consiste em uma caixa preta com um tubo onde se prende a bomba e coloca-se esta caixa em algum lugar fora do tanque apenas com o tubo e a bomba dentro do aquário. Este tubo vai se movimentar, movimentando também a bomba que está na ponta, como se fosse um ventilador, ou seja, quase 180 graus bem lentamente.
Outro modelo é onde há uma entrada para um cano que provenha da bomba. Esta pode ficar em qualquer lugar do aquário, pois só o fluxo se movimentará de um lado para o outro.
Conseguimos com estes aparelhos movimentar uma área grande (em alguns casos todo o aquário) com apenas uma bomba forte de maneira constante e intercalada, que é mais ou menos o que acontece nos recifes de coral. Ora, se conseguimos movimentar de maneira forte uma grande área do aquário, não há mais a necessidade de colocar tantas bombas. Com apenas uma ou duas bombas fortes movimentamos de maneira adequada nossos aquários.

Dica Importante:
Sempre procure deixar suas bombas levemente inclinadas para cima para que movimentem a flor d'água, permitindo assim maior mistura de gases, e, repito, não use tampas de vidro. Sem bolhas no tanque, não há problemas com corrosão ou sal espalhado.
No caso dos osciladores, procure deixar os jatos saírem bem próximos a superfície da água.
A conclusão disto tudo é que a maior doença que existe é a Doença do Aquário Ruim, ou seja, problemas com equipamentos insuficientes ou ineficazes podem ser as causas principais de tantas doenças e mortes em seu aquário. Pense nisso.
Pergunte-se se tem o skimmer adequado, se a circulação é ideal, se a temperatura está mesmo estável (variações inferiores a 1o por dia), se não tem peixes demais e se a alimentação não é excessiva ou de má qualidade.

Sérgio Gomes - Revista @qua Setembro, 1997

 
 
O Aquário marinho básico e o avançado - Existem diferenças?
       
Nos dias de hoje, com o surgimento dos aquários de rochas vivas, criou-se uma divisão no chamado aquarismo marinho aqui no Brasil.
Na verdade, o que ocorre é que as novas técnicas de manutenção de animais marinhos evoluíram de maneira assustadora de uns tempos para cá, e muitas pessoas não conseguiram assimilar todas estas mudanças.

Passaram então a utilizar apenas parte das modernizações, o que gerou mais controvérsias e, em muitos casos, aquários ainda piores do que antes.
A verdade, é que até bem pouco tempo atrás, nossos aquários eram limitados e muitas espécies de peixes simplesmente não se adaptavam em cativeiro, como o Mandarim, Japanese Wrasse, algumas Coris e Anthias... Isso se dava especialmente porque a qualidade da água mantida em nossos aquários era a pior possível.
Corais e invertebrados mais delicados então? Nem pensar...
Anêmonas? Muito raramente podíamos ver uma ou outra literalmente durar algum tempo em um ou outro aquário e então, sem motivo aparente, simplesmente "derreter" por todo o tanque.
Infelizmente para todos nós aquaristas, vemos por aí que a situação não se modificou muito. Claro, hoje em dia, muitos e muitos aquaristas já conseguem manter, e muito bem, os mais delicados peixes, invertebrados e corais, e sem maiores problemas, as tão desejadas anêmonas com palhaços - por muitos e muitos anos. Mesmo assim, 90% dos aquaristas marinhos que começam no hobby em nosso país se frustram e não conseguem manter um bom aquário com estes animais sequer por alguns dias, imagine por meses ou anos.
Na verdade, o termo "manter" é errado. O termo mais adequado, a meu ver, seria acomodar ou incorporar, pois "manter", passa a idéia de permitir vida. Aquarismo não é só permitir a vida destes animais em cativeiro, mas sim um entrosamento (ou uma incorporação) completo destes animais ao ambiente artificial, proporcionando mesmo uma interação total entre ambiente e animais.
Se pegarmos um cão e deixarmos este animal em uma jaula, somente às vezes limparmos esta jaula, alimentarmos 2 vezes por dia e colocarmos água para ele, certamente irá manter-se vivo por muito tempo. Provavelmente anos. Mas qual a qualidade de vida de um animal em uma situação como esta? Seria justo?
Agora, se dermos espaço para que este animal se exercite, alimento adequado, higiene, vacinas - entre outras coisas - a qualidade de vida deste animal sem dúvida será melhor.
Imagine agora um peixe. Coloque-o em um aquário de 60, 80 litros, com um coral morto, filtro biológico no fundo, 1 bomba de 500 litros por hora e uma lâmpada fluorescente tipo gro-lux. Certamente, estes parâmetros aqui citados são os mesmos da jaula com o cão aprisionado.

Imagine como será a sobrevivência dessa criatura, que está acostumada com uma infinidade de área para nadar, buscar alimento e se reproduzir, em seu ambiente natural ?
Os palhaços e as donzelas, por serem extremamente resistentes, são as maiores vítimas deste aprisionamento, e são os peixes mais constantes em aquários assim estabelecidos. Em minha opinião, não é porque determinado animal é mais resistente que merece um tratamento inadequado.
Um aquário deve ser um pedaço de um recife de coral, e a qualidade da água deve ser a mais próxima possível do ambiente natural. Por isso, vejo que a diferença entre um aquário básico e um aquário avançado não existe.
Um aquário básico deve sempre dispor de :

Um bom skimmer
- Isto fará com que a água apresente sempre uma qualidade superior, pois nos livramos dos chamados "nutrientes", que são na verdade, poluentes e contribuem para quedas na qualidade da água quando em excesso. Um ambiente marinho saudável é sempre pobre em nutrientes. Basta vermos em mergulhos, ou mesmo filmes de recifes de corais, para constatarmos a ausência de algas filamentosas, que são as principais consumidoras de poluentes. Se não há "alimento", as algas não podem nascer, mesmo que o ambiente seja muito bem iluminado.
Ora, se não há algas filamentosas no ambiente natural, porque devemos tê-las em nossos aquários?
O simples fato de termos algas filamentosas no aquário já indica que a qualidade da água não é muito favorável. É sempre bom ter em mente : "Tenho algas: tenho excesso de nutrientes. Logo, a qualidade da água poderia ser melhor".
O skimmer é um fracionador de proteínas, que retira da água moléculas poluentes. É sem dúvida um dos principais (se não o principal) equipamentos de nossos aquários marinhos. Nós, brasileiros, temos cometido o erro de colocarmos skimmers pequenos demais em nossos aquários com o intuito de economizar, mas isto tem custado a qualidade de muitos e muitos aquários pelo país. Aconselho a todos que comprem o melhor skimmer possível, pois é um dos investimentos mais importantes do aquário.

Uma forte movimentação de água - A água salgada dificulta a mistura de oxigênio. Por isso, necessitamos de uma movimentação de água muito forte para podermos conseguir bons e necessários índices de oxigênio dissolvido.
O grande problema é que muitos de nós aquaristas, temos colocado pouca potência de bombas d'água em nossos aquários, visando economia de equipamentos, energia elétrica e também para evitar elevações na temperatura do tanque. Isso é compreensível, afinal todos queremos sempre gastar o mínimo possível e obter um bom desempenho, mas mais uma vez, a economia aqui não se justifica. Um aquário com má movimentação de água é sempre sujeito a problemas de desequilíbrios biológicos que resultam na presença de nitrito e amônia excessivos, podendo eliminar todos os animais do tanque. Além disso, podemos notar claramente uma grande incidência de doenças e toda sorte de problemas de adaptação dos animais, bem como uma limitação da população do aquário.
Não é preciso gastar milhares de reais na compra de "mega" bombas, mas sim um investimento em equipamentos de desempenho satisfatório. Não existem regras, mas, um aquário com uma movimentação de água que gire em torno de 15 a 20 vezes o volume total do tanque passando pelas bombas certamente irá proporcionar um desempenho bastante satisfatório. A minha sugestão, no entanto, é a utilização de aparelhos chamados de "gira-gira". Estes aparelhos movimentam uma bomba ou o jato de uma bomba de um lado para o outro de maneira lenta, porém contínua. Isso otimiza a ação dos jatos de água, diminuindo a necessidade de muitas bombas, gerando economia de energia, e menor aquecimento da água. Apenas como exemplo: Um aquário de 300 litros é perfeitamente tocado por uma bomba de marca Quiet One e um gira-gira. Esta única bomba, acoplada a um gira-gira, pode servir para recalque da caixa de circulação (sump), para "tocar" um eventual chiller (resfriador), e ainda movimentar todo o tanque de maneira mais que eficiente. Isso é bom, não?

