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Saiba aqui tudo o que é necessário para você iniciante |
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Alimentação - Um problema ou solução
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Alimentação – Um problema ou a solução? |
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A alimentação é um fator tão importante em um aquário quanto a caixa de vidro.
De nada adianta termos o melhor aquário, a melhor iluminação, o melhor filtro se alimentarmos errado. Nada irá dar certo.
Mas nada mesmo!
Muitas vezes, por achar algo muito óbvio, o funcionário da loja não explica como fazer e então cada um faz o que acha certo.
Iniciantes não fazem a menor idéia de como alimentar seus peixes. Alguns acham que é só jogar um pouco de comida no aquário e pronto e outros acreditam que toda vez que os peixes subirem esperando por comida, devem alimentar.
E os problemas começam aí.
90% dos inciantes dá mais comida a seus peixes por dia do que eles seriam capazes de comer em uma semana ou mais.
O resultado disso é que há sobras no aquário e estas propiciarão a propagação de seres patogênicos que provavelmente irão infectar os animais e também degradar a qualidade da água..
Muitas vezes a quantidade de comida que sobra é tão grande que a água apodrece, todos os peixes morrem e o cheiro fica tão ruim que a vizinhança toda fica sabendo que o aquário não deu certo.
Há alguns casos onde o aquarista ouve do funcionário da loja que “é pra dar só um pouquinho”. Esse “só um pouquinho” é muito relativo. Pode ser demais, ou muito pouco, simplesmente porque quem nunca teve um aquário, não tem a menor idéia do quanto o peixe precisa comer para ficar saudável e, portanto, não sabe o que é muito ou pouco. Já vi muitos aquarios de iniciantes com peixes raquíticos.
Em casos menos extremos, encontramos aquários relativamente bem equilibrados, mas que têm algas verdes, limo e problemas de pH ácido (onde não há adição de produtos com esse objetivo ou troncos). Aquários assim são aquários sujos, e essa sujeira pode ser originada pela quantidade excessiva de peixes, filtro insuficiente ou com refil sujo, excesso de comida e má manutenção. Mas muitas pessoas cuidam direitinho de seus aquários e ainda tem o aquário sujo. E a resposta pode estar justamente na qualidade do alimento.
Muita gente que gasta um bom dinheiro nos equipamentos, nos peixes e justamente no mais importante, cisma de querer economizar.
Assim como as rações de cachorro e gato, existem rações Premium, Super Premium e as Econômicas. Todas têm faixas de preço diferentes e sempre há uma razão para isso.
Nos cães que comem ração Super Premium, por exemplo, os resultados obtidos com menor quantidade de ração comparando-se com comidas preparadas ou outras rações, são : Pelo brilhante, mais energia para brincar, menos problemas de saúde e uma velhice mais saudável. Isso porque os ingredientes são balanceados e fortunas são gastas em pesquisas para o desenvolvimento de um produto onde cada ingrediente usado tenha a máxima absorção e se transforme em nutrientes utilizáveis pelo animal, e não desperdiçado nas fezes.
Em aquários, a importância de um alimento de alta digestibilidade é ainda maior que para cães e gatos porque se o alimento não é digerido completamente, ele fica na água e polui o aquário, causando as tais algas, limos e problemas de pH baixo.
Como alimentar?
Não existe uma fórmula. A tendência é que cada aquarista desenvolva seu método de alimentar. Mas existe uma maneira que irá facilitar a vida dos iniciantes. É o método “pitada – espera”.
Imagine um aquário com 50 peixes. Veja, 50 peixes demandam um aquário grande! Você joga uma pitada, pegando o alimento com seus dedos secos e preferencialmente limpos - não simplesmente virando a boca do pote em direção ao aquário, pois isso pode gerar acidentes.
Uma pitada deve ter entre 5 e 6 flocos, aproximadamente.
Aguarde que os peixes comam quase tudo. Quando estiver quase acabando, jogue mais uma pitada. Aguarde novamente até que esteja quase acabando e repita a operação até perceber que o ímpeto de pegar a comida diminui. Note que estou dizendo “diminui” e não “acabe”. Pronto. Seus peixes estão alimentados. Pode repetir a operação mais uma vez no dia e está de bom tamanho.
Se você possui peixes com hábitos de ficar no fundo, como Corydoras, Cascudos entre outros, existem alimentos especiais em forma de pastilhas que afundam e liberam-se aos poucos para que eles também comam.
Nunca espalhe alimento no aquário de forma que ele não fique parecendo baile de carnaval cheio de confetes. Isso fatalmente acarretaria em sobras e desperdício que, como vimos, em um aquário, é terrível.
- Ah tadinhos, mas toda vez que eu passo em frente ao aquário eles vêm me pedir comida!!!
Sim, é um hábito natural dos peixes. Procurar comida é o que eles fazem da vida. Só que na natureza eles gastam muita energia nessa tarefa e essa disponibilidade de alimento em determinados horários e abundante, não existe. Por isso, seu instinto manda buscar o máximo de comida possível o tempo todo e toda vez que você passar em frente ao aquário eles reagem desta forma. É importante que você não os alimente a todo instante.
Outro detalhe importante é que, apenas uma pessoa em sua casa deve ser a responsável pela alimentação. Se todos forem, ou os peixes vão comer demais ou simplesmente não vão comer, pois um pode pensar que o outro já alimentou ou que ainda não alimentou, e os problemas vão aparecer.
Crianças pequenas devem alimentar somente orientadas e supervisionadas pelos pais. O ideal é manter a comida fora do alcance delas.
Com o quê alimentar?
Existem alimentos vivos, patês, alimentos industrializados de boa qualidade, de má qualidade, nacionais, importados, grandes, pequenos, em flocos, em grãos, em bolinhas... Como decidir qual é o melhor para meus peixes e para meu aquário?
O lojista é a melhor fonte de informações que você pode ter para iniciar o processo de alimentação de seus peixes. Mas se esse lojista é o mesmo que não te ensinou a alimentar os peixes, sugiro que busque outras fontes de informação.
A internet é uma outra fonte inesgotável de informações, especialmente foruns de discussões e sites de outros aquaristas mais experientes.
- Ah Sérgio, por que não diz logo qual o melhor alimento e pronto!
Porque há diferentes tipos de peixe com diferentes necessidades nutricionais e cada um pode precisar de alguma coisa diferente.
O que eu posso dizer é que procure variar a dieta dos seus peixes com algum suplemento vegetal e outro animal algumas vezes por semana, além da dieta do dia a dia.
Evite alimentos embalados em potes transparentes pois as vitaminas de qualquer alimento quando expostas à luz, vão para o brejo. Cuidado com alimentos muito baratos, sem rótulos e os embalados pelo próprio lojista. Cuidado redobrado com patês. Estes alimentos podem ser muito bons e econômicos para criadores profissionais, mas são um perigo para os iniciantes. São produzidos empiricamente e não balanceados, possuem baixa digestibilidade, misturam-se a água, sujando-a e causando transtornos.
Na hora de alimentar seus peixes, não busque aquela que for mais barata, mas a que for melhor recomendada pelos aquaristas mais experientes. O custo mensal de alimentação de primeira qualidade para peixes de um aquário de 50 litros, por exemplo, é mais 20 vezes mais barato que o de um cachorro de médio porte. Reflita sobre isso.
Sérgio Gomes
Aquamagazine 2007
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O que não fazer em seu aquário
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O que NÃO fazer em seu aquário |
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Todo mundo vive dizendo pros outros o que não fazer. Desde pequeno ouvimos nossos pais “menino, não mexe aí, não faça isso, não faça aquilo”. Depois vamos crescendo e os “não’s” continuam por todos os lados. Revistas dizem o que não comer, o que não vestir, o que você não pode perder...
É não que não acaba mais...
Eu não agüento mais ouvir tanto não... Você agüenta? Não? Sinto decepcioná-lo, mas para não fugir à regra, eis aqui mais uma lista de não’s . Como todos os outros não’s, estes aqui têm o objetivo de ajudá-lo. É claro que, utilizá-los ou não vai de cada um.
Um amigo certa vez disse que leu que beber demais faz mal, comer alimentos gordurosos faz mal, fumar faz mal, dormir tarde faz mal. Resolveu parar de ler...
Muitos dos não’s descritos aqui podem até fazer parte da rotina de alguns aquaristas, até porque, muitos dos procedimentos que recomendo que sejam evitados, por si só, talvez não sejam decisivos para o insucesso do aquário, mas há que se tomar algum cuidado, pois somados, podem causar sérios problemas. Portanto, sugiro que não faça como meu amigo que parou de ler, mas sim que reflita sobre alguns pontos. E se teve insucesso com seus aquários, talvez entre a lista dos não’s, identifique os seus erros.
1 – Não compre seu aquário sem antes ler um pouco sobre o assunto – Nessa, mais da metade já dançou. Normalmente compramos o aquário, fazemos um monte de bobagem e depois que os peixes começam a morrer nos desesperamos e vamos procurar entender o que aconteceu. Ocorre que muitas vezes não encontramos as respostas e desistimos, achando que aquários dão trabalho, não funcionam e só dão dor de cabeça. Deveria existir uma lei que obrigasse todos que quiserem comprar um aquário fizessem um cursinho rápido antes. Certamente o mercado de aquaristas no país seria 1000 vezes maior.
2 – Não coloque peixes antes de 30 dias completos desde a montagem do aquário – Aqui, quem não dançou na primeira, dançou agora. É muito difícil para os lojistas convencer seus clientes de que estão levando um aquário que ficará 30 dias funcionando somente com água. E mais difícil ainda chegar em casa com o aquário, a mulher, os filhos, a sogra, o cunhado (que mora de favor), o cachorro e principalmente o gato, todos com cara de “cadê o peixe?” e você dizer que “só daqui 30 dias”. Mas isso é FUNDAMENTAL. Aquários levam cerca de 6 meses para equilibrarem-se biológica e quimicamente. Até lá, tudo influi na formação do pequeno mundo que é o aquário. Portanto, console todo mundo em casa e explique que se colocar peixes antes de 30 dias, o risco dos peixes sofrerem e morrerem é muito grande.