Um sistema de filtragem biológica bem definido - É muito importante definirmos qual nosso sistema de filtragem para não misturá-los e não causarmos conflitos - e também não gastarmos dinheiro de maneira desnecessária !
Um sistema de filtragem biológica nada mais é do que uma maneira de desenvolvermos determinadas bactérias que proporcionam "transformações" de certos elementos tóxicos em um aquário. É graças a estas bactérias que conseguimos um aquário cristalino e habitável.
O Homem desenvolveu ao longo dos anos vários sistemas de filtragem biológica que vão desde o filtrinho de esponja com bolhas de ar sopradas por um compressor, até o mais avançado sistema de circulação de água por aparelhos que mais parecem espaçonaves.
Na verdade, não precisamos dos mais avançados filtros biológicos, pois as tais bactérias benéficas desenvolvem-se de maneira assustadora, bastando a estas que proporcionemos um mínimo de condições.
Existem no mercado alguns sistemas que são os mais comuns usados em nossos aquários marinhos. Podemos citar o filtro biológico de fundo, o dry-wet, o de areia fluidizada, as rochas vivas... Não podemos colocar dois ou mais sistemas em um só aquário. Seria o mesmo que colocarmos dois motores no mesmo carro, ou duas bolas em um jogo de futebol...
Minha recomendação é que, antes de sair comprando o que o lojista recomenda logo de cara, ou antes de ficar confuso, com tantas opiniões divergentes, o aquarista estude cada uma, veja suas vantagens e desvantagens e procure seguir as orientações destinadas ao filtro desejado.
Um destaque especial aos filtros "canister", tipo Fluval. Na minha opinião, desde que já exista um sistema biológico em seu aquário, seja dry-wet, filtro biológico de fundo, rochas vivas ou outro qualquer, o uso deste filtro é absolutamente desnecessário, podendo sim, tornar-se um estorvo ou mesmo um problema ao aquarista menos avisado, pois tem como principal característica o acúmulo de detritos, bem como a retenção de seres planctônicos (no caso de rochas vivas). Ajuda no acúmulo de nitrato e ainda não ajuda em nada a movimentação de água, já que as bombas usadas no sistema são fracas. Estes filtros são desperdício de dinheiro se usados em aquários marinhos com outro tipo de filtragem já instalado.
Sem dúvida, o sistema de rochas vivas, se bem montado e seguidos os parâmetros básicos, apresenta desempenho superior, mas podemos obter bons resultados com outros sistemas também. Os itens mencionados em toda esta matéria servem para TODOS os sistemas de filtragem, ou seja - devem ser utilizados por você, independente de sua escolha, pois são de fundamental importância para o sucesso de seu aquário.

Um sistema de denitrificação - Um sistema de denitrificação é imprescindível, pois com o passar do tempo, o nível de nitrato de qualquer aquário passa a subir, pois o nitrato é um composto cumulativo, e, mesmo efetuando trocas parciais e usando as questionáveis resinas de remoção de nitrato, certamente os níveis deste composto se tornarão altos.
Os peixes toleram bem altos níveis de nitratos, mas com o passar do tempo e acúmulo dos níveis, os peixes também passam a sentir os seus efeitos. Passam a apresentar perdas de apetite, descoloração e baixa resistência a doenças, entre outras coisas. Além disso, há um problema de pH baixo, que, em parte, pode ser atribuído ao excesso de nitrato no sistema.
Existe hoje um método muito simples, chamado pelos aquaristas aqui no Brasil de "Sistema Jaubert". Trata-se de um sistema natural de eliminação do nitrato.
Colocam-se placas por todo o fundo do tanque, antes de montá-lo. As placas devem ser do modelo com furinhos, e não com cortes, para que o cascalho usado sobre as placas não caia sob as mesmas. A empresa que fabrica estas placas é a Equipaquarium.
Em seguida, joga-se cascalho de halimeda para formar uma camada de aproximadamente 10 centímetros. Alguns aquaristas usam aragonita, mas temos percebido uma calcificação excessiva, transformando o cascalho de aragonita em "pedra". Isso ocorre devido à calcificação. O substrato ideal para ser utilizado no sistema é a halimeda.
Uma dica importante é usar um pouco de aragonita ou dolomita (pedras brancas), ou mesmo um pouco de conchas (aquelas usadas antigamente nos sistemas de fundo) apenas na superfície do cascalho, nas áreas de maior movimentação de água, como os cantos, para impedir que a halimeda, por ser leve, seja removida e buracos sejam feitos no cascalho.
O sistema funciona a partir do momento em que bactérias anaeróbicas (que vêm junto com as rochas vivas), colonizem em grande quantidade as áreas anaeróbicas (pouco oxigenadas) do cascalho. Estas bactérias tem como característica "transformar" nitrato em nitrogênio, que sai para a superfície em forma de bolhas de gás.
Neste sistema, não devemos usar aquelas torres com as bombas, pois se o fizéssemos, estaríamos mudando o sistema para aquele antigo sistema de filtro biológico de fundo. O sistema "Jaubert" não é aeróbico, ou seja, não deve haver circulação pelo cascalho. Apesar da semelhança na construção, os efeitos são completamente diferentes.
Alguns aquaristas têm reportado alguma dificuldade com este sistema, alegando que não conseguem que peixes se mantenham vivos e dizendo que o sistema não funciona. Na verdade, não percebem que o erro está na filosofia, e não na forma de montar o "Jaubert" propriamente dito. Normalmente, estes aquaristas esquecem-se de passos fundamentais como forte movimentação de água, skimmer, luz adequada, etc... Por estes motivos é que seus aquários não vêm funcionando bem. Este sistema vem sendo usado por aquaristas do mundo todo há muitos anos, e é comprovadamente eficiente, desde que os parâmetros básicos de qualquer aquário sejam respeitados.
Por ser montado no fundo do tanque, o único sistema de filtragem que nunca deve ser misturado a este sistema, por ocupar o mesmo espaço, é o filtro biológico de fundo. Todos os outros sistemas são compatíveis, mas é importante dizer que devemos sempre colocar um pouco de rochas vivas para que haja uma colonização do sistema. Pode-se também usar areia viva.
Um dos itens indispensáveis no sistema é usar pequenos animais como os ofiúros e mini-paguros para que andem sobre o fundo e movimentem a primeira camada do cascalho, evitando que depósitos de algum material orgânico em decomposição no fundo se "encontre" com zonas anaeróbicas, o que poderia provocar a formação do perigoso gás sulfídrico.

Uma iluminação adequada - A iluminação em um aquário marinho não tem apenas uma função estética, mas também energética e germicida. As lâmpadas modernas têm uma certa quantidade de raios UV (ultra violeta), que ajudam a combater parasitas e desenvolvimento de organismos indesejáveis.
No caso de um aquário onde desejamos ter invertebrados como anêmonas, zoanthus e mesmo corais, é imprescindível proporcionarmos uma quantidade de luz adequada para que estes animais possam se desenvolver. A luz, nestes casos, permite a estes animais que se alimentem e respirem.
90% dos casos de aquaristas que tinham anêmonas e as viram "derreter" ou diminuir de tamanho, dispunham de iluminação insuficiente ou inadequada.
É recomendável entre 0,5 e 3 Watt por litro de água do tanque. 0,5 Watt para aquários de peixes e alguns invertebrados é suficiente, mas à medida que o aquarista coloca animais fotossintetizantes (que possuem zooxanthellae e por isso dependem da luz para sobreviver), deve incrementar esta quantidade.
Como vimos anteriormente, luz não causa o surgimento de algas. É possível temos um aquário absolutamente sem algas filamentosas e com uma iluminação "absurda", desde que tenhamos uma água pobre em nutrientes - e aí entra o skimmer.

Um controle de temperatura - É fundamental, pois as bombas, potentes, lâmpadas acesas entre 10 e 12 horas diariamente, mais nosso clima tropical, podem fazer com que observemos temperaturas acima de 32 graus em nossos aquários, o que pode ser fatal.
Não há necessidade absoluta de comprarmos um chiller (resfriador), caso não desejemos mantermos corais em nossos aquários. Podemos tomar algumas medidas para amenizar a temperatura do aquário mesmo nos dias mais quentes, para 27 a 28oC.
Alguns pontos principais são :
Nunca usar reatores instalados na tampa. Use-os sempre instalados no móvel ou na parte de trás do móvel, instalados
em uma madeira e em série, conectados por fios. É simples e muito mais seguro. Os reatores não enferrujam e não há
o risco de caírem dentro d'água, o que poderia lhe causar problemas sérios.
Tampas para aquários marinhos devem ser altas. Nunca use tampas de aquários para água doce em aquários marinhos. Com isso consegue-se uma boa movimentação do ar entre as lâmpadas, permitindo uma "respiração" e ventilação da tampa. Use sempre entre 20 e 30 centímetros de altura.
Suas tampas devem ter sempre espaços de respiração. Costumo usar a parte de trás sempre vazada.
Nunca, jamais, em hipótese alguma use tampas de vidro. Tampas de vidro impedem a respiração do aquário e troca de gases da superfície - de nada adiantando movimentar a água se não há como trocar gases - e filtram as lâmpadas do seu tanque em até 40%. De nada adianta comprar as melhores lâmpadas e usar uma tampa de vidro que filtraria a intensidade e o espectro de luz.
Use sempre ventiladores na tampa. São pequenos, não muito barulhentos e "sopram" a água, aumentando a evaporação, reduzindo a temperatura do aquário em até 4 graus. Instale-os sempre ventilando na direção da água e nunca como exaustores, pois não são feitos para exaustores, mas sim ventiladores.

Uma manutenção constante e reposição de elementos
: Uma manutenção constante, com trocas parciais de água (entre 15 e 20% mensais), limpeza dos vidros (a cada 3 ou 4 dias usando o limpador magnético), limpeza do skimmer (uma vez por semana) e alimentação diária são obrigatórias a qualquer aquário. A reposição de suplementos também é fundamental, pois os animais do tanque, as bactérias, as algas, algas calcárias, corais e invertebrados, bem como o funcionamento constante de skimmer e uso do carvão ativado, retiram diária e constantemente uma quantidade de elementos importantíssimos para o desenvolvimento dos animais. Por isso, além das trocas parciais, precisamos repor alguns elementos. São eles : Reserva alcalina - são sais fundamentais que servem para manter um pH constante na água, sem alterações. Os níveis ideais são entre 2.2 e 2.8 meq/l ou 7 e 8 dKH. Para isso, usamos um produto chamado tamponador. Deve ser usado semanalmente de acordo com as instruções do fabricante. Testes devem ser quinzenais, ou ao menos, mensais.

Cálcio - Deve ser reposto diariamente e/ou semanalmente. Existem diversos produtos com esta finalidade. Sua presença na água é importante para o desenvolvimento de algas calcárias, que são "filtros vivos". Os níveis ideais estão entre 380 e 400 ppm. Não é fácil manter os níveis de cálcio neste patamar, por isso, mais importante que mantê-lo nestes níveis, é repor sempre.

Outros Elementos - Estrôncio, Molibdênio, Ferro, Iodo, Magnésio, etc... devem ser repostos, mas seria uma loucura suplementarmos todos estes elementos individualmente. Existem produtos no mercado que servem para repor justamente todos estes elementos em quantidade relativamente satisfatórios. Temos exemplos como o CombiSan, Koralvit Combi e Reef Plus, entre outros. Uns bons, outros melhores. Consulte pessoas mais experientes para saber qual usar e como usar. É importante saber que estes produtos não são alimentos de corais ou de invertebrados, mas sim suplementos para a água, devendo ser usados tanto em aquários só de peixes quanto de corais e invertebrados.
Por tudo o que foi escrito, acredito que não há diferença entre um aquário básico e um aquário avançado... Ao menos não da maneira que temos visto ocorrer no mercado. Assim como um carro precisa de motor, carroceria, rodas, chassi, volante, câmbio, etc.. para andar e ser seguro, um aquário marinho também precisa dos itens acima para não se transformar em um "calabouço" a médio ou longo prazo.

Um aquário avançado, em minha opinião, é um aquário para corais e invertebrados, onde precisamos de mais luz, maior controle de temperatura e um monitoramento constante de alguns parâmetros, e um aquário básico é o que foi descrito neste artigo.
Na minha opinião, um aquário sem estes requisitos básicos é, na verdade, uma crueldade.


 
 
       
 
Algumas informações sobre a Artemia
     
 

São pequenos crustáceos que vivem em salinas ou lagos. Servem aos aquaristas como grande fonte de proteínas. Trata-se de um dos melhores alimentos que se pode oferecer aos peixes.
Criadores de peixes ornamentais que querem ver sua produção crescendo rapidamente oferecem os náupilos (filhotes de artêmia) aos seus filhotes e obtém fantásticos resultados.
Não possuem carapaça quitinosa (casca ou proteção dura) e por isso são facilmente digeridas por qualquer espécie de peixe.
Podem ser compradas na fase adulta em casas especializadas e também em forma de ovinhos que são facilmente eclodidos em sua própria casa.
Há uma estimativa que diz que a indústria de aquariofilia mundial consome cerca de 30 toneladas por ano destes pequenos crustáceos.

Valores Nutritivos da Artêmia Adulta:
42,5 % de proteínas
23,2% de gordura
6.000 calorias/grama

Valores Nutritivos do Náupilo c/ 6 dias:
59,72% de proteínas
7% de gordura
400 calorias/grama

Pode-se armazenar os cistos (ovinhos) por até 20 anos, desde que esteja em ambiente de vácuo ou atmosfera de nitrogênio.

Como alimentar com segurança seu tanque com estes bichinhos?

Algumas pessoas afirmam que alimentar os peixes do aquário com artêmias pode ser perigoso, pois transmitem doenças.
Estas pessoas têm alguma razão, mas se tomarmos algumas medidas muito simples, nos veremos livres de praticamente todos os perigos das artêmias.

· O primeiro passo, é nos certificarmos que as artêmias estão vivas e saudáveis. Nunca compre artêmias em uma loja onde a água apresentar cheiro de podre e grande quantidade estiver morta.

· Compre artêmia viva e se possível alimente no mesmo dia.

· Mas, se quiser armazenar por algum tempo artêmias vivas, compre uma caixa de isopor, corte-a na metade para permitir boa ventilação na superfície. O nível d'água não deve passar os 10 centímetros e o local deve ser arejado e bem fresco. Aspire com uma mangueirinha (aquelas de ar) a sujeira que diariamente vai se depositar no fundo da caixa. O prazo médio de vida destas nas condições acima descritas é de 7 dias.

· O ponto principal antes de alimentar os seus peixes com este pequeno crustáceo é lavá-las com uma redinha apropriada e deixá-las em água doce por cerca de 10 minutos. Com isso, germes e parasitas morrerão por choque osmótico devido à diferença de densidade, tornando segura a alimentação com as mesmas.
Depois disso, sirva seus peixes, mas não exagere! São alimento perfeito, mas se sobrarem no tanque, morrerão e causarão problemas...
Obs... Alguns autores dizem que, em caso de tratamento de alguma doença no tanque, as artêmias são perfeitas pois se adicionarmos algum remédio na água em que estiverem, absorverão grandes quantidades do medicamento, que será ingerido pelo peixe que abocanhá-la.

Sérgio Gomes - revista @qua - outubro 1997

 
 
Apostila dos cursos de aquarismo marinho
       
 

O texto à seguir é o que costumava usar em minhas apostilas dos cursos de aquarismo marinho.

 
    1 - Introdução  
  Sergio Gomes

Por que será que o homem gosta tanto do mar?
O que poderia dar assunto para mais de horas de explicações e teorias, em minha opinião pode ser definido não com palavras mas sim com imagens. Basta olhar para o mar... Quem não gosta de uma boa praia...cervejinha...algumas gatinhas tomando sol... bem...quer dizer....hummm.... esta parte é melhor deixar de lado... Mas quem não gosta do mar? De dez pessoas que forem questionadas se gostam ou não do mar, nove dirão que sim, e a que disser que não está mentindo.

 
       
  a
Se deixarmos a praia um pouco de lado, e nos aprofundarmos literalmente nos recifes de coral...bem, aí posso dizer que é uma tremenda covardia.
Não há explicação para a atração, apenas podemos mostrar imagens...
Quem nunca se apaixonou por um peixe palhaço
se aconchegando em uma anêmona? Ou por um preguiçoso e dorminhoco cavalo marinho se esforçando para romper a correnteza? Ou ainda uma enigmática estrela do mar, ou um estranhíssimo ouriço ? Quem é capaz de passar diante de um aquário marinho sem parar por alguns segundos para admirá-lo?

 
       
 
Tenho certeza que todos os aquaristas marinhos são amantes da natureza, e por isso
a querem por perto e decidiram manter um pedacinho vivo de tudo isso dentro de casa.
Só que para mantermos tais fascinantes criaturas em cativeiro, precisamos respeitar
e atender as suas exigências.
Devemos pensar e agir não como se um tanque marinho fosse um quadro, mas sim
um pequeno ecossistema que depende exclusivamente de nós para que se mantenha
saudável e estável, e para isso nos reunimos. Seria muito egoísmo de nossa parte
apenas aprisionar os animais marinhos para nosso prazer. Devemos procurar o bem
estar destes animais que não pediram para estar ali, caso contrário, melhor que
estivessem felizes e saudáveis na natureza.
Por falar em natureza, imagine que há quem pense que o aquarista é o inimigo
número um da ecologia marinha... Há, é claro, um fundo de verdade nisso, pois
incentivamos de maneira direta a coleta predatória de animais marinhos
como corais, invertebrados e peixes.
No entanto, nos países mais desenvolvidos, ou mesmo nos países subdesenvolvidos
com acompanhamento de universidades e institutos de pesquisa são feitos programas
de reprodução em cativeiro bem como delimitação de áreas de coleta e períodos
específicos. Devemos começar a pensar nisso no Brasil...
Imagine que nos EUA, não é raro vermos aquaristas que sustentam seu hobby pela
reprodução em cativeiro de corais e invertebrados vendendo mudas ou colônias
formadas em seu tanque. Impossível? Que nada! Bico! Basta termos aquários como
manda o figurino, seguindo as técnicas mais modernas, sendo paciente que tudo
se arranja. Os corais criam aos montes, crescem e somos obrigados a podá-los ou
a retirá-los do tanque por falta de espaço, e não mortos como se supõe
(quem nunca disse ou ouviu : Quanto tempo dura este bichinho?).
 
       
  a  
       
 

Os locais de maior biodiversidade, e portanto, mais visados aos coletores de
peixes são Mar Vermelho, Grande Barreira de Corais (Austrália) ,
região Caribenha, e em algumas poucas regiões africanas e da América do Sul
como nordeste brasileiro por exemplo. Nestes locais notamos algumas coisas
em comum como altíssima qualidade de água (livre de nutrientes), verão
praticamente o ano todo (o que significa dizer forte e intensa luminosidade
- também devido a claridade da água) e uma temperatura estável, na maioria
das vezes alta entre 24 e 27 graus. Portanto, temos aqui alguns parâmetros
para obtermos sucesso com nossos aquários marinhos :
Qualidade da Água, Boa Iluminação e Controle de Temperatura.

Como conseguir isto? Veremos agora...

2 - Definindo o Sistema de Filtragem
Um dos pontos fundamentais quando falamos em aquarismo marinho é definir
um sistema de filtragem que atenda nossas exigências e as necessidades
dos peixes. A questão financeira é importante para você, mas não para o peixe.
Isto não significa que terá que gastar milhares de dólares se quiser ter um
aquário marinho, mas também significa que o mais importante é a qualidade e
não o preço (dentro de suas possibilidades é claro).
Para deixar mais claro, antes de comprar ou decidir montar um aquário marinho,
você deve responder a algumas perguntinhas a você mesmo.
- Quero mesmo ter um aquário?
- Será que vou cuidar mesmo deste aquário?
- O quanto eu gosto de aquários?
- Quanto dinheiro poderei gastar neste aquário?
Respondidas estas questões, você pode achar seu sistema de filtragem mais
adequado.

Filtro Biológico de Fundo - Opção mais barata e mais simples de montar.
Pode funcionar bem por muitos anos desde que rigorosas manutenções e
controle da qualidade da água sejam feitas.
Dores de cabeça inevitáveis e limitações como incompatibilidade com
corais e invertebrados e até alguns peixes.
O visual chega a ser deprimente em alguns casos.