3 – Não coloque mais que 3 ou 4 peixes por vez no aquário – Imagine a cena. Você com seu bermudão jeans, sandalha de couro e camisão havaiano, o uniforme do fim de semana, saindo de casa e avisando todo mundo que hoje faz 30 dias que o aquário está pronto e que hoje chega o peixe. Vai na loja, pede “10 peixinho vermelhinho, 5 amarelinho, 8 azulzinho e 4 laranjinha”. “Ah, e pega os ‘maiorzinho´ heim chefia!?” recomenda você com autoridade. Chega em casa, todos satisfeitos. O cunhado recomenda um churrasco pra comemorar a chegada dos peixes. Sua mulher olha desconfiada tentando imaginar o quanto você já gastou nesse aquário e agora com esses peixes. A sogra já bota o veneno “Nossa, são lindos! Deve ter custado uma fortuna heim Genrão! Ta podendo heim!?”. Dois dias depois, os peixes aparecem cheios de pintas e alguns com manchas. Dois peixes aparecem boiando, mortos. Você entra em pânico. Liga pra 3 lojas de aquário diferentes, cada um te recomenda uma coisa diferente, você, então, decide fazer as três coisas de uma vez pra dar melhor resultado. Os peixes começam a morrer seguidamente até que sobram dois ou três e as mortes cessam. A esposa te dá uma palestra não solicitada de como não gastar dinheiro em porcaria, o cunhado se encolhe no sofá (usando seu chinelo preferido), a sogra faz cara de indignada e aperta os olhos pra ouvir melhor a novela e você se sente o pior dos seres humanos. Não desiste, vai à loja, faz tudo de novo, só que desta vez compra peixes ainda mais baratos “só pra ver como tá o aquário” filosofa você. O mesmo processo se desencadeia novamente. De cabeça cheia de tanto perder peixes, de ouvir conselhos totalmente diferentes em cada loja que vai, e de ouvir as palestras não solicitadas da esposa, você desiste do seu aquário ou resolve ir aprender o que fez de errado. Só que olha só o desgaste! Portanto, coloque apenas 3 ou 4 peixes por vez, procurando aprender sobre as características de cada um antes de comprá-los e dando intervalos de 1 ou 2 semanas por compra.
4 – Não superalimente nem economize na ração para seus peixes – Uma coisa deve ficar bem clara para você: Se exagerar na comida, seus peixes vão morrer. O alimento deve ser dado com muito cuidado. Não é para alimentar pouquinho, pois se o fizer, seus peixes vão emagrecer e podem ter problemas de saúde. É para alimentar o necessário. Jogue uma pequena pitada no aquário sempre usando os dedos... “Pô Sergio, não sou tão burro! Não vou usar a orelha para alimentar meus peixes né?!”. Sim, claro, mas tem orelhas que usam o pote. Daí vem àquela avalanche de ração, cai no aquário, o orelha pega a redinha pra tirar o excesso de alimento, mas aí a sopa já está pronta e a vaca caminha para o brejo... Dê uma pitadinha, espere que comam, mais uma pitada, aguarde novamente, mais uma... E assim repetidas vezes até que os peixes diminuam a velocidade e voracidade com que atacam o alimento. Não deixe que a ração se espalhe pelo aquário. Ela deve ficar pela superfície. “Ah, mas eu tenho peixes de fundo...” Mesmo? Então compre rações específicas para peixes de fundo. Não espalhe os flocos no aquário. E economizar na ração é o mesmo que latir no quintal pra economizar cachorro. Não faz o menor sentido. Rações de qualidade são mais caras, é natural. Só que o custo mensal de um pote de ração é muito baixo. É o máximo ver uma pessoa em um pet shop com uma ração de cachorro com 15 kg que custa R$ 100,00 e dura 20 dias achar caro um pote de ração para peixes que custa R$ 10,00 e dura 3 meses. Uma ração melhor tem melhor digestibilidade, ou seja, você oferece menos aos peixes e eles aproveitam mais, ficam maiores, mais coloridos e saudáveis e o aquário mais limpo pois o desperdício é mínimo.
5 – Não compre na loja que simplesmente vende mais barato – Uma loja de aquário não é como um supermercado. É o local onde você aprende sobre o hobby. É onde troca opiniões e encontra as soluções para seus problemas através de vendedores atenciosos e bem informados. É o local que cuida do seu peixe antes de você comprá-lo, portanto, tem os aquários mais limpos e bem cuidados da região. Um peixe doente colocado em seu aquário é uma dor de cabeça terrível. Pior que cunhado morando de favor ou opinião de sogra. Se a sua loja de preferência não se parece em nada com a que citei acima, sinto informar, mas você está comprando na loja errada. Na maioria das vezes, vale a pena pagar um pouco mais caro pelo seu peixe ou equipamentos, desde que a loja seja sua fonte de segurança, informação e bom atendimento. Em aquarismo, muitas vezes o barato sai muito caro. Fique atento!
6 – Não lave seu aquário – Nunca, jamais, em hipótese alguma, sob nenhum tipo de pretexto, lave o aquário. Não há qualquer motivo que justifique desmontar tudo e montar tudo de novo. Além de não ter benefício algum, fazer isso pode acabar com todos os seus peixes. Uma manutenção mensal deve ser feita, como a troca parcial de água em 20 -30% do total, sifonagens (aspiração do fundo se o aquário não for de plantas) e limpeza dos vidros com limpador magnético, mas lavar o aquário, nunca! “Ah, mas ele vai ficando turvo, com limo e os peixes ficam tristes...”. Se isso ocorre é porque tem algo de errado ou na quantidade e/ou qualidade do alimento usado, ou seu filtro é insuficiente para o tamanho do seu aquário ou você tem peixes demais. Aquário bem montado, com uma população ideal e peixes alimentados corretamente e com qualidade, não deteriora. Pelo contrário! Fica melhor com o tempo.