Dry-Wet - Opção intermediária. Pode trazer alguns problemas se a
construção deste filtro não for bem feita.
Excepcional para peixes e compatível com alguns invertebrados mais
resistentes. É a opção de quem gosta de peixes ou não pode
comprar um chiller ou montar um caro tanque de rochas vivas.
Não dá dores de cabeça se bem equipado e algumas regrinhas de
manutenção forem seguidas à risca.

 
       
  a

Rochas Vivas - Coqueluche do momento, este sistema de filtragem pode se transformar em um tormento na vida do aquarista desprevenido financeiramente ou que tenha aversão a aprendizado ou leituras específicas. Não se trata de um bicho de sete cabeças, mas o sistema apresenta algumas exigências que serão abordadas durante a palestra, e a desobediência destas exigências pode acarretar em grandes prejuízos e lamentações sem fim.

 
       
 

Definido o sistema que iremos adotar, devemos repetir uma pequena
oração para nós mesmos : "Farei tudo direitinho. Não farei gambiarras,
não visarei economia no essencial, não desprezarei as exigências deste
sistema e não os confundirei nem os misturarei.
Se escolhi este sistema é porque sei de suas limitações, não cabendo a
mim reclamar depois, possuo condições financeiras para mantê-lo e sei
que a paciência e a leitura visando o aperfeiçoamento é a
alma do negócio... Amém".

3 - O que é uma Rocha Viva?
Rocha viva na verdade é um agrupamento de uma série de coisas como
corais mortos, algas, invertebrados, carapaças de invertebrados, areia,
etc, que são calcificados por algas calcárias que nascem sobre estes
elementos.
A principal função da rocha viva nos aquários é a colonização de diversas
espécies de bactérias que permitirão que nossos aquários se mantenham
limpos mesmo com uma produção constante de material orgânico
(é claro que com auxílio de outros recursos como skimmers, trocas parciais, etc).
As rochas também é permitem o cultivo da mesma alga calcária que as
compõe e que nos aquários tem uma função muito importante em como
consumo de material orgânico, além de nitrato e fosfato permitindo assim
uma pureza muito maior de nossa água além de inibir o desenvolvimento
das algas filamentosas.
Outra função é criar um denitrificador natural em seus orifícios e buracos
onde não circulará água e algumas bactérias se formarão capazes de
transformar o nocivo e indesejável nitrato em nitrogênio, mas esta função
é limitada, e por isto é aconselhável um sistema de denitrificação como o
Jaubert.
Escorar os corais e função decorativa são outras funções secundárias das
rochas, e além disso tudo, elas contém muita vida, vem carregadas com
pequenos invertebrados e alguns tipos de esponjas e algas que servirão
de alimento natural para os peixes. Nada mais saudável que este tipo
de alimento.

4 - Construção de um Aquário de Rochas Vivas
Está mais do que claro que em um aquário de rochas vivas precisamos ter
o que chamamos de caixa de circulação que deve ter um local apropriado
para a colocação de um ou mais skimmers, uma caixa de reposição de água
doce e local para colocação de carvão ativado e outras resinas para o caso
de necessidade. Esta caixa pode ser atrás, ao lado, dentro, em baixo, em
cima ou até bem longe do aquário, mas deve seguir as exigências já citadas.
As rochas vivas podem ser amarradas, coladas, perfuradas, serradas para
encaixe, enfim tudo o que você imaginar para que fiquem bem acomodadas
nos aquários e formem uma bela decoração.
Atenção especial a iluminação que neste sistema tem papel fundamental.
HQI's são ótimas opções, mas tudo dependerá do tipo de animal que o
aquarista desejar manter. O principal é mantê-las afastadas da água no
mínimo 30cm e que uma ventilação ocorra entre elas e a água do aquário.
No livro "O Aquário Marinho & as Rochas Vivas" existem algumas sugestões
para a construção de um bom aquário de rochas vivas.

Apenas uma pequena, porém útil observação: Ao comprar suas rochas
vivas certifique-se que recebeu tratamento adequado para que não corra o
risco de ver seu tanque literalmente apodrecer devido a enorme quantidade
de material orgânico pois ocorrerá a morte de diversos seres que viviam nas
rochas e que não deveriam mais estar lá como esponjas, algas,
pequenos invertebrados, etc...

Dentre os seres que não deveriam estar lá podemos citar os siris,
camarões devoradores de animais caros, pequenas anêmonas (aiptasia),
pequenos vermes como lesmas entre outros. O grande problema é que
estes indesejados inquilinos são persistentes e freqüentes em nossos
tanques mesmo que o tratamento das rochas seja adequado.
Armadilhas e outras técnicas de remoção devem ser usadas para o controle
destes animais.

5 - Qualidade da Água
Todos os equipamentos que temos, e todas as atitudes que devemos
tomar em relação a nossos aquários marinhos deve visar a manutenção
de uma excelente qualidade de água. Portanto, a água usada em nosso
aquário deve ser a melhor possível para facilitar a nossa tarefa.
Se a opção for água natural, você deve escolher uma ótima praia
(o que não é ideal) e contar com a sorte.
Se a opção for água sintética, devemos optar por uma boa marca de sal e
usar água doce deionisada ou passada por um aparelho reversor osmótico
tanto para a mistura quanto para a reposição.
Trocas parciais periódicas (mensais ou semanais), em minha opinião, ainda
são obrigatórias, embora estejamos realizando alguns testes sobre a
diminuição ou eliminação por completo das chatas e trabalhosas trocas
parciais.
O estudo se baseia na teoria do vaso, ou seja, se temos uma planta em
um vaso, não precisamos trocar a terra, mas apenas adubar para que não
faltem nutrientes as plantas e eventualmente adicionar mais devido ao efeito
da erosão. Nos aquários, a teoria se aplica mais ou menos da mesma forma:
Adicionamos todos os elementos necessários para não termos uma água
pobre, mas aqui o problema é um pouco diferente. Há uma produção
constante e acumulativa de dejetos orgânicos que nos trazem uma série de
problemas, entre eles as "maledetas" algas. Para não termos este problema,
devemos dispor dentre outras coisas de potentes, eficientes e caros skimmers.
Mas tendo estes skimmers, teremos ainda uma água pobre, o que pode
ocasionar perda excessiva de elementos fundamentais resultando em perda
de coloração e até morte de alguns corais e invertebrados e também peixes.
Sabendo disso, devemos ser criteriosos na reposição destes elementos.
E aí surge o X da questão pois não sabemos exatamente das necessidades
de nosso tanque e muito menos o quanto se perde diariamente destes
elementos. Temos apenas uma idéia do que geralmente ocorre e do quanto
de quê o aquário necessita, e por isso a reposição destes é na base da
tentativa.
Dependemos do que chamamos "olho crítico", o que só adquirimos com o
passar dos anos lidando com aquários e dos testes devem ser efetuados
com certa freqüência. Lembre-se : Basicamente necessitamos de Estrôncio,
Molibdênio, Ferro, Iodo, Cálcio, Elementos Tamponadores e outros elementos
em menor quantidade (elementos traços).
A diminuição nas trocas parciais não é algo recomendado a
aquaristas iniciantes.

6 - Carvão Ativado
É um elemento fundamental em qualquer aquário, seja ele marinho ou doce.
Retira uma série de elementos tóxicos da água entre eles o fenol e ácidos
húmicos que tingem a água deixando a com tom amarelado.
Devemos, se possível, realizar testes de fosfatos no carvão antes de usá-lo.
Procure marcas confiáveis e use-o com freqüência, substituindo-o de acordo
com a necessidade (verificando a cor da água) ou para segurança,
estabeleça prazos definidos como uma vez por mês ou 45 dias...

7 - Algas - A Pedra no Sapato
É sem dúvida o maior problemas enfrentado pelo aquarista marinho que
possui um aquário de rochas vivas.Para solucioná-lo devemos ser pacientes,
mas muuuito pacientes e bastante criteriosos. Siga corretamente as dicas do
capítulo VIII pag 73.
Além destas dicas, anote aí: Blue Leg Hermit Crabs - parece um palavrão,
não? Mas são simplesmente pequenos ermitões de patas azuis que
simplesmente detonam as algas. São um fortíssimo aliado na briga contra
as algas. Existem no Brasil algumas espécies de pagurus ou ermitões que
também são ótimos. São minúsculos (2 a 3 cm) encontrados principalmente
sob pedras de local onde existe limpeza de peixes recém pescados.
Possuem normalmente sua "casa" com formato em espiral.
São por nós conhecidos por mini-paguros. Quantos colocar?
Recomenda-se 1 por galão, ou seja um para cada 4 litros. Exagero?
Bem, coloque para um aquário de 300 litros uns 40 ou 50 que está bom.
Fique tranqüilo! Não atacam corais e muito menos invertebrados.
Somente as algas ou alguns animais mortos ou restos de comida.
- E depois que as algas acabarem? Vão morrer de fome?
Não. Eles sempre acham o que comer. Até porque as algas em seu aquário
vão estar ainda presentes, mas de maneira controlada. Isto é verificado
quando o vidro da frente , mesmo de um aquário de excepcional qualidade,
ficar sem limpeza por uma semana ou mais.
Veja Bem: De nada adianta nada fazer apenas uma ou outra coisa e
desprezar as outras, ou seja, não adianta colocar 300 mini-paguros em seus
tanques se não tomar as outras medidas recomendadas como trocas parciais,
escovações, aumento de potência e qualidade do skimmer, peixes algueiros,
boa circulação, incentivo as algas calcárias, etc, etc e etc.
É como cuidar de um resfriado:
De nada adianta tomar antibióticos se continuar tomando friagens,
gelado, não repousar, e ainda não tomar outros medicamentos prescritos
pelo médico.Mas não apenas de algas ruins vivem o nosso aquário.
Aliás as algas são muito importantes para o perfeito equilíbrio de nossos
tanques.
Temos as zooxantellaes e as macro algas.
As primeiras são aquelas unicelulares que vivem nos tecidos dos
invertebrados fotossintetizantes e fornecem oxigênio e alimento
para eles.
As segundas são muito belas e úteis, pois consomem praticamente os
mesmos elementos que as "maledetas" filamentosas e ainda ajudam no
controle do nitrato e servem de alimento para alguns herbívoros, mas fique
atento, pois alguns destes passam da conta e comem toda macroalga que
crescer em nossos tanques.
Dentre estes esfomeados estão o Yellow Eye e o Fox Face.
Portanto, se quiser algas bonitas e saudáveis para dar e vender,
evite estas duas espécies.

 
       
  a

Você sabia... Que em 1 centímetro cúbico
cabem cerca de um milhão de zooxantellaes?
Acredite se quiser...

A zooxanthellaes vivem nos
tecidos dos invertebrados.

 
       
  a

Nitrato - A presença deste elemento em
excesso pode trazer sérios problemas
ao aquarista, inclusive em relação a algas,
mas é muito importante para a maioria
dos seres habitantes de nossos aquários.
Deve existir (e sempre existe),
mas em quantidades muito pequenas.

 
       
 

Se conseguirmos mantê-lo próximo a zero, ótimo, mas são toleráveis
níveis até 10ppm para a maioria dos corais (exceto as xênias),
embora nestes casos, devemos estar alertas e pensando em tomar
providências como aumento de trocas parciais ou instalação de
algum denitrificador e até melhora do skimmer.
Se não tivermos excesso de outros elementos incentivadores de
algas, e todos os aparelhos funcionando na mais perfeita ordem,
pode ocorrer de termos níveis preocupantes de nitrato e não termos
algas no aquário. O grande problema das algas está mesmo
relacionado ao excesso de nutrientes, entre eles em especial os
fosfatos que mesmo em quantidades ínfimas podem colaborar com
o desencadeamento de uma infestação.
Embora façamos testes, e não encontremos a presença deste elemento,
ele pode existir em quantidades imensuráveis pelos testes convencionais,
mas perfeitamente identificáveis em testes mais apurados.
Estas pequenas concentrações, mais alguns agravantes podem
desencadear uma infestação.
Como controlar? Bons skimmers, higiene, trocas e reposição com água e
sal de boa qualidade, boa marca de carvão ativado, etc... No livro temos
dicas mais específicas e detalhadas.

Ainda sobre o nitrato, existe o que chamamos de sistema Jaubert que se
trata de um denitrificador natural e que resolve também a questão :
"O que colocar no fundo para não ficar aparecendo o vidro?".
Mas esta é apenas uma das mil e uma utilidades deste magnífico
sistema. Além de baixar considerável e definitivamente os indesejáveis
níveis de nitrato, este sistema também pode ajudar na composição química
da água liberando elementos natural e constantemente auxiliando por
exemplo na composição do cálcio e de alguns elementos tamponadores.
Realmente funciona. Existem duas maneiras básicas de montarmos este
sistema. A primeira é exatamente como podemos ver nas figuras 1 e 2,
ou seja, duas camadas de cascalho que pode ser composto de halimeda
ou aragonita separadas em camadas por telas de nylon. Estas camadas
ficarão sobre uma placa para deixar assim um espaço no fundo do tanque
| apenas com água. Aí fica o que denominamos Plenum, que é uma área
de baixíssima oxigenação, PH e que permitirá o que chamamos de
movimentação por difusão, ou seja, a água de baixo PH tende a subir,
passando pelas camadas de Halimeda ou aragonita há uma liberação de
partículas que compõem estes substratos, tornando o PH mais alcalino
que inicialmente.
Claro que a água que sai dos sistema é livre de nitratos,
e a água que entra no lugar desta sofrerá o mesmo processo
de denitrificação. Este processo é contínuo e natural,
não necessitando de bombas ou qualquer interferência por parte
do aquarista.
Outra maneira de montarmos o sistema é colocarmos simplesmente o
cascalho sobre placas de filtro biológico de fundo, mas devemos procurar
por aquelas com furinhos redondos e pequenos. O funcionamento é
basicamente o mesmo com algumas vantagens.
Para maiores informações sobre o sistema, leia a terceira edição do livro.

8 - Iluminação
O objetivo da iluminação em aquários, em especial os de rochas vivas
com invertebrados e corais é proporcionar alimento e oxigênio a estes
animais, pois sabemos que 90% da nutrição destes pode depender da
zooxantellae que é uma alga unicelular que nasce e sobrevive na pele
destes animais e fornecem alimento e oxigênio a estes, recebendo em
troca os dejetos liberados. Além disso, as algas calcárias são responsáveis
peparte importante.

Devemos procurar imitar a luz do sol e o efeito desta
ao penetrar na água.

- Qual o tipo de lâmpadas que devo usar em meu aquário?
Tudo depende do tipo de animal que deseja usar em seu tanque.
Acróporas, tridacnas, entre outros corais duros necessitam de intensa
iluminação feita por HQI's em quantidade considerável. Já soft corals
como leathers, colts, alguns zoantídeos e mushrooms podem viver
maravilhosamente bem com lâmpadas fluorescentes. Se seu desejo é
possuir variedade grande de corais, recomendo a mistura de lâmpadas
aHQI's10000 graus K com as actinics (azuis) e respeitando as
recomendações de distância e ventilação.

 
       
  a

9 - Temperatura
Deve ser uma preocupação constante do
aquarista marinho. Corais e invertebrados
não suportam mudanças bruscas de
temperaturas, e não toleram valores acima de 28ºC, pois seu metabolismo entra em colapso.

 
       
 

Existem vários recursos para amenizar o problema, como ventiladores
fixados na tampa, voltados para baixo, por exemplo.
Existe até um termostato que liga e desliga esses ventiladores à medida
que for necessário para controlar a temperatura em um valor pré
determinado. Isso funciona muito bem e recomendo a todos os aquários.
Outro recurso, bem mais caro, mas fundamental na maioria dos aquários
que tenham corais e invertebrados mais sensíveis, especialmente no verão
e em cidades quentes do país, é o chiller. É um aparelho com motor de
geladeira que controlará a temperatura do aquário no nível desejado.

10 - Skimmers
São simplesmente tudo para um tanque de rochas vivas,
e muitíssimo importantes para aquários convencionais como
os dry-wets por exemplo.
Os recifes de coral apresentam água muito pobre em nutrientes,
e por este motivo, nossos aquários devem apresentar os mesmos
parâmetros.
Como conseguir isto em um sistema fechado? Com potentes e
poderosos skimmers. Aqui não se pode economizar.
A palavra é superdimensionar, e escolher o sistema mais eficiente
para evitar sérios problemas e dar um passo gigantesco em direção
ao sucesso absoluto do aquário.
Os skimmers com sistema down draft (conhecidos também por ETS)
são a coqueluche do momento, principalmente nos EUA,
mas os Tunzes, os Berlins entre outros ainda são uma boa opção
desde que dimensionados (ou superdimensionados) de acordo
com a capacidade do tanque..
- Mas que preconceito heim? E os Turbo Skimmer Queen coreanos?
Não é preconceito. Os coreanos funcionam, mas são limitados...
Os down drafts são excelentes e, talvez, os melhores do mundo,
mas dependem de uma excelente regulagem, o que demanda
alguns dias e muita paciência por parte do aquarista.

11 - Potencial Redox
Fator de máxima importância, mas muitos não sabem e nem
querem saber o que é só por causa do nome.
Sim, é verdade que potencial redox é um
conceito complexo, mas também não é um bicho
de sete cabeças.
O ORP como pode ser chamado, é o resultado entre
oxidação e redução de um ambiente.
Resumindo, algumas moléculas apresentam tendência a
perder elétrons (oxidantes), e outras, ganhar (redutores),
portanto, se tivermos mais elementos oxidantes que redutores
teremos um ORP positivo (o que ocorre em nossos aquários).
Para termos um alto ORP, o que deve ser um objetivo a ser
perseguidos pelos aquaristas, devemos incentivar a dissolução de
oxigênio na água e evitar elementos redutores como excesso de
alimento e elementos orgânicos (nutrientes de maneira geral).
Para medirmos o ORP, existem alguns medidores eletrônicos da
marca pinpoint que não são tão caros e são de fácil manuseio
e instalação, porém existem outros mais precisos como os
caríssimos, mas de qualidade indiscutível , Octopus que vem
com outros medidores e apresentam diversos opcionais.

12 - PH
Fator de máxima importância para a sobrevivência e
desenvolvimento dos seres marinhos.
Muito importante também para o processo de calcificação de
corais e alguns vegetais.
Por si só, não há como este fator se manter estável em nossos
aquários, e devemos interferir de maneira direta, usando um
tamponador para que se mantenha elevado.
Muitas pessoas acreditam erroneamente que tamponadores só são
usados em aquários de rochas vivas. Na verdade qualquer aquário
de qualquer sistema necessita da adição destes produtos,
pois só mantendo uma reserva de alcalinidade elevada conseguimos
evitar as perigosas quedas de PH especialmente durante a noite,
pois os carbonatos, bicarbonatos e hidróxidos neutralizam os
efeitos dos ácidos produzidos naturalmente pelo
metabolismo dos animais.
Além disso, as algas pink só se desenvolvem quando o tanque
apresentar um nível relativamente elevado deste elemento
(8 a 9dKH ou 2,8 a 3.2 meq/l).