7 – Não coloque peixes demais! – Se seu aquário tem 10 litros, não dá pra colocar mais que 2 ou 3 peixes e ponto final! Quem mandou ser mão de vaca na hora de comprar o aquário? Nunca ultrapasse 1 cm de peixe para cada litro de água do aquário. Não abuse disso. Um aquário superlotado dá mais trabalho, suja depressa, os peixes ficam doentes a toda hora e brigam muito. Se possuir um aquário de Kínguios, aqui vai mais um não. Não misture com outros peixes. São peixes de água fria com necessidades químicas, físicas e nutricionais diferentes dos outros peixes. Neste caso, mantenha 1 cm de peixe para cada 4 litros de água.
8 – Não economize no filtro externo – O filtro externo é basicamente uma caixa com uma bomba e um refil de perlon recheado com carvão ativado que retém (e adsorve) a sujeira. Além disso ele movimenta a água oxigenando-a o que é essencial para os peixes, mas também para as bactérias benéficas que processam a sujeira do aquário. Torna desnecessário o uso do filtro biológico de fundo, se dimensionado de acordo com o tamanho do seu aquário. Trata-se simplesmente do coração (ou pulmão) do seu pequeno mundo. Por isso, deve ser da melhor qualidade possível e da marca mais confiável. O que? Você não tem um filtro externo? Não deixe de comprar um o mais rapidamente possível. Parcele, financie, faça um rolo, compre usado, mas tenha sempre um filtro externo de ótima qualidade com refil em dia em seu aquário. Os benefícios que trazem são incontestáveis.
9 – Não escolha seus peixes como escolhe roupas – muitos peixes são agressivos, outros são sensíveis a certos parâmetros como dureza, pH e outros fatores e outros simplesmente crescem demais para o tamanho de seu aquário. Leve tudo isso em consideração ao escolher seus peixes. Pesquise antes. Faça um planejamento dos peixes que quer ter no aquário e direcione-o para isso.
10 – Não deixe de ler o máximo possível sobre aquários. Dificilmente com uma só leitura e uma só fonte encontrará tudo o que precisa. O hobby está em constante evolução. Procure aprender sempre.
Sérgio Gomes
Aquamagazine 2007
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Aquarismo - Mitos e Realidades
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Aquarismo – Mitos e Realidades |
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O aquarismo, não se sabe por que, carrega, especialmente aqui no Brasil, diversas lendas a seu respeito ao longo dos anos. Particularmente, acredito que isso se dê devido à falta de informação generalizada e também pela criatividade do brasileiro.
Neste artigo, tentarei esclarecer alguns pontos que poderão auxiliar, especialmente os profissionais interessados em não propagar falsas informações, e principalmente interessados em divulgar e propagar mais o aquarismo.
Aquário dá muito trabalho. Só quem tem muito tempo é que pode ter um aquário em casa.
Quem pensa assim, obviamente não tem a menor noção do que é um aquário de verdade, e muito provavelmente, se teve aquário, o mesmo nunca funcionou direito.
O trabalho que um aquário dá se limita a :
1 - trocas parciais uma vez por mês, cerca de 30% do total, acompanhados, dependendo do sistema de filtragem, de sifonagem (aspiração do cascalho).. Claro que existem exceções como os aquários dos peixes Discos, onde estas trocas devem ser feitas 2 vezes por semana, mas via de regra, com uma troca parcial de 30% ao mês é suficiente. Gasta-se , com cada troca, cerca de 10 a 30 minutos, dependendo do tamanho do aquário. Mesmo assim, existem empresas que prestam este tipo de manutenção por preços bem razoáveis.
2 – Alimentar todos os dias. Pode-se alimentar de 2 a 4 vezes ao dia, mas de maneira correta. Excesso de alimentação acaba com o aquário. Gasta-se com isso no máximo 5 minutos por dia.
3 – Limpar o vidro. Usa-se um imã, onde não se molham as mãos e consegue-se limpeza interna e externa. Gasta-se com isso de 5 a 10 minutos. A frequência depende muito de aquário para aquário. Os de água doce, em geral, requerem limpeza quinzenal. Os de água salgada, semanal ou no máximo 2 vezes por semana.
4 – Adicionar suplementos. Normalmente precisamos usar alguns suplementos na água, em especial em aquários de plantas aquáticas ou de água salgada. Seguindo a recomendação de cada suplemento, devemos estipular os dias corretos de dosagem. A dosagem de suplementos varia de aquário para aquário, mas nunca leva mais de 2 ou 3 minutos na dosagem.
5 – Limpeza dos filtros. Normalmente fazemos isso quando efetuamos a troca parcial mensal. É um trabalho muito simples que pode levar menos de 1 minuto para fazer. Normalmente os filtros possuem refís, e ao aquarista, basta trocá-los. Em aquários de água salgada, o único filtro existente deve ser o skimmer. Neste filtro, basta uma limpeza do copo receptor. Esta tarefa nunca leva mais que 5 minutos.
5 – Verificação geral – Uma olhadinha nas condições gerais dos peixes, do aquário como um todo e eventualmente alguns testes podem ser feitos. Esta tarefa, na verdade, é a de contemplação, ou seja, não pode nem ser considerada tarefa, mas sim, parte da curtição do hobby.
Todos os meses eu tenho que lavar o aquário.