13 - Densidade
É a quantidade de sólidos e gases que a água possui.
Convencionou-se medir a densidade que deve estar sempre
entre 1020 - para aquários de peixes - e 1023 para aquários com
corais e invertebrados.
Fator também muito importante para sobrevivência e
desenvolvimento de seres marinhos, e devemos evitar
alterações bruscas e constantes. Para ajudar, devemos instalar
uma caixa de reposição de água doce em nossos aquários,
principalmente nos de rochas vivas, onde poderemos usar o famoso,
útil e perigoso (se usado de maneira indevida) Kalkwasser.
Além disso, se formos viajar, não precisaremos nos preocupar
com isso por vários dias.
Temos no mercado algumas pequenas engenhocas que servem
para repor a água evaporada, mas o mais comum é vermos os
sistemas de bóia ou pressão.

 
       
  a

14 - Elementos Importantes na
Composição da Água

- Cálcio - Puxa! Como é difícil manter em níveis adequados ( 380 a 400ppm) este elemento!
É muito importante para a formação de corais
e algas calcárias, incluindo as pink que são extremamente úteis aos nossos tanques.
Existem opções diversas no mercado mundial. Reatores de Cálcio tem sido muito usados na Europa, no Brasil, no entanto, é mais difícil
pois se trata de algo um pouco mais complexo,
caro e necessita de controle mais rigoroso.

 
       
 

Outras formas, mais comuns por aqui são o hidróxido de cálcio
(kalkwasser) nas caixas repositoras - os dosadores também tem sido
usados com mais sucesso e vantagem que as repositoras,
pois permitem adicionar este elemento mais misturado com a água
com ajuda de uma bomba na caixa ligada em um timer que aciona
algumas vezes durante a noite... Bio Calcium também é uma boa opção
pois já vem com CO2, facilitando na dissolução do cálcio.
Outras formas são os reef calcium vendidos normalmente de diversas marcas.
O melhor e definitivo método de inserir cálcio no aquárioé mesmo o reator de cálcio.

- Estrôncio - Elemento muito semelhante ao cálcio e que também compões as
estruturas de corais e algas, mas em muito menor quantidade.
Encontrado na forma líquida, é integrante do Combisan.
Níveis entre 8 e 10 mg/l são necessários, no entanto, dificilmente
encontraremos testes deste elemento.

- Molibdênio - muito pouco deste elemento é necessário para que tudo
corra bem nos aquários( cerca de 10ppb), e por esta razão é que normalmente
já o encontramos junto com o estrôncio.

- Ferro - Fundamental para o desenvolvimento de macro-algas e para as
zooxantellaes dos corais. Cerca de 0,05ppm a 0,1ppm são necessários.
Cuidado para não exagerar, pois pode auxiliar no desenvolvimento de algas.

- Iodo - Muito importante, e por que não dizer fundamental para a
sobrevivência e desenvolvimento de todos os seres marinhos, inclusive bactérias.
Os níveis ideais são de 60ppb. Este elemento é facilmente absorvido pelas
atividades dos seres marinhos ou pelos skimmers, mas não devemos nunca
exagerar, pois isto certamente acarretaria em uma infestação por algas.

- Elementos Traços - Constituem uma série de elementos em quantidades
pequenas, mas que compõem a água do mar, e por isso são importantes
para o desenvolvimentos dos seres marinhos. Entre estes elementos
podemos citar o bário, lítio, cobre, zinco, selênio, magnésio entre outros.

COMBISAN - Produto de excelente qualidade, mas que se usado de
maneira incorreta pode comprometer o equilíbrio do aquário, acarretando na
maioria das vezes em algas. Contém todos os elementos necessários para a
sobrevida dos animais, nas quantidades corretas e em equilíbrio,
exceto cálcio e tamponadores.

15 - Peixes
- Porque eles morrem tanto?
Existem milhares de explicações, mas as mais comuns são sem dúvida as que seguem:

-Problemas na Coleta
(venenos, má descompressão, etc)

- Problemas de Estocagem
(más baterias, dias e dias com alimentação inadequada, etc)

- Problemas de Adaptação
(excesso de cobre nas baterias, dificuldade de acostumar-se com
alimentos dados pelo aquarista, etc...)

- Problemas em seu aquário
(esta é uma das mais comuns, pois sabemos que muitos aquários não
possuem o mínimo necessário para que este viva bem.
Normalmente são tanques onde só sobrevivem palhaços e donselas.
Todos os motivos citados acima resultam em 98% dos casos em doenças
e outra parcela grande em morte.)

Para tentar reduzir ao máximo os problemas causados pelos problemas acima,
devemos ter uma bela e proveitosa quarentena. Isto reduziria e muito a
mortalidade de peixes comprados por você, pode ter certeza disto.
Pena que ninguém as tem, e sem elas, adicionar peixes em nossos tanques
passam a ser sem dúvida uma loteria. Portanto, para quem quer ter uma
garantia maior de sobrevivência de seus peixes, Quarentena!

 
       
  Coral 16 - Corais e Invertebrados
São tantos! No livro encontrarão
algumas dicas... Eu sei, eu sei, faltaram fotos... Desculpem, mas a grana não deu e
infelizmente eu só tinha um carro para vender...
Algumas dicas novas: Xênias -
Não gostam muito de trocas parciais
devido às variações das condições da água.
Cuidado ao efetuar suas trocas...

 
       
  Acróporas & Hydnophoras - Não adianta, não vão bem em aquários sem HQI's
em grande quantidade e uma concentração boa de cálcio.
Existem uns peixinhos chamados Clown Gobies são um docinho de criaturas...
Pequeninos e engraçadinhos, mas se tiver Acróporas no tanque, mantenha-os
longe de seu tanque. Não as atacam, mas "pousam" sobre elas e as
elegem suas casas. Estas não gostam de serem tocadas, retraem seus
pólipos e em alguns meses podem morrer. Adivinhem como eu descobri isso?
Pois é... No meu aquário!

Tridacnas - Além de excelente luz, necessitam de um pouquinho de nitrato e
excelente qualidade de água.

Yellow Polyps - Coloque artêmia para eles. É fácil pois são bons caçadores...
Se o fizer, terá boas surpresas!

Gonioporas - Em geral, morrem em pouco tempo. São possíveis sim de serem
mantidas em cativeiro, mas necessitam de uma rigorosa e freqüente alimentação,
forte iluminação e boa movimentação. Daí o fato de sobreviverem bem em
ambientes muito piores que nossos aquários em termos de qualidade de água.
São ambientes ricos em nutrientes...
 
       
  Livro

17 - Tchau!
Obrigado por terem comparecido e demonstrado seu interesse em nosso fantástico hobby.
Espero que algumas dúvidas tenham sido resolvidas, mas não deixe de ler o livro
O Aquário Marinho & as Rochas Vivas para que tenha informações mais detalhadas e também para me ajudar a ficar rico...

Abraços

Sérgio Gomes

 
       
 
Algas Calcárias: como cultivá-las?
     
 

A importância que as algas tem para a vida marinha é indiscutível. Exercem papéis de filtro, fonte de oxigênio, alimento... Em nossos aquários não é diferente.
No passado, pensávamos que aquário infestado de algas filamentosas era sinônimo de aquário bom.

De fato, estas algas filamentosas retiram alguns elementos prejudiciais ao tanque como elementos orgânicos, nitrato e fosfatos, mas oferecem muito mais contras que prós, pois além de muito feias, infestam o ambiente todo prejudicando o tanque, podendo sufocar corais e outros invertebrados e também poluir um aquário, matando praticamente todas as formas de vida existentes, caso algum desequilíbrio aconteça e grandes quantidades de algas morram de uma só vez.

Para manter o aquário livre destas pragas, basta manter uma alta qualidade de água, deixando-a acima de tudo, pobre em nutrientes, assim como acontece nos recifes de coral, e conseguimos isso através de trocas parciais de água e skimmers eficientes. Outros fatores contribuem para manter a água pobre em nutrientes, e entre estes podemos citar as algas calcárias como o principal.

De cor pink, e em alguns casos vermelhas e até verdes, estas algas são compostas basicamente de bicarbonatos e cálcio. Consomem nutrientes da água, entre eles diversos poluentes como fosfatos e nitratos e dão ao aquário um aspecto legal e uma qualidade fantástica.

Existem centenas de espécies de algas calcárias, e entre elas podemos citar a Halimeda sp. Lembram-se do sistema Jaubert? Aquele cascalho que recomendamos para ser usado como substrato? Pois então, são elas! São verdes e se parecem com pequenas bolachas grudadas umas às outras e assim vão crescendo para todo lado. São belíssimas e existem em abundância aqui no Brasil. Podem ir muito bem em nossos aquários, desde que tenhamos uma água de boa qualidade e boa iluminação (HQI de preferência). Normalmente conseguimos mudas em lojas, ou por vezes estas vem grudadas em rochas vivas.

Mas vamos aqui nos ater basicamente às algas calcárias que consideramos mais importantes :
As algas pink.

Estas algas, quando em abundância, proporcionam altíssima qualidade de água, e probabilidades muito menores de ocorrência de algas filamentosas. Além de concorrerem com estas pelo mesmo alimento, não permitem que pequenas "mudas" destas algas nasçam em sua superfície. São fundamentais para o sucesso de um mini-reef.

Estas algas, em geral, já vêm com as rochas vivas. É possível que nasçam em aquários de dry-wet ou mesmo filtro biológico, mas desde que encontrem condições favoráveis (qualidade de água, boa luz, reserva alcalina ideal, etc...), bastando a colocação de algumas rochas com estas algas.

- Pôxa vida, já vi aquários forrados destas algas pink, mas em meu aquário não nascem...
O que será!?

São vários os motivos que inibem o crescimento destas algas. Entre eles, má qualidade da água, falta de luz adequada e falta dos principais elementos que compõem suas estruturas :
Cálcio e Bicarbonatos.

A má qualidade de água significa água muito poluída, presença de algas filamentosas ou marrons pelo tanque, falta de oligoelementos essenciais como iodo, ferro, etc., falta de estrôncio que também faz parte da composição estrutural destas algas, etc.

Nestes casos, devemos ficar atentos aos elementos que devemos repor em nosso aquário, por isso recomendo o uso de CombiSan, ou similar, ou então, oligoelementos, usados separadamente. Algumas pessoas, além de usar CombiSan, usam Cloreto de Estrôncio extra. Não contra-indico esta prática, mas recomendo cautela, pois sabemos que CombiSan já contém estrôncio na quantidade adequada. Compre um teste deste elemento se quiser fazer a coisa certa.

Obtive resultados muito bons usando magnésio líquido. Nunca estabeleci uma dosagem fixa, até porque é sabido que este produto causa desequilíbrio iônico na água. Usava de vez em quando, a cada dois ou três meses, dosava um pouco. As algas calcárias cresceram muito mais rápido e mais escuras. Recomendo essa prática àqueles aquaristas que têm dificuldade de desenvolver essas algas.

A iluminação para o desenvolvimento destas algas pode ser fluorescente mesmo. Nem precisa ser tão forte assim. Basta que seja adequada para um ótimo desenvolvimento. Cerca de 0,5 watt por litro como mínimo e lâmpadas que mesclem azul e branco ajudam bastante (veja "O Aquário Marinho & as rochas vivas" - Iluminação).

A reposição de bicarbonatos e carbonatos, me parece ser uma das principais causas do bom desenvolvimento de algas calcárias. Em minha experiência pessoal, percebi que estas algas se desenvolvem muito bem quando um tanque possui uma reserva alcalina adequada e constante, mesmo que os níveis de cálcio sejam aquém do desejado.

Em meu aquário, por exemplo, sempre tive abundante crescimento de algas pink. Meu nível de cálcio, após cerca de seis meses desde a montagem, sempre foi relativamente baixo, e após cerca de um ano, sempre foi abaixo dos 300 ppm. Isso dada a enorme quantidade absorvida deste elemento pelos meus quase quarenta corais e a grande quantidade da própria alga calcária. Além disso, nunca tive um sistema bom de reposição de cálcio. Usava Cloreto de Cálcio (Red Sea) ou até Gluconato de Cálcio (Sea Chem), e também Kalkwasser, mas em pouca quantidade, pois meu tanque nunca apresentou altos índices de evaporação.

Minha reserva alcalina, no entanto, sempre foi muito boa e controlada. Usava tamponadores de marcas variadas para isso. As duas marcas que mais me agradaram foram Sea Buffer da Aquarium Systems e Reef Builder da SeaChem.

O problema destes tamponadores é que precipitam grandes quantidades de cálcio da água, prejudicando ainda mais os meus níveis deste elemento.

Se você usa este tipo de produto, minha dica é dar sempre preferência à manutenção de sua reserva alcalina, e ir colocando cálcio através do Kalkwasser e outros produtos cujo objetivo é a reposição deste elemento, mas sem ficar maluco tentando obter um controle, ou seja, mantenha uma rotina de reposição de cálcio, mas nunca exagere.

Sabemos que se colocar cálcio demais, precipitará os níveis de reserva alcalina, e se colocar tamponador demais, baixará os níveis de cálcio. Por isso, vá com calma, use seu tamponador em dias separados da reposição de cálcio (exceto kalkwasser) e continue sempre assim, mesmo que seu nível de cálcio não seja ainda o ideal.

Se estiver acostumado a usar tamponador uma vez por semana, divida esta dosagem por três e passe a adicionar três vezes por semana. Isso reduz a precipitação de cálcio. Faça o mesmo com o cálcio.

Se ficar fazendo uma gangorra com os níveis desses elementos, poderá por em risco a vida dos habitantes de seu aquário.

A partir dos três meses, as algas calcárias em meu tanque começaram a surgir, e não pararam mais.

Alguns amigos meus, tinham grandes quantidades de algas calcárias no tanque, mas descuidaram, não fazendo testes e deixando de colocar os tamponadores. O resultado foi que as algas pinks foram ficando brancas e desapareceram com o tempo, mesmo com a adição de cálcio.

Portanto, manter uma reserva alcalina equilibrada sempre, é fundamental para o desenvolvimento destas algas. Recomendo níveis em torno de 2.8 meq/l (Teste Red Sea) ou 8 dKH (Teste Tetra).

O nível de cácio deve girar entre 380 a 420 ppm. Como disse, em aquários bem habitados e mais antigos, isto se torna quase que uma utopia.

Para melhorar a situação do cálcio, recomendo a adição de ventiladores (aqueles usados em microcomputadores) na tampa de madeira, sempre jogando o ar para baixo, diretamente para a água. Isso aumentará o nível de evaporação em mais de 100%, permitindo desta forma que se coloque mais solução de Kakwasser sem prejudicar o equilíbrio do sistema, dede que, é claro, seja adicionado por gotejamento (caixa repositora, bomba dosadora ou aparelho de dosar soro). Claro, essa prática esfria bastante a água e é uma ótima dica para o verão ou cidades sempre quentes. No inverno, devemos tomar cuidado, pois pode baixar a temperatura à níveis perigosos, e, o que é pior, de maneira brusca.

Existem duas maneiras mais eficientes de mantermos equilibrados os níveis de cálcio e reserva alcalina em um sistema. A primeira é com a adição de produtos que contenham uma solução equilibrada de tamponadores e cálcio. Exemplos destes produtos são o C- Balance produzido pela Two Little Fishes Inc. e outro é o Bio Calcium produzido pela Tropic Marin. O grande inconveniente desses produtos é que grandes quantidades são necessárias para a manutenção dos níveis de cálcio e reserva alcalina equilibrados, e para funcionarem ainda melhor, os fabricantes recomendam dosagens diárias.

Em minha experiência pessoal, percebi que usando o Bio Calcium todos os dias, consigui um bom equilíbrio, mas mesmo assim, meus níveis de cálcio continuaram abaixo do desejado. Gastava um pote de 2 quilos em cerca de duas semanas e meia, mas achei os resultados mais satisfatórios que a adição de cálcio e tamponador separadamente.

O detalhe é que nunca parei de adicionar Kalkwasser, e isso é o que recomendo a todos.

A única maneira realmente eficaz de mantermos os níveis de reserva alcalina e cálcio estáveis é usando os chamados Reatores de Cálcio.

São aparelhos caros, mas que se pagam ao longo do tempo, pois nunca mais precisaremos adicionar Tamponadores, Cálcio ou qualquer outro produto com finalidade de manter reserva alcalina e cálcio. O único produto que deve ainda ser usado é o CombiSan, mesmo assim, alguns aquaristas simplesmente não usam mais nada, e o único trabalho agora é alimentar, limpar o vidro e trocar a água parcialmente a cada mês, mês e meio.

É realmente impressionante a eficiência destes aparelhos, que usam aragonita pura. Existem duas marcas no mercado nacional. Koralith da Knop e o substrato da Tunze. Ambos muito bons.

Bem, mas este é um assunto que fica para uma próxima matéria .

Importante : não adianta ter os níveis de cálcio e reserva alcalinas bons por uma semana, mas por toda a existência de seu tanque. Nunca descuide destes dois elementos, e terá algas calcárias sempre abundantes, deixando seu tanque com uma qualidade de água superior e muito mais bonito.

Lembre-se de que, de nada adianta controlar os níveis de reserva alcalina e cálcio, se não tiver boa qualidade de água. Trocas parciais, skimmer eficiente, uso de CombiSan (ou oligoelementos separados) e boa iluminação são fundamentais.

 


Sérgio Gomes - matéria publicada na revista @qua em março de 1998

 
 
O aquário marinho passo - a - passo
     
 

No dia a dia, percebemos muita confusão na hora de montar um aquário, principalmente se este for de rochas vivas. Não se sabe exatamente o que colocar primeiro, quando e como acender as lâmpadas do tanque, que água usar e como misturar, etc... Pensando nisso é que decidi publicar uma matéria para ajudar a coordenar os movimentos do aquarista na hora de instalar o seu tanque.

1° Passo : Comprar o Aquário

Parece óbvio, não?
Sim, mas é o passo mais importante.
Você precisa saber o quê exatamente você quer : peixes; peixes e alguns invertebrados; peixes, corais e outros invertebrados.
Isto está diretamente relacionado ao sistema de filtragem que você irá usar e, ao custo do tanque. O sistema de rochas vivas é o melhor, mas também é o mais caro e complexo. Por este motivo, pode ser mais interessante ao aquarista adquirir o sistema dry-wet ou até o sistema de areia fluidizada por serem bons e mais econômicos se a preferência forem os peixes. Evite a todo custo o uso de sistemas de filtragem misturados, pois isso comprometeria a eficiência e perfeito equilíbrio do tanque.
Seja qual for o sistema, certifique-se de que está comprando a quantidade e qualidade de iluminação adequadas, um excelente skimmer (que é um dos principais equipamentos do aquário), uma quantidade e potência de bombas satisfatórias, sistema Jaubert com cascalho indicado para o sistema, caixa de circulação (se o sistema for de rochas vivas) ou dry wet (se este for o sistema escolhido) adequados, um móvel resistente com uma tampa para iluminação com cerca de 20cm ou mais, bem arejada para evitar aquecimento excessivo provocado pelas lâmpadas, aquário com boas dimensões e travado adequadamente para o sistema,

2° Passo - Escolher o local ideal

Locais com boa ventilação, abrigados da luz direta do sol e sem vibração são os mais recomendados.
Dependendo do sistema, procure pensar em esconder a parte de trás do tanque, evitando a visualização dos fios e outras coisas que podem ficar expostos na parte posterior.
Procure "enquadrar" o posicionamento do aquário da maneira desejada antes de colocar a água, pois caso contrário, dificilmente conseguirá acertá-lo devido ao peso excessivo.
Os quartos normalmente não são os locais mais indicados para a colocação de um aquário pois normalmente estes produzem pequenos ruídos que no silêncio da noite podem tornar-se um tormento para aqueles que possuem sono leve. Além disso, os refrigeradores produzem um certo calor que nos dias quentes podem fazer seu quarto virar uma estufa.
As salas, halls de entrada entre outros, são os locais mais indicados.
Os projetos desenvolvidos por arquitetos deve ter sempre a supervisão de quem entende de aquários, pois muitas são as vezes em que estes se esquecem das exigências do sistema, não deixando os espaços necessários para a montagem e desenvolvimento de um projeto adequado, obrigando o aquarista a "gambiarras" que certamente prejudicarão o perfeito andamento das coisas.