Nunca, eu repito, nunca, em hipótese alguma, devemos lavar o aquário todo. Aquela história de tirar toda a água, peixes para lavar pedras, vidros e bombas simplesmente não existe. O aquarista que fizer isso, está fadado ao fracasso, ou simplesmente arriscando a vida de todos os habitantes do tanque. Isso porque um aquário para atingir um bom nível de “maturação” leva em média 6 meses. Toda vez que desmontamos um aquário, todo o período que levou até a maturação do aquário é perdido, e deve-se recomeçar tudo de novo. Isso cria uma instabilidade que pode proporcionar o caos no aquário, especialmente se o mesmo for bem habitado.
Para evitar estas limpezas desastrosas, medidas como , alimentar corretamente, sifonagens (aspirações seguidas de trocas d’água) mensais, um bom filtro externo – em aquários de água doce, ou um skimmer eficiente – em aquários de água salgada - e evitar a superpopulação são os métodos corretos.
Aquário de água doce dá muito menos trabalho que um aquário marinho.
Está aqui um bom exemplo de má informação, principalmente a respeito de um aquário marinho. Um bom aquário marinho, é sim, entre 3 a 8 vezes mais caro que um aquário de mesmo tamanho que seja marinho, mas em relação ao trabalho, dependendo da configuração, um aquário de água doce chega a demandar de 3 a 4 vezes mais tempo de manutenção que um aquário de água salgada. Podas nas plantas, trocas parciais duas vezes por semana no caso dos discos, controle de pH e KH no caso do uso de CO2 para plantas, etc... são alguns exemplos. Um aquário marinho, é sim, muito mais caro, mas normalmente demanda o mesmo tempo de manutenção que um aquário de água doce.
Peixe é assim mesmo. Morre a toa. Morreu, tem que comprar outro. Se não fosse assim, as lojas não conseguiriam ganhar dinheiro.
Esta sim, é, seguramente, a maior asneira que alguém poderia falar a respeito do aquarismo, seja ele marinho ou de água doce. Peixes podem permanecer vivendo muito bem por anos e anos. Dependendo da espécie, podem ficar em nossos aquários por mais de 10 anos.
Se os peixes estão morrendo com freqüência, é porque o aquário é uma porcaria digna ir voando para o lixo, ou ao menos, é sinal que o aquário precisa de uma revisão no conceito.
Muitos são os motivos para que os peixes morram com freqüência, e 95% destes motivos são causados por falta de informações precisas na hora da montagem. O peixe é um animal sensível e seu organismo exige algumas coisas. Limpeza e oxigenação são as duas exigências principais. Por isso, cuidados na forma de alimentar, filtros eficientes e manutenção adequada resolvem estes problemas.
No caso de loja, sempre há ganho quando o cliente fica satisfeito. Mais clientes serão indicados, mais aquários serão vendidos, e, por conseqüência, serão vendidos, mais peixes, alimentos, etc...
Isso aqui na minha loja não vende.
Muitos lojistas perdem muito dinheiro porque acreditam piamente nesta afirmação. Se não vende é porque o lojista não tem para oferecer. Alimentos importados, de qualidade, filtros modernos, lâmpadas especiais e novidades em geral, devem estar sempre a disposição do cliente. Aquaristas gostam de novidades, e estão sempre correndo de loja em loja. Uma loja de aquário é considerada boa quando está sempre trazendo novidades, e nunca deixando faltar na prateleira produtos de qualidade. O baratinho também deve estar na prateleira, mas se ganha dinheiro e clientes mesmo é nos produtos especiais e de qualidade. Por isso, nunca deixe de investir na sua loja, trazendo estes produtos novos e peixes mais caros e exóticos.
Sérgio Gomes
Matéria publicada na revista Pet Magazine - Agosto 1999
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Condicionadores de água - Você definitivamente vai precisar de um... (ou mais)
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Condicionadores de Água – Você definitivamente vai precisar de um…
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Lembro-me que quando pequeno, via meu pai lavar os aquários de tempos em tempos. Era o que se fazia há uns 25 anos no Brasil (nossa, como tô velho!). E há 25 anos, eu lembro de ver meu pai usando um tal de anti-cloro na água nova desses aquários.
Obviamente que muitos peixes morriam, mas dizia ele que quando não se usava o anti-cloro, todos os peixes morriam porque o cloro matava os peixes.
Ele tinha razão.
Ocorre que com o passar do tempo, muitas empresas de aquarismo passaram a se desenvolver e criaram novos filtros, novas técnicas de aquarismo vieram de fora, como a de nunca lavar o aquário, quantidade ideal de peixes, rações com melhor digestibilidade, o que garante um aquário mais limpo e também vieram os condicionadores de água, que fazem muito mais pelo peixe que simplesmente remover o cloro da água.
Um aquário onde um bom condicionador de água é usado toda vez que se realiza uma troca parcial e toda vez que se repõe a água evaporada, garante uma segurança muito maior e uma vida muito mais longa e saudável para todos os habitantes do aquário.
A água da torneira é imprópria para ser usada diretamente em um aquário, mas é a única que podemos confiar se a tratarmos tratada adequadamente. Água mineral, de chuva, de poços artesianos são muito arriscadas porque podem conter toxinas, metais pesados, ou mesmo ser quimicamente inviáveis para os peixes que você tem em seu aquário, mesmo que potáveis e por isso não devem ser usadas a não ser que você saiba exatamente o que ela contém e que esses elementos são compatíveis para seus peixes. Se seu conhecimento sobre química é o mesmo que o meu sobre música sertaneja, ou seja, próximo do zero, sugiro usar água de torneira mesmo com um bom condicionador.