3° Passo - Testando o sistema

Com o aquário sobre o móvel, monte a parte hidráulica. Conecte os canos adequadamente usando sempre muito veda-rosca (teflon) para evitar vazamentos. Evite colar os canos para que no futuro, em caso de necessidade, as conexões possam ser soltas.
Se usar mangueiras, procure aquelas "sanfonadas" (tipo daquelas usadas em aspiradores de pó) pois as outras podem formar dobras impedindo a passagem da água, e lembre-se de, sempre que conectar uma mangueira a um cano, passe bastante veda-rosca e use abraçadeiras de aço inox para evitar que enferrujem.
Montado o sistema, encha totalmente o aquário e teste todas as bombas e verifique se existem vazamentos nas conexões. Deixe-o "rodando" por algumas horas. Ligue e desligue as bombas várias vezes para testar o sistema anti-retorno (se houver).

4° Passo - Colocando o Jaubert

A pior parte é lavar o cascalho, pois é um tanto quanto cansativo. Procure não esfregá-lo pois isso soltaria mais partículas e a água continuará com tom branco. Apenas pegue um balde, jogue um pouco do cascalho, encha e esvazie algumas vezes procurando apenas misturar um pouco para tirar o excesso de sujeira.
Coloque as placas de maneira a cobrir a maior parte possível do fundo do aquário e em seguida o cascalho lavado.
Isto feito, pegue uma mangueira e jogue água (de torneira mesmo) com certa força sobre o cascalho, fazendo com que este misture-se. Com isso, certamente irão se soltar mais partículas brancas e de sujeira. Quando a água já estiver quase na metade, coloque outra mangueira para esvaziar o aquário, mas permaneça com a primeira enchendo. Desta forma, introduz-se água limpa e retira-se o restante de sujeira.
Quando perceber que a água que está ficando no fundo está bem limpa, desligue a mangueira e deixe esvaziar o restante de água.

5° Passo - Enchendo o Aquário

Sabemos que água de torneira e aquários marinhos não são feitos um para o outro. Procure, se possível, adquirir um deionisador, ou filtro de osmose reversa para que purifique sua água. Isso irá ajudar no combate às inevitáveis algas marrons (diatomáceas) e no equilíbrio mais rápido do aquário.
Como são muito lentos, devemos deixar estes aparelhos enchendo nosso aquário durante várias horas. É um pequeno sacrifício que compensa. Se for possível, procure contar os litros que estão entrando em seu tanque com auxílio de uma barrica ou galões para que haja maior precisão na hora de adicionar os elementos necessários.
Quando o aquário estiver totalmente preenchido, ligue todas as bombas. Deixe circulando e vá adicionando o sal aos poucos na quantidade necessária no local de maior movimentação para que haja uma dissolução mais rápida.
No dia seguinte, certifique-se que todo o sal já está dissolvido. Meça com um hidrômetro a densidade do aquário. Os níveis ideais estão entre 1.020 e 1.023. Aproveite a oportunidade para corrigir estes níveis.

6° Passo - Colocando as Rochas

Passadas 48 horas desde a última colocação de sal, adicione as rochas.
Estas devem estar tratadas, por isso, certifique-se que o lojista já o fez. As rochas não devem apresentar cheiro de ovo podre, mas uma leve fragrância de maresia. Não devem conter muitas esponjas ou outros invertebrados gosmentos, pois estes poderiam morrer com certa facilidade na fase inicial e contaminar sua água. Aliás, se as rochas não estiverem tratadas, sua água ficará preta e com cheiro insuportável de ovo podre. Os vizinhos vão notar e sua esposa vai adorar.
As rochas devem ser colocadas da maneira que bem entender, e lembre-se que não existem regras de quantidade por litro d'água. Se você entender que ficou bonito um tanque de 500 litros com 30 quilos de rochas, está tudo bem.
Aproveite este momento para ligar o(s) skimmer(s) e o carvão ativado.
O uso de Kalkwasser juntamente com água doce para completar a evaporação deve ser iniciado. Nesta fase não é tão importante que o chiller permaneça ligado, exceto se temperaturas excessivas forem constatadas.
É interessante que se faça um controle de reserva alcalina (2.8 a 3.2meq/l) com tamponadores e níveis de cálcio (350 a 400ppm) desde o início.

7° Passo - Acendendo as Luzes

Não devemos de uma hora para outra ligar as luzes de nosso aquário.
Existem técnicas que mandam que o tanque fique no escuro por alguns meses e depois toda a água do aquário deve ser trocada para daí sim começarmos com nosso tanque. Bem... digamos que... é uma técnica interessante, mas praticamente ninguém usa.
Eu faço assim: depois de colocadas as rochas, começo com trinta minutos de luz azul e quinze de brancas. Daí uma semana, uma hora de azul e meia de brancas, e assim vou aumentando gradativa e sucessivamente até atingir nove horas de luz branca para onze de azul. Isto faz com que a quantidade de energia produzida pelas lâmpadas seja assimilada pelas algas do tanque, impedindo uma infestação incontrolável. O fato de o tanque pegar certa claridade natural durante o dia não é problema.

8° Passo - Adicionando Peixes

Com aproximadamente sete dias de funcionamento, embora ainda não esteja nas condições ideais, o tanque já pode receber alguma vida. Para quem tem mais paciência, é recomendável que aguarde cerca de quinze dias, mas aos apressadinhos, é permitido que se coloque o primeiro peixe. Procure por um peixe bem resistente e algueiro. Uma boa sugestão é o yellow tang, os blênios algueiros (evite o macaco nacional que é um pouco agressivo), centropige nacional ou outro algueiro resistente. Na fase inicial, por falta quase que absoluta de algas e outros bichinhos para comer, é importante alimentarmos em quantidades ínfimas, mas diárias.
O próximo peixe deve entrar após quinze dias desde a compra do primeiro. Se tudo correr bem, após mais quinze dias, compre mais um, e assim por diante. Lembre-se de evitar donzelas e outros peixes agressivos, deixando-os para o final. Devem ser sempre os últimos peixes a habitar um aquário. Como disse, nesta fase, é fundamental para um controle de algas que os primeiros peixes sejam algueiros. Introduza nesta fase, após vinte ou trinta dias desde a montagem do tanque, vários mini paguros ou turbo snails (cerca de um para cada seis litros de água). Adicione também os ofiuros para o sistema Jaubert (um para cada quinze litros em média).

9° Passo - Adicionando os Corais

A fase inicial é um pouco crítica. Oscilações de pH entre outros fatores são comuns e, portanto, estressante para a maioria dos corais e outros invertebrados. Por este motivo é recomendado esperar cerca de trinta dias para começarmos a adicioná-los. Mas é claro que muita gente já adicionou estes corais antes disso e não teve problemas. Nestes casos, os primeiros invertebrados devem ser os zoanthus, os Mushrooms e alguns soft corals como alguns Colts e Finger Leathers. Com o desaparecimento das diatomáceas e de eventuais algas filamentosas, comuns nessa fase, podemos ir adicionando mais corais e invertebrados. É imprescindível o uso do chiller em regiões quentes em que a temperatura ultrapasse os 27o C.

10° Passo - Testes e Manutenções Periódicas

Não há a necessidade de testar o aquário com muita freqüência, mas periodicamente isso é importante. Aconselho testes a cada quinze dias nos primeiros seis meses desde a montagem. Após isso, a cada trinta dias devemos efetuar todos para verificarmos algum problema.
Com o passar do tempo, se tornará muito difícil manter os níveis de cálcio, mas não se desespere. O importante é não deixar de adicionar tamponadores e cálcio sempre. Melhor manter os níveis baixos a adicionar produtos de maneira compulsiva, pois isso poderia causar problemas muito sérios.
O Combisan (ou outros elementos usados separadamente como strôncio, molibdênio, iodo, ferro e elementos traço) deve ser adicionado após 2 meses desde a montagem do tanque para evitarmos problemas com infestações de algas.
A primeira troca parcial deve ser efetuada caso o aquário apresente índice muito grande de algas verdes ou marrons, acompanhada de sifonagem e escovação. Cerca de 15 a 20%.
As demais trocas devem ser feitas conforme a necessidade, ou, por segurança, ao menos uma a cada dois meses de 15 a 20%.
As lâmpadas devem ser trocadas uma vez por ano, o copo e pescoço do skimmer limpo a cada quinze dias, o carvão trocado quando necessário (de um a quatro meses) e os vidros da frente e laterais limpos com limpador magnético de boa qualidade a cada três ou quatro dias.


Sérgio Gomes - matéria publicada na revista @qua em novembro de 1997

 
 
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