Os condicionadores mais usados no mundo todo são justamente os destinados a tratar a água de torneira, transformando-as em seguras para os peixes. Podemos dizer que um condicionador de água é a evolução do jurássico anti-cloro.
A água de torneira, como disse, é nociva para os peixes pois em geral possui cloro em quantidade capaz de matar um peixe em questão de poucos minutos. Em alguns locais do mundo, não se usa mais cloro, mas outro elemento químico chamado cloramina, igualmente nocivo aos peixes pois converte-se em amônia no aquário. Além desses elementos, muitos elementos químicos são usados no tratamento até que cheguem à nossas casas, como os metais pesados. Um condicionador de água moderno neutraliza todos esses elementos em segundos, o que permite que a água seja usada imediatamente no aquário sem a necessidade do que faziam os antigos aquaristas, deixá-la “descansar”.
Um bom condicionador de água traz ainda outros benefícios. Possuem elementos químicos que protejem e, os melhores, reconstituem a mucosa natural dos peixes, que é responsável pela defesa do animal contra doenças causadas por parasitas e eventuais bactérias oportunistas. Esse muco é aquele treco gosmento que fica nas nossas mãos quando os pegamos e que tem “cheiro de peixe”.
Os mais avançados também possuem elementos para acelerar a reprodução das bactérias benéficas do aquário, tornando-o mais limpo e biologicamente eficiente.
Usar anti-cloro ou mais comumente denominado desclorificante no aquário é como iluminar sua casa com lamparinas. Procure sempre um condicionador completo e moderno, que normalmente são concentrados e valem cada centavo de seu custo.
Lembre-se de usar sempre o condicionador na água nova, antes que esta entre no aquário! De nada adianta encher o aquário diretamente com uma mangueira e usar o condicionador de água depois, pois o cloro e outros elementos já estarão contaminando seus peixes.
Aquários grandes até podem ser completados com água direto da torneira usando-se uma mangueira, mas antes de começar a encher, dose na água a quantidade de produto recomendada e somente depois comece a encher. Certifique-se de que a velocidade da água seja lenta.
Além dos condicionadores de água de torneira, existem outros que podem trazer muitos benefícios e conveniências aos aquaristas.
Clarificantes
Existem ocasiões em que o aquário fica turvo. Seja por uma manutenção inadequada, ou explosão de bactérias em aquários novos, ou mesmo algum erro que podemos cometer na manutenção de um filtro e também explosão de algas verdes.
Alguns condicionadores servem para aglutinar as partículas que ficam em suspensão e tornam o aspecto do aquário desagradável. Essas partículas maiores vão para o filtro mecânico (perlon do filtro externo) e são facilmente removidas do aquário com a troca do mesmo. Há que se tomar cuidado, no entanto, com alguns produtos que contenham elementos químicos nocivos a algumas espécies de peixe, especialmente os Neons, Rodóstomus, Discos e também algumas espécies de Barbus entre outros.
Clarificantes de água mais modernos são em geral bastante seguros e apresentam resultados muito bons em questão de horas.
Aclimatadores
Alguns condicionadores são desenvolvidos especificamente para simular um ambiente natural para determinadas espécies. Os peixes amazônicos, como Discos, Neóns, Rodóstomos, provém da região do Rio Negro, onde a água é bastante escura, de dureza e pH baixos. Há no mercado alguns condicionadores que fazem basicamente isso com a água do aquário. Algumas pessoas não gostam do aspecto “barrento” da água, mas podem-se usar esses condicionadores em situações excepcionais apenas, como na colocação de novos peixes ao aquário e também para incentivar a reprodução. Os peixes sentem-se mais confortáveis e sua adaptação é muito facilitada. Há condicionadores, também para Ciclídeos Africanos cujo habitat natural é uma água dura e pH bastante elevado.
Prorrogadores de trocas parciais
Efetuar as essenciais trocas parciais de água não é algo cansativo e trabalhoso. Basta que o aquarista adapte as condições da troca parcial ao local onde está o aquário e seu tamanho. Mas sabemos que há aquaristas que não pensam assim e deixam de fazer as tão importantes trocas parciais e a qualidade da água começa a decair, estressando os peixes ou até levando-os à doenças e morte. Para aquaristas assim, há um produto chamado Easy Balance que prorroga as trocas parciais por até 6 meses, desde que o aquário não esteja superlotado, haja uma filtragem química, biológica e mecânica bem dimensionadas ao tanque e que o alimento seja de boa qualidade e dosado na quantidade adequada. Trata-se de um produto que mantém as condições de água bem próximas do ideal por esse longo período, até que uma troca grande seja feita e o uso do produto reiniciado para mais 6 meses sem trocas. Na minha opinião, o ideal é sempre fazer as trocas parciais que são naturais e muito mais completas. Mas entre não fazer essas trocas e usar tal produto, sem dúvida que a segunda opção é a mais válida.
Controladores de Amônia
O melhor remédio é sempre a prevenção e eu já venho falando isso nas minhas matérias anteriores. Mas sempre há aquaristas desavisados que colocam peixes demais de uma só vez ou muito cedo em um aquário novo, há aquaristas que superalimentam seus peixes, há acidentes com um filtro que parou de funcionar... Enfim, há diversas situações onde a amônia, elemento derivado do excesso de matéria orgânica e terrivelmente tóxico para os peixes, pode aparecer. Nesses casos, há condicionadores líquidos que podem ser usados para transformar a amônia (NH3) em outro elemento não tóxico (em geral, o amônio - NH4). O engraçado aqui é que algumas marcas simplesmente não funcionam. Parece absurdo mas não é. Mas as boas e tradicionais marcas do mercado possuem condicionadores que funcionam muito bem. Mas lembre-se de que se a causa da amônia não for controlada, o problema irá ressurgir. Use esse tipo de condicionador apenas para ganhar tempo e resolver o problema de uma vez por todas.
Aquamagazine 2008
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Aquario Marinho - O que você deve saber antes de montar um
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Aquário Marinho – O que você deve saber antes de montar um |
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Aquários marinhos são o sonho de consumo de muitos aquaristas brasileiros que, apenas não os têm por questões financeiras ou por seguirem o pensamento coletivo de que dão mais trabalho que aquários de água doce e também mais complicados.
O pensamento coletivo nem sempre é correto. Um bom exemplo é que a grande maioria das pessoas pensa que aquários, em geral são trabalhosos e que os peixes morrem com facilidade. Quem tem um mínimo de conhecimento sobre aquarismo, sabe que a verdade não poderia ser mais diferente.
No caso dos aquários marinhos, é verdade que são mais caros que os aquários de água doce. E não tem como ser diferente. Certa vez, publiquei em uma revista que aquários marinhos devem ser montados apenas por quem tem uma reserva financeira para isso, pois é praticamente impossível se ter um bom aquário marinho montado com menos de R$ 1500,00. Algumas pessoas ficaram indignadas e me acusaram de discriminar as pessoas ao afirmar que aquário marinho é para quem tem dinheiro. No mesmo artigo eu lancei um desafio e disse que gostaria de ver alguém que montasse um aquário marinho decente por menos que esse valor. Com excessão de uma pessoa (um auto-didata fanático por aquários, amigo meu até hoje), os e-mails que recebi foram de aquários horríveis, sem um mínimo de qualidade para a manutenção de qualquer ser vivo.
Portanto, repito o que disse no artigo, escrito há quase 10 anos. Antes de montar um aquário marinho, saiba que os equipamentos precisam ter qualidade (já falaremos sobre isso) e são indispensáveis. Não dá para dar um jeitinho, comprar uma bomba menos potente, um skimmer menor, ou feito de qualquer jeito no fundo de um quintal, não dá para colocar bolsas de gelo no aquário nos dias mais quentes e mesmo que você queria montar um aquário só para alguns invertebrados como estrelas e ouriços, as exigências do sistema são as mesmas.
Uma estrela e um ouriço que custam baratinho nas lojas ou são facilmente capturados em qualquer praia, têm o mesmo direito a vida que um coral ou um peixe que custam R$ 500,00. Se eles vivem no mesmo ambiente, o aquário precisa reproduzir esse ambiente para proporcionar uma boa vida a eles, portanto, um aquário de ouriço ou um aquário de um peixe de R$ 500,00 deve ser idêntico.
Resumindo, em aquários marinhos, gambiarras e coisas mal ajambradas, costumam sair caro a todos, mas principalmente aos seres vivos que você tirou de seu ambiente ideal devido ao seu egoísmo e/ou sovinice.
- Mas por que um aquário marinho é tão caro? Ele dá mesmo mais trabalho que um aquário de água doce? É mais complicado?
Um aquário marinho é mais caro porque a água salgada contém simplesmente todos os elemetos químicos da tabela periódica, ou seja, todos os elementos conhecidos em nosso planeta pelo homem até hoje, compõem a água do mar. Uma água tão rica, quando confinada em uma caixa de vidro, sofre mutações químicas, físicas e biológicas radicais. E para evitar que essas mutações tornem a água inabitável, devemos lançar mão de alguns equipamentos imprescindíveis a qualquer aquário marinho.
Mesmo assim, um aquário marinho bem equipado dá muito menos trabalho que, por exemplo, um aquário de água doce plantado, e mais ou menos o mesmo trabalho que um aquário de água doce comum.
E não é complicado. Aprender a cuidar de um aquário de água doce é mais ou menos como aprender a andar de biscicleta, e aprender a cuidar de um aquário marinho é como aprender a dirigir um carro. Num carro, precisamos aprender a soltar as marchas, olhar os retrovisores, dar seta, enfim, diversas coisas ao mesmo tempo, mas com a prática, se torna algo automático. Num aquário marinho, é a mesma coisa. A prática leva a perfeição.
Mas a prática do aquarismo marinho também pode levar à depressão, brigas conjugais, brigas com donos de lojas de aquário, etc. Se o aquário for mal montado e não seguir algumas regrinhas básicas, a vaca começará seu curto caminho até o brejo.
Algumas coisas que simplesmente não podem faltar em NENHUM aquário marinho:
- Skimmer – Um aquário sem skimmer é o mesmo que um carro esportivo com motor 1.0. O skimmer é um aparelho que remove da água a matéria orgânica, antes que ela se transforme em amônia, depois em nitrito e por fim o nitrato, que é um elemento cumulativo e nocivo para invertebrados, corais e em concentrações maiores, os peixes. Além disso, por remover a matéria orgânica da água ele melhora sensivelmente a qualidade da água, impedindo que algas indesejáveis se alimentem e se espalhem pelo aquário, e deixem seu tanque com aspecto de poça d’água. Certa vez, meu amigo Alexandre Talarico, profundo conhecedor do tema me disse que, algas filamentosas, algas marrons e vermelhas, praticamente inexistem em recifes de corais (habitat da maioria dos animais que temos em nossos aquários), mas que são muito comuns em poças d’água. A água de um aquário deve ter a química de um recife de corais e não de uma poça d’água. E, amigo leitor, nunca se esqueça disso.
Existem skimmers de boa qualidade, mas o mercado está lotado de skimmers sem a menor qualidade, preços muito bons e procedências variadas. Por isso, antes de comprar seu skimmer, consulte foruns de internet ou seu lojista de confiança. Mas o lojista de confiança deve ter um aquário impecável na loja, para ter alguma autoridade para recomendar alguma coisa, certo?
- Forte circulação de água – Por causa do sal, é muito mais difícil a mistura de oxigênio na água marinha. Por isso, devemos forçar essa mistura com uma forte circulação de água. Um aquário com pouco oxigênio é sinônimo de aquário ruim. Canso de ver aquários marinhos montados com circulação de água doce. Isso é um crime! Use como base entre 12 e 15 vezes o total do aquário passando pelas bombas de circulação. Por exemplo, em um aquário de 200 litros, o ideal é algo como 2 bombas de 1500 litros hora.
- Equipamentos especícicos para água salgada – Nunca use um filtro de água doce, como um filtro externo, em um aquário marinho. Nem filtros canisters, que se auto-intitulam para água salgada ou água doce, servem. Nem a caixa de vidro é igual. Em aquários marinhos, não se usam, por exemplo, tampas de vidro, que impedem a melhor troca gasosa (indispensável para que se tenha boa oxigenação no aquário). Aquários marinhos bons, em geral possuem uma caixa dentro do móvel, abaixo do aquário, chamada “sump”. Ali é onde se colocam o skimmer e o carvão ativado. Não devemos usar nenhum tipo de filtro em aquário marinho. Nem bio-balls, nem cerâmica, nem nada. A circulação de água faz com que bactérias benéficas, responsáveis pela limpeza do aquário se reproduzam por todo o ambiente. Rochas, pedras, cascalho, etc. Portanto, não há necessidade de nenhum filtro específico além do skimmer e das bombas de circulação.
- Controle de temperatura – Quanto mais alta a temperatura da água, menor o nivel de oxigênio da mesma. E já vimos como é importante termos oxigênio abundante em nossos aquários. Portanto, a temperatura da água não deve ultrapassar os 27 graus, e acima de tudo, deve ser estável. Variações de temperaturas podem ser fatais, especialmente para os peixes. Muna-se de um bom termostato-aquecedor e veja as opções existentes para baixar a temperatura. Existem ventiladores de tampa, que são a opção mais barata. Mas a melhor é sem dúvida a do chiller. Trata-se de um aparelho caro, mas o único 100% eficiente no controle rigoroso da temperatura, e imprescindível no caso de um aquário com corais e outros ivertebrados. Tampas de vidro, como as dos aquários de água doce, tampouco devem ser utilizadas.
- Iluminação de qualidade – Nos aquários marinhos, a função das lâmpadas é muito mais que simplesmente iluminar o ambiente para que o aquário fique bonito. Elas têm a função de alimentar corais e invertebrados fdotossintetizantes e também as alcas calcárias das rochas que ajudam a manter o aquário limpo. As lâmpadas devem possuir temperatura de cor acima dos 5500 graus K e devem ser trocadas anualmente
- Água doce de qualidade – A água a ser usada na mistura do sal sintético e também de evaporação deve ser doce. Mas a água de torneira não serve. Deve passar antes por um aparelho chamado deionisador, ou ainda por um aparelho de osmose reversa para remover impurezas, cloro, metais pesados e entre outras coisas o silicato, responsável pelo surgimento de algas marrons no aquário.
- Quantidade moderada de peixes – Não adianta. Muitos peixes não combinam com aquários marinhos. Os efeitos da super população são brigas e literais arranca-rabos – pois peixes marinhos são muito territoriais – e algas indesejáveis, que tornam o aquário muito feio.
- Qualidade de alimentação – Use o máximo que puder, alimento industrializado de alta qualidade e digestibilidade (alimentos de marcas boas são fundamentais), e não use patês (que só sujam a água) e cuidado com os alimentos vivos e congelados. Não exagere.
As informações passadas nessa matéria são muito básicas. Existe muito mais coisa que você precisa saber para ter um aquário marinho. Mas os pontos colocados aqui são apenas pequenos alertas, pois são os erros mais frequêntes que os aquaristas cometem em seus aquários marinhos. Pesquise sobre o tema na Internet, converse com seu lojista de confiança e leia tudo o que puder sobre o tema, incluindo meu livro “O Aquário Marinho & as Rochas Vivas” que embora tenha sido escrito há mais de 10 anos, ainda contém muitos conceitos atuais. Apenas, após a leitura, atualize-se com aquaristas experientes e bem vindo a esse incrível e fascinante hobby.
Sérgio Gomes
Aquamagazine 2008
